{"id":280,"date":"2023-04-14T11:56:58","date_gmt":"2023-04-14T11:56:58","guid":{"rendered":"https:\/\/bs.xl.pt\/a-energia-que-muda-o-mundo\/?p=280"},"modified":"2023-04-19T09:58:07","modified_gmt":"2023-04-19T09:58:07","slug":"a-criatividade-que-da-nova-vida-as-ruas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bs.xl.pt\/a-energia-que-muda-o-mundo\/cultura\/a-criatividade-que-da-nova-vida-as-ruas\/","title":{"rendered":"A criatividade que d\u00e1 nova vida \u00e0s ruas"},"content":{"rendered":"\n<p>Quem sai de Oviedo e segue a estrada em dire\u00e7\u00e3o a oeste, atravessa uma sucess\u00e3o de vales verdes que levam \u00e0 pequena vila de Tineo. O local est\u00e1 escondido no cora\u00e7\u00e3o das Ast\u00farias desde o final do s\u00e9culo VIII, a uns 400 metros de altitude, num promont\u00f3rio de onde \u00e9 poss\u00edvel ver as cordilheiras que comp\u00f5em o norte de Espanha. Tineo tem pouco mais de nove mil habitantes, que vivem da pecu\u00e1ria e da ind\u00fastria mineira. \u00c9 uma comunidade coesa, ligada \u00e0 terra e \u00e0 mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n<\/div><div class=\"uk-container uk-margin-medium\"><iframe width=\"1280\" height=\"720\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/35RpqhcCcqs?showinfo=0\" frameborder=\"0\" allowfullscreen data-uk-responsive loading=\"lazy\"><\/iframe><\/div><div class=\"uk-container uk-container-small\">\n\n\n\n<p>Visitar a Plaza del Ayuntamiento \u00e9 obrigat\u00f3rio. \u00c9 onde ficava localizada a antiga galeria dos Almacenes Tineo, com um miradouro com vista para as montanhas e que em breve vai ficar ainda mais apelativo, pois \u00e9 ali que ser\u00e1 instalado o Luz Minera, um projeto de arquitetura de dois estudantes da Escola de Arte de Oviedo. Foi o primeiro pr\u00e9mio da segunda edi\u00e7\u00e3o do concurso de Arte P\u00fablica da Funda\u00e7\u00e3o EDP em Espanha.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma interven\u00e7\u00e3o urban\u00edstica que segue os vest\u00edgios da hist\u00f3ria para melhorar a fun\u00e7\u00e3o social de um espa\u00e7o multiusos. \u201cNuma regi\u00e3o mineira, industrial e pecu\u00e1ria Candidatacomo Tineo, decidimos recriar uma lanterna mineira arquitet\u00f3nica\u201d, explicam Sergio Fernandez de Pablo e Miguel \u00c1ngel Bauta. A inten\u00e7\u00e3o era resolver necessidades humanas num exerc\u00edcio criativo que respeitasse a tradi\u00e7\u00e3o da arquitetura asturiana. \u201cUm novo volume ser\u00e1 erguido onde estava a antiga galeria dos Almacenes Tineo. Haver\u00e1 um sistema de pe\u00e7as destac\u00e1veis que se dilui em partes mais pequenas, adapt\u00e1veis aos usos do ano e ao clima. Estas novas pe\u00e7as estar\u00e3o igualmente nas v\u00e1rias pra\u00e7as adjacentes e formam uma constela\u00e7\u00e3o de luz numa vila cujo c\u00e9u ainda \u00e9 negro durante a noite.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O concurso pedia a melhoria da pra\u00e7a em termos de sustentabilidade e inclus\u00e3o social. Isso conseguiu-se sem problemas, atrav\u00e9s de um processo de participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os, atento \u00e0s necessidades quotidianas. \u00c9 o que sublinha Vanda Martins, da Funda\u00e7\u00e3o EDP: \u201cO que distingue esta iniciativa de outros concursos \u00e9, por um lado, o di\u00e1logo com a comunidade para descobrir a sua rela\u00e7\u00e3o com o local de interven\u00e7\u00e3o; por outro, a ideia vencedora ser\u00e1 implementada pela autarquia, mas com os criadores do projeto como protagonistas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Tom\u00e1s Fern\u00e1ndez Mu\u00f1iz, alcaide de Ribera de Arriba, \u00e9 assertivo: \u201cRecebemos o Arte P\u00fablica com bastante expectativa. Desde o