{"id":1081,"date":"2023-09-21T09:00:45","date_gmt":"2023-09-21T08:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/bs.xl.pt\/branded-content\/?p=1081"},"modified":"2023-09-06T18:19:27","modified_gmt":"2023-09-06T17:19:27","slug":"amalia-e-freddie-mercury","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bs.xl.pt\/branded-content\/noticias\/amalia-e-freddie-mercury\/","title":{"rendered":"Am\u00e1lia &amp; Freddie Mercury"},"content":{"rendered":"\n<p>Por c\u00e1 nos \u00faltimos anos tivemos <em>Snu<\/em>, de Patr\u00edcia Sequeira, <em>Soldado<\/em><em>Milh\u00f5es<\/em>, de Gon\u00e7alo Galv\u00e3o Teles e Jorge Paix\u00e3o da Costa, <em>Varia\u00e7\u00f5es<\/em>, de Jo\u00e3o Maia, <em>Doce<\/em>, de Patr\u00edcia Sequeira, <em>Salgueiro Maia<\/em>, de S\u00e9rgio Graciano. Um pouco mais antigo, tivemos ainda <em>Am\u00e1lia<\/em>, de Carlos Coelho da Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>Os filmes biogr\u00e1ficos s\u00e3o uma forma simples de chamar a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. J\u00e1 que s\u00e3o projectos baseados em rostos famosos instantaneamente reconhec\u00edveis. Hollywood sempre adorou um bom drama biogr\u00e1fico. Estes filmes costumam ser uma \u00f3ptima maneira de obter gl\u00f3ria nos \u00d3scares, com alguns filmes biogr\u00e1ficos como <em>Uma mente brilhante<\/em>, de Ron Howard, e <em>O Discurso<\/em><em>do<\/em><em>Rei<\/em>, de Tom Hooper, a sa\u00edrem vencedores do muito cobi\u00e7ado \u00d3scar de Melhor Filme. No entanto, as produ\u00e7\u00f5es de <em>biopics <\/em>tamb\u00e9m se podem tornar par\u00f3dias de si pr\u00f3prias, propensas a reduzir figuras distintas do passado a uma colec\u00e7\u00e3o de clich\u00e9s. Considerando a facilidade com que os filmes biogr\u00e1ficos podem \u201cpuxar o p\u00e9 para o chinelo\u201d. O que \u00e9 ent\u00e3o necess\u00e1rio para fazer um projecto de qualidade e interessante neste g\u00e9nero? A primeira coisa a recordar sobre os filmes biogr\u00e1ficos mais fracos \u00e9 quantas dessas produ\u00e7\u00f5es s\u00e3o desenhadas a partir de um escopo excessivamente expansivo. Muitos destes gui\u00f5es acabam por ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de fazer uma abordagem cronol\u00f3gica do ber\u00e7o ao t\u00famulo de figuras famosas que embala literalmente todos os momentos famosos das suas vidas. Conceptualmente, \u00e9 uma maneira de garantir que o p\u00fablico veja cada momento reconhec\u00edvel da vida de um \u00edcone, garante ainda que o filme seja o mais abrangente poss\u00edvel. Ao estruturar desta forma o desenvolvimento narrativo, a maioria dos filmes biogr\u00e1ficos acabam por n\u00e3o deixar espa\u00e7o para momentos cruciais de respira\u00e7\u00e3o. O foco \u00e9 verificar tudo numa exaustiva <em>checklist<\/em> biogr\u00e1fica, e n\u00e3o olhar para as pessoas ic\u00f3nicas como pessoas&#8230; Isto anda de m\u00e3os dadas com outra quest\u00e3o fundamental, os filmes biogr\u00e1ficos geralmente definem os seus temas centrais, em fun\u00e7\u00e3o dos maiores feitos pessoais das pessoas retratadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e3o constantemente preocupados em garantir que haja uma hist\u00f3ria de origem imperd\u00edvel para que com o subir da montanha o her\u00f3i concretize a fa\u00e7anha mais ic\u00f3nica como tema central. Se olharmos para <em>Darkest Hour<\/em>, por exemplo, podemos ver um momento em que Winston Churchill, interpretado por Gary Oldman, olha para a marca de uma ventoinha para justificar um momento de epifania em que recorda a miss\u00e3o de resgate militar conhecida como Opera\u00e7\u00e3o D\u00ednamo. Alguns desses momentos curiosos podem ou n\u00e3o ter acontecido na vida real, mas independentemente disso, eles resumem-se a partes cruciais da vida de algu\u00e9m apostando o seu potencial dram\u00e1tico, ao servi\u00e7o dos f\u00e3s na temporada dos \u00d3scares. Esses s\u00e3o