
{"id":370,"date":"2024-11-07T09:00:00","date_gmt":"2024-11-07T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bs.xl.pt\/climate-change-talks\/?post_type=videocasts&#038;p=370"},"modified":"2025-11-07T11:09:18","modified_gmt":"2025-11-07T11:09:18","slug":"o-ritmo-da-crise-ecologica-e-o-maior-de-sempre","status":"publish","type":"videocasts","link":"https:\/\/bs.xl.pt\/climate-change-talks\/videocasts\/o-ritmo-da-crise-ecologica-e-o-maior-de-sempre\/","title":{"rendered":"O ritmo da crise ecol\u00f3gica \u00e9 o maior de sempre"},"content":{"rendered":"\n<p>A crise clim\u00e1tica e a crise da biodiversidade est\u00e3o intimamente ligadas. A temperatura sobe, a biodiversidade reduz-se e os ecossistemas transformam-se. Sabemos da Hist\u00f3ria do planeta que a natureza recuperou de outras crises. A quest\u00e3o \u00e9 saber se a Humanidade vai recuperar desta crise. Para o ec\u00f3logo Nuno Oliveira e para a soci\u00f3loga Lu\u00edsa Schmidt, as grandes decis\u00f5es econ\u00f3micas, sociais e de ordenamento do territ\u00f3rio t\u00eam de estar muito mais baseadas num esfor\u00e7o de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica e de conserva\u00e7\u00e3o da natureza. Neste contexto, talvez novas gera\u00e7\u00f5es mais conscientes possam impulsionar a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Esta \u00e9 a sexta extin\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Para Nuno Oliveira, ec\u00f3logo e CEO da start-up Natural Business Intelligence (NBI), conhecido pelo seu trabalho na estrat\u00e9gia e gest\u00e3o de ecossistemas e biodiversidade, os sinais s\u00e3o claros: \u201cVivemos num contexto em que, em poucos anos \u2013 1970 n\u00e3o foi assim h\u00e1 tantos anos \u2013, conseguimos aumentar a temperatura m\u00e9dia global quase em um grau e meio e conseguimos fazer com que quase 70% da biodiversidade de animais vertebrados desaparecesse do cimo do Planeta Terra.\u201d <\/p>\n\n\n\n<p>As provas est\u00e3o \u00e0 vista de todos. \u201cCostuma-se dizer que \u00e9 preciso que os deuses mandem um sinal para tomarmos aten\u00e7\u00e3o, mas neste caso os sinais est\u00e3o todos aqui.\u201d E a humanidade \u00e9 o elo mais fraco nesta equa\u00e7\u00e3o. \u201cA natureza \u00e9 a mestre da adapta\u00e7\u00e3o. Para a natureza em si esta \u00e9 apenas a sexta extin\u00e7\u00e3o. J\u00e1 teve cinco \u2018reboots\u2019, alguns dos quais bem violentos, e voltou sempre a surgir\u201d, nota.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuem est\u00e1 realmente mal \u00e9 o Sapiens. O ser humano est\u00e1 a p\u00f4r-se numa situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, o que n\u00e3o deixa de ser estranho, depois de tanta evolu\u00e7\u00e3o cultural e tecnol\u00f3gica.\u201d Ainda mais se considerarmos que, \u201catualmente, j\u00e1 nem existe debate sobre se estamos perante uma grave crise ecol\u00f3gica. N\u00e3o estamos \u00e9 a dar import\u00e2ncia \u00e0 verdadeira quest\u00e3o, que \u00e9 o ritmo a que esta crise est\u00e1 a acontecer, que \u00e9 muito superior a qualquer ritmo alguma vez conhecido na natureza\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n<div class=\"uk-inline\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.xl.pt\/bs\/uploads\/sites\/193\/2024\/11\/nuno-oliveira_tratada_net-1200x630.jpg\" alt=\"O ritmo da crise ecol\u00f3gica \u00e9 o maior de sempre\" loading=\"lazy\" \/><\/div><p class=\"uk-hidden@s uk-text-small uk-text-muted uk-margin-small-top uk-margin-medium-bottom uk-text-left\">Nuno Oliveira, CEO da Natural Business Intelligence<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma nova economia <\/h2>\n\n\n\n<p>Para o ec\u00f3logo, se nos quisermos adaptar com sucesso a esta transforma\u00e7\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio \u201cmudar h\u00e1bitos e mudar a nossa perspetiva sobre a economia e sobre o que \u00e9 progresso\u201d. Segundo Nuno Oliveira, isso passa por \u201cdesenvolver uma economia natural, em que o clima e a natureza estar\u00e3o no centro das decis\u00f5es econ\u00f3micas\u201d. O que envolve \u201cdar sentido a investir em restaurar, em recuperar e em trazer de volta capital natural, para salvaguardar o capital humano\u201d. Ou seja, \u201cconstruir um modelo de prosperidade que salvaguarde o destino da humanidade\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre Portugal, quer Nuno Oliveira quer Lu\u00edsa Schmidt, soci\u00f3loga e investigadora coordenadora do Instituto de Ci\u00eancias Sociais da Universidade de Lisboa, concordam que o impacto da crise ecol\u00f3gica ser\u00e1 muito s\u00e9rio. Nuno Oliveira observa que 25% do territ\u00f3rio natural de Portugal s\u00e3o \u00e1reas protegidas, \u201cque ir\u00e3o enfrentar estas duas crises: a crise ecol\u00f3gica, da perda de biodiversidade e dos servi\u00e7os que a natureza d\u00e1 em termos de regula\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, da \u00e1gua e dos nutrientes para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos. E o risco das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas em termos de aumento da temperatura e dos eventos extremos\u201d. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O pa\u00eds \u201cvive inclinado&#8221;<\/h2>\n\n\n\n<p>Para a soci\u00f3loga Lu\u00edsa Schmidt, o obst\u00e1culo principal a qualquer esfor\u00e7o de adapta\u00e7\u00e3o a estas crises g\u00e9meas \u00e9 o desordenamento e o desequil\u00edbrio no territ\u00f3rio. \u201cHoje temos 80% da popula\u00e7\u00e3o a viver a menos de 50 quil\u00f3metros da costa e 54% a viver a 10 quil\u00f3metros da costa. O pa\u00eds vive inclinado\u201d, afirma. A soci\u00f3loga avisa que os perigos s\u00e3o claros: \u201cTodos os estudos indicam que a subida do n\u00edvel m\u00e9dio no mar, articulado com a eros\u00e3o, que \u00e9 tamb\u00e9m um problema muito grave, vai ter um impacto direto em zonas onde vive muita gente\u201d. E no entanto, observa, \u201cenquanto em algumas zonas se come\u00e7a a fazer um recuo planeado da linha de costa, noutras continuamos a deixar construir em cima das fal\u00e9sias\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"uk-inline\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.xl.pt\/bs\/uploads\/sites\/193\/2024\/11\/Luisa-Schmidt_tratada_net-1200x630.jpg\" alt=\"O ritmo da crise ecol\u00f3gica \u00e9 o maior de sempre\" loading=\"lazy\" \/><\/div><p class=\"uk-hidden@s uk-text-small uk-text-muted uk-margin-small-top uk-margin-medium-bottom uk-text-left\">Luisa Schmidt<\/p>\n\n\n\n<p>Na sua opini\u00e3o, urge a tomada de decis\u00f5es pol\u00edticas: \u201cDevemos criar uma figura de emerg\u00eancia clim\u00e1tica na zona costeira para impedir a constru\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o de direitos adquiridos dos anos 1980, porque, entretanto, a ci\u00eancia evoluiu e mostrou que se est\u00e1 a ter direitos adquiridos em zonas de risco.\u201d \u201cA gest\u00e3o do impacto das crises ecol\u00f3gica e clim\u00e1tica requer tempo e pol\u00edticas preventivas\u201d, alerta. A preven\u00e7\u00e3o, afirma, \u201c\u00e9 uma palavra-chave e a adapta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. Quanto menos Portugal investir nas pol\u00edticas de adapta\u00e7\u00e3o, mais ir\u00e1 pagar os estragos que os eventos extremos v\u00e3o trazer.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Esperan\u00e7a na juventude <\/h2>\n\n\n\n<p>Lu\u00edsa Schmidt conta com a press\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es para que haja a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica: \u201cAs gera\u00e7\u00f5es mais novas t\u00eam de come\u00e7ar a ser ouvidas e a ser envolvidas naquilo que s\u00e3o decis\u00f5es que v\u00e3o ter muita import\u00e2ncia para a sua vida futura\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Estas gera\u00e7\u00f5es \u201cs\u00e3o as que sofrem mais daquilo que hoje se chama a ansiedade clim\u00e1tica. Trata-se de uma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 muito pouco consultada e muito pouco ouvida\u201d. O que n\u00e3o \u00e9 natural, porque os estudos mostram que \u201ch\u00e1 um grande empenho nas causas ambientais por parte dos jovens na escola secund\u00e1ria, na escola b\u00e1sica e na universidade\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Depois \u00e9 preciso uma legisla\u00e7\u00e3o que seja aplic\u00e1vel, observou. \u201cN\u00f3s temos uma Lei do Clima aprovada em dezembro de 2021 e que ainda n\u00e3o passou \u00e0 pr\u00e1tica. Mas \u00e9 uma lei muito interessante e que tem este artigo, por exemplo, dedicado \u00e0s formas de participa\u00e7\u00e3o. Se 30 cidad\u00e3os se organizarem e quiserem questionar medidas pol\u00edticas que sejam tomadas no pa\u00eds em termos de altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, podem faz\u00ea-lo e ir \u00e0 Assembleia\u201d. S\u00f3 falta mesmo aplicar a lei. Fica a esperan\u00e7a na juventude.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 em curso uma crise ecol\u00f3gica para cujas consequ\u00eancias o pa\u00eds<br \/>\ne o mundo n\u00e3o est\u00e3o preparados. 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