in\u00edcio das conversas que tivemos com a EDP que percebemos que era bastante inovador, social, original e integrador. Tem sido muito bom contar com esta parceria Ib\u00e9rica da EDP Espanha e Portugal. Quando come\u00e7\u00e1mos t\u00ednhamos apenas umas cem pessoas a participar. Mas esse n\u00famero foi aumentando e houve uma grande repercuss\u00e3o em toda a regi\u00e3o, com v\u00e1rias reportagens em jornais, inclusive nacionais. As pessoas perguntavam: \u2018O que \u00e9 o Arte P\u00fablica\u2019? Gosto de dizer que \u00e9 um projeto local de repercuss\u00e3o global.\u201d<\/p>\n\n\n<\/div><div class=\"uk-container uk-margin-medium\"><div class=\"uk-inline\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.xl.pt\/bs\/uploads\/sites\/136\/2023\/04\/217--1200x630.jpg\" alt=\"A criatividade que d\u00e1 nova vida \u00e0s ruas | EDP Y.E.S.\" loading=\"lazy\" \/><div class=\"caption uk-position-bottom-right\"><p class=\"uk-text-small uk-margin-remove\">Para Tom\u00e1s Fern\u00e1ndez Mu\u00f1iz, alcaide de Ribera de Arriba, nas Ast\u00farias, o Arte P\u00fablica \u00e9 inovador, social, original e integrador<\/p><\/div><\/div><\/div><div class=\"uk-container uk-container-small\">\n\n\n<\/div><div class=\"uk-container uk-margin-medium\"><blockquote class=\"uk-margin-medium\"><h3 class=\"uk-margin-top uk-margin-bottom\">O respeito pela participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os est\u00e1 em primeiro lugar: ouviram-se os habitantes para definir a ideia a explorar, s\u00f3 depois se abriu o concurso.<\/h3><\/blockquote><\/div><div class=\"uk-container uk-container-small\">\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Habitantes ditam as regras<\/h4>\n\n\n\n<p>Quando o Arte P\u00fablica arrancou em Espanha, em 2020, o foco tamb\u00e9m foi nas Ast\u00farias, em Ribera de Arriba, a sul de Oviedo. Candidataram-se 33 projetos de quase 60 participantes, de 20 universidades. O respeito pela participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os foi escrupulosamente mantido: primeiro ouviram-se os habitantes, para definir a ideia a explorar. S\u00f3 depois se abriu o concurso. A efic\u00e1cia dos resultados \u00e9 not\u00f3ria e est\u00e1 em curso a transforma\u00e7\u00e3o da \u00e1rea p\u00fablica do Barrio de La Llosa, onde residem fam\u00edlias de baixo rendimento, em espa\u00e7os desportivos, de divers\u00e3o infantil e de lazer e descanso, compostos por m\u00f3dulos resistentes, mas de produ\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, que s\u00e3o montados com a ajuda dos moradores. O projeto chama-se 50 X 50: La Plaza Fragmentada e \u00e9 de Pablo Guardia Hermida e Arturo Moreno Latorre, da Universidad Polit\u00e9cnica de Madrid. Mais: para demonstrar o verdadeiro esp\u00edrito de cidadania, os projetos que receberam men\u00e7\u00f5es honrosas no mesmo concurso ser\u00e3o integradas no projeto executado.<\/p>\n\n\n<\/div><div class=\"uk-container uk-margin-medium\"><div class=\"uk-inline\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.xl.pt\/bs\/uploads\/sites\/136\/2023\/04\/264-1200x630.jpg\" alt=\"A criatividade que d\u00e1 nova vida \u00e0s ruas | EDP Y.E.S.\" loading=\"lazy\" \/><\/div><\/div><div class=\"uk-container uk-container-small\">\n\n\n<blockquote class=\"uk-margin-large\"><img decoding=\"async\" class=\"icon\" src=\"https:\/\/cdn.xl.pt\/bs\/themes\/a-energia-que-muda-o-mundo\/img\/icons\/icon-quote.svg\" data-uk-svg loading=\"lazy\" \/><h3 class=\"uk-margin-top uk-margin-small-bottom\">Sentimos que o envolvimento das pessoas \u00e9 total e muito entusiasta. O Arte P\u00fablica \u00e9 um projeto interessante para a arte, para os artistas, mas, sobretudo, para as comunidades.