pontos recorrentes, e s\u00e3o um problema que empobrece os piores filmes biogr\u00e1ficos: n\u00e3o est\u00e3o particularmente interessados nas pessoas biografadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Filmes como <em>Bohemian Rhapsody<\/em> ou <em>The Theory of Everything<\/em> est\u00e3o interessados apenas no legado e nas conquistas dessas figuras hist\u00f3ricas, mas n\u00e3o em chegar ao seu cora\u00e7\u00e3o ou perspectivas. Desvend\u00e1-los como pessoas profundamente humanas atrapalha o gui\u00e3o na hora de reviver eventos do passado que o espectador j\u00e1 conhece e antecipa. Tamb\u00e9m n\u00e3o ajuda que no exerc\u00edcio de eliminar as partes menos ortodoxas dessas figuras isso tenha alguns efeitos colaterais t\u00f3xicos. Para fazer pessoas como Freddie Mercury encaixarem no molde atraente de um filme biogr\u00e1fico tradicional, esses filmes tendem a remover as partes provocativas ou desafiadoras dessas figuras. <em>Bohemian Rhapsody<\/em>, por exemplo, foi criado para se encaixar perfeitamente na classifica\u00e7\u00e3o PG-13 (define a idade dos espectadores acima de 13 anos), uma designa\u00e7\u00e3o t\u00edpica da MPAA (Motion Picture Association) para <em>biopics<\/em>. Isso garante \u00e0 partida uma ampla gama de p\u00fablicos. Ao p\u00f4r essa t\u00e1tica de <em>marketing<\/em> \u00e0 frente de qualquer valor de qualidade dramat\u00fargica, as complexidades de Mercury foram removidas e a sua sexualidade foi tratada com paninhos quentes. O <em>enfant<\/em><em>terrible<\/em> Freddie Mercury era agora representado no ecr\u00e3<\/p>\n\n\n<\/div><div class=\"uk-container uk-margin-medium\"><div class=\"image-interstitial uk-inline\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.xl.pt\/bs\/uploads\/sites\/148\/2023\/05\/GettyImages-1293206068-1200x630.jpg\" alt=\"Am\u00e1lia &amp; Freddie Mercury | Branded Content\" loading=\"lazy\" \/><\/div><\/div><div class=\"uk-container uk-container-small\">\n\n\n\n<p>como algu\u00e9m que poderia facilmente ceder direitos de imagem \u00e0 campanha publicit\u00e1ria de uma institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria sem pingo de controv\u00e9rsia. Ao aderir \u00e0s normas dos filmes biogr\u00e1ficos convencionais, <em>Bohemian<\/em><em>Rhapsody<\/em> deixou para tr\u00e1s as pr\u00f3prias caracter\u00edsticas que tornaram Mercury ic\u00f3nico o suficiente para merecer um filme biogr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora muitos filmes biogr\u00e1ficos d\u00eaem m\u00e1 fama ao g\u00e9nero, nem tudo \u00e9 pouco imaginativo e povoado de refer\u00eancias estafadas. Muitos <em>biopics<\/em> mostram formas criativas e interessantes de contar a hist\u00f3ria. Uma boa decis\u00e3o \u00e9 manter o escopo contido numa pequena parte da vida da pessoa famosa, em vez de se concentrar no maior somat\u00f3rio de eventos hist\u00f3ricos poss\u00edveis. Projectos como <em>Lincoln<\/em> ou <em>A marcha da liberdade<\/em> mostram como menos pode ser mais, permitindo desta forma que o gui\u00e3o tenha mais tempo para conhecer a figura hist\u00f3rica, em vez de estar sempre com pressa para chegar ao pr\u00f3ximo grande evento ao vivo. Um excelente exemplo disso \u00e9 <em>Spencer<\/em>. Um filme sobre a princesa Diana protagonizado por Kristen Stewart, e que poderia ter seguido o molde da narrativa biogr\u00e1fica tradicional \u00e0 risca. Em vez disso, o guionista Steven Knightcontou a hist\u00f3ria enquadrando-a durante um fim de semana de Natal, narrando a luta de Diana para sobreviver \u00e0s enormes expectativas e constante vigil\u00e2ncia da fam\u00edlia real. O realizador, Pablo Larra\u00edn,exp\u00f5e as lutas psicol\u00f3gicas internas de Diana com uma qualidade avassaladora que dotou o filme de uma camada de terror. O afastamento das normas biogr\u00e1ficas padr\u00e3o permitiu que <em>Spencer<\/em> procurasse uma identidade pr\u00f3pria, e dessa forma tenha criado um