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Fidelidade aposta em fundos com retorno, escala e impacto na sustentabilidade

O investimento sustentável só será transformador se garantir retorno económico e tiver escala e impacto real no território, defende Manuel Calvão, administrador da sociedade gestora de fundos da Fidelidade.

Fidelidade aposta em fundos com retorno, escala e impacto na sustentabilidade.

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A Fidelidade – Sociedade Gestora de Organismos de Investimento Coletivo (FSG) está a desenvolver uma nova abordagem ao desenvolvimento de fundos que integram critérios ESG, apostando na convergência a longo prazo entre sustentabilidade e rentabilidade.

Neste contexto, a FSG destaca dois fundos que são dos primeiros instrumentos desta aposta. O IMOFID, um fundo de investimento imobiliário aberto classificado como “light green” (artigo 8.º do regulamento SFDR), e o recentemente criado Fundo Florestas de Portugal, classificado como “dark green” (artigo 9.º).

Estes dois fundos são, para Manuel Calvão, administrador da FSG, “exemplos de uma orientação estratégica da seguradora para desenvolver fundos com uma maior preocupação ambiental e social”.
O contexto atual justifica esta estratégia a pensar no futuro. “Há uma oportunidade em canalizar capital para setores que precisam de investimento estável e de longo prazo na sustentabilidade”, sublinha Manuel Calvão. Na sua experiência, “os investidores mostram apetite por este tipo de investimento — desde que existam veículos adequados — que permitam escalar e ter impacto, com rentabilidade.”

Há uma oportunidade em canalizar capital para setores que precisam de investimento estável e de longo prazo na sustentabilidade.

Investimento sustentável nas florestas

No centro desta estratégia está o novo Fundo Florestas de Portugal, que nasce com uma ambição clara: demonstrar que a gestão florestal pode ser simultaneamente sustentável, economicamente viável, e geradora de impacto local.

O administrador da FSG explica que este tipo de fundos florestais tem vivido entre dois extremos — investimentos focados exclusivamente no retorno financeiro, ou em iniciativas ambientalmente meritórias, mas estruturalmente dependentes de subsídios. A proposta da FSG tenta encontrar aqui um equilíbrio: “No nosso fundo, o objetivo é equilibrar a necessidade de garantir retorno adequado aos investidores, com uma abordagem sustentável.” É esse retorno, afirma, “que mantém o capital no fundo a longo prazo, permite atrair mais investimento e ganhar escala”.

Como explica Manuel Calvão, “sem escala, o fundo não terá expressão nem capacidade de atuar no território, com relevância”.

Desta forma, a vertente económica é apenas metade da equação. A outra metade assenta numa orientação para práticas florestais que preservem e reforcem os ecossistemas. Como detalha o administrador, o fundo está orientado “para investir maioritariamente em espécies autóctones, garantir a biodiversidade, evitar a degradação de habitats, prevenir a erosão dos solos e reduzir os riscos de incêndio”. Esta orientação é importante para diferenciar o fundo: “Achamos que este compromisso tem possibilidade de sucesso. A sustentabilidade económica dá viabilidade a longo prazo, mas também gera impacto social, sobretudo no interior, porque cria empregos na floresta e nas atividades agrícolas associadas.”

Além disso, o fundo aposta na criação de créditos de carbono de alta qualidade, que são valorizados por empresas com metas ambientais exigentes. A procura crescente por estes créditos reforça o racional de investimento e contribui para uma fonte adicional de retorno.

No nosso fundo Florestas de Portugal, o objetivo é equilibrar a necessidade de garantir retorno adequado aos investidores com uma abordagem sustentável.

Certificação ESG é valor

A estratégia de investimento verde da FSG estende-se igualmente ao setor imobiliário, através do fundo IMOFID. Aqui, a estratégia não se concentra apenas na certificação ESG dos ativos, mas na análise do impacto que este tem na valorização dos ativos imobiliários. Sobre isto, Manuel Calvão é claro: “Encaramos a certificação menos como um carimbo e mais como uma oportunidade para melhorar a performance dos imóveis. Há evidência clara de que os fatores ESG influenciam a valorização, as rendas e a taxa de ocupação”, afirma.

Neste contexto, e com inquilinos cada vez mais exigentes — sobretudo empresas com políticas de sustentabilidade rigorosas —, os ativos que não acompanham esta transformação para a sustentabilidade, começam, na análise da FSG, a enfrentar um risco crescente de perda de valor. Para o administrador, a evidência mostra que “imóveis sem certificação ESG tendem a ser menos procurados, o que cria um fator de desvalorização. E a tendência é de polarização crescente entre ativos com bons níveis ESG e ativos que ficam para trás”.

Para a FSG, o investimento em sustentabilidade não é uma tendência conjuntural, mas uma transformação estrutural do mercado de capitais. A instituição acredita que os fundos que combinam retorno económico, impacto ambiental e relevância territorial atrairão mais capital nos próximos anos. Como sintetiza Manuel Calvão, para a FSG a ambição é clara: criar fundos que garantem rendimento, conseguem escala, preservam valor, e geram impacto real — económico, ecológico e social.

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