<\/h3><cite>- Miguel Coutinho, diretor da Funda\u00e7\u00e3o EDP<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Portugal: novas paisagens pintadas<\/h4>\n\n\n\n<p>O Arte P\u00fablica come\u00e7ou como uma ampla iniciativa da Funda\u00e7\u00e3o EDP lan\u00e7ada em Portugal em 2015. A curadoria convida artistas a desenvolverem um processo de colabora\u00e7\u00e3o com as popula\u00e7\u00f5es locais, motivando-as, tal como se replicou em Espanha, a participar em assembleias comunit\u00e1rias para discuss\u00e3o das propostas de interven\u00e7\u00e3o. No caso portugu\u00eas, trata-se de uma progressiva revolu\u00e7\u00e3o na arte mural. H\u00e1 cria\u00e7\u00f5es em fachadas, muros, postos de transforma\u00e7\u00e3o da EDP Distribui\u00e7\u00e3o e outros edif\u00edcios. Continua em for\u00e7a e orienta-se para territ\u00f3rios de baixa densidade populacional.<\/p>\n\n\n\n<p>O mapa de a\u00e7\u00e3o \u00e9 intenso e tem vindo a mudar a paisagem constru\u00edda. At\u00e9 agora, o projeto expandiu-se a 31 localidades, do Algarve ao Alentejo e Ribatejo, Beira Baixa, Minho e Tr\u00e1s-os-Montes. J\u00e1 intervieram 54 artistas individuais ou coletivos, entre eles nomes como Vhils, Manuel Jo\u00e3o Vieira, Susana Gaud\u00eancio, o atelier R2 Design, Xana e alunos da Faculdade de Belas-Artes. No total, produziram-se 139 obras.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 exemplos simultaneamente ic\u00f3nicos e personalizados, como as figuras que Frederico Draw comp\u00f4s num posto de distribui\u00e7\u00e3o na aldeia de Vales, em Alf\u00e2ndega da F\u00e9, a partir das profiss\u00f5es de Laurinda Rodrigues, queijeira, e do marido Jo\u00e3o, corticeiro, ambos na casa dos 70 anos de idade. Os retratos s\u00e3o an\u00f3nimos, mas est\u00e3o \u00e0 vista todos os seus instrumentos de trabalho, sublinhando as atividades t\u00edpicas da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No outro extremo do pa\u00eds, em S\u00e3o Bartolomeu de Messines, o artista Xana utilizou o m\u00e9todo de aprender a ler da Cartilha Maternal do escritor Jo\u00e3o de Deus, natural desta localidade, para pintar palavras tamb\u00e9m num posto de distribui\u00e7\u00e3o. Ficaram inseridas em formas onduladas vermelhas, rimando com a cor das pedras t\u00edpicas de Silves, o gr\u00e9s, e as formas da igreja local. O coment\u00e1rio do presidente da junta de freguesia, Jo\u00e3o Carlos Correia, \u00e9 revelador: \u201cTenho sentido mais impacto junto das camadas mais velhas de pessoas, a pedirem interven\u00e7\u00f5es nas caixas da EDP Distribui\u00e7\u00e3o das suas ruas. Pode pensar-se que as pessoas est\u00e3o pouco viradas para este tipo de arte, mas n\u00e3o. Perguntam quando \u00e9 que chega \u00e0 rua delas.\u201d<\/p>\n\n\n<\/div><div class=\"uk-container uk-margin-medium\"><blockquote class=\"uk-margin-medium\"><h3 class=\"uk-margin-top uk-margin-bottom\">Iniciativa j\u00e1 envolveu a produ\u00e7\u00e3o de 139 obras, de 54 artistas individuais ou coletivos, entre os quais se incluem nomes como Vhils, Manuel Jo\u00e3o Vieira ou Susana Gaud\u00eancio.<\/h3><\/blockquote><\/div><div class=\"uk-container uk-container-small\">\n\n\n\n<p>Miguel Coutinho, diretor da Funda\u00e7\u00e3o EDP e coordenador do projeto, explica que o que motivou a EDP a levar o Arte P\u00fablica para outros territ\u00f3rios que n\u00e3o o das grandes cidades foi permitir o acesso \u00e0 cultura a quem normalmente n\u00e3o o tem. \u201cSentimos que o envolvimento das pessoas \u00e9 total e muito entusiasta. \u00c9 um projeto interessante para a arte, para os artistas, mas, sobretudo, para as comunidades.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Espanha h\u00e1 arquitetos que est\u00e3o a mudar pequenas localidades em conjunto com a popula\u00e7\u00e3o. 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