alter ego cinematogr\u00e1fico idiossincr\u00e1tico para a pr\u00f3pria Diana, que nunca se contentou em simplesmente encaixar nas expectativas da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos puramente est\u00e9ticos, filmes biogr\u00e1ficos melhores tamb\u00e9m evitam conven\u00e7\u00f5es a n\u00edvel visual, tornam a cinematografia um reflexo da vis\u00e3o de mundo de uma determinada personagem. Como \u00e9 exemplo <em>Ed Wood<\/em>, o filme de Tim Burtonde 1995 \u00e9 mostrado com uma paleta de cores monocrom\u00e1tica e o pr\u00f3logo de abertura feito num estilo que evoca os trabalhos piegas do cineasta retratado. Em vez de for\u00e7ar a vida de Ed Wood nos padr\u00f5es visuais dos filmes biogr\u00e1ficos, Burton for\u00e7a o g\u00e9nero a moldar-se aos padr\u00f5es visuais \u00fanicos do homem por tr\u00e1s de <em>Plan 9 From Outer Space<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para percebermos como projetos como <em>Spencer<\/em>, <em>Ed Wood<\/em> ou ainda <em>I&#8217;m Not There<\/em>, de Todd Haynes, entre outros, contrariam as tradi\u00e7\u00f5es do filme biogr\u00e1fico para criar algo excepcionalmente memor\u00e1vel, n\u00e3o podemos deixar de nos perguntar porque tantos outros filmes biogr\u00e1ficos se contentam com o \u00f3bvio e familiar. Porqu\u00ea reduzir pessoas extraordinariamente \u00fanicas da hist\u00f3ria a moldes visuais e narrativos testados uma e outra vez? \u00c9 pouco prov\u00e1vel que o cinema pare de produzir vers\u00f5es estereotipadas de cinebiografias nos tempos mais pr\u00f3ximos. Felizmente os melhores exemplos do g\u00e9nero s\u00e3o uma boa promessa do valor art\u00edstico que pode ser extra\u00eddo destes filmes, ou como diria Freddie Mercury:<em> \u201c<\/em>Is this the real life? Is this just fantasy?\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estou neste momento a concluir a rodagem de uma s\u00e9rie para uma plataforma de <em>streaming<\/em> internacional, sobre uma carism\u00e1tica e incontorn\u00e1vel figura do desporto portugu\u00eas das \u00faltimas quatro d\u00e9cadas. A hist\u00f3ria do enigm\u00e1tico presidente de um clube de futebol. Trata-se portanto de um <em>biopic<\/em>. \u00c9 sobre este g\u00e9nero cada vez mais na moda que vos gostaria de falar.<\/p>\n","protected":false},"author":29,"featured_media":1090,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[172,169,46,178],"class_list":["post-1081","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-bruno-pinhal","tag-cinema","tag-marketing","tag-streaming"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/branded-content\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1081","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/branded-content\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/branded-content\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/branded-content\/wp-json\/wp\/v2\/users\/29"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/branded-content\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1081"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/branded-content\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1081\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1105,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/branded-content\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1081\/revisions\/1105"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/branded-content\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1090"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/branded-content\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1081"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/branded-content\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1081"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/branded-content\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1081"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}