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Guia prático: como comer melhor sem gastar mais

Guia prático: como comer melhor sem gastar mais

Publicado em 08 de Junho de 2026 at 16:55

Planear, cozinhar em casa, ler os rótulos, apostar nas leguminosas. As respostas existem e são simples. O desafio está em aplicá-las dentro de um orçamento real, com tempo real, numa vida real.

Planear. A palavra surge em todas as respostas, de todos os especialistas ouvidos para este suplemento, e em ambas as famílias que partilharam a sua experiência. Planear as compras, as refeições, a semana. “Ao planear conseguimos gerir melhor o orçamento e a adequação nutricional da alimentação às necessidades individuais”, resume Helena Real. Sem lista, sem menu semanal, a probabilidade de comprar em excesso, desperdiçar frescos ou recorrer a soluções mais caras de última hora aumenta consideravelmente.

Mayumi Delgado identifica outros erros frequentes: olhar para o preço da embalagem em vez do preço por quilo ou por refeição, ou substituir alimentos simples por versões mais caras quando não é necessário. “Uma sopa, ovos mexidos com legumes, arroz com feijão, aveia com fruta: podem ser opções nutricionalmente muito interessantes e bastante acessíveis.”

A nutricionista Mafalda Rodrigues de Almeida aponta um padrão nos erros mais comuns. “É impressionante a quantidade de pessoas que cada vez cozinham menos em casa e recorrem mais a alimentos prontos. Isto tem um custo mais alto, mas também um custo para a saúde.” Os alimentos confecionados e embalados contêm aditivos que “causam mais danos à microbiota intestinal do que pensamos”, alerta.

Sendo o preço um dos principais determinantes da escolha alimentar, é fundamental aumentar a literacia alimentar dos portugueses para saberem escolher os alimentos adequados.

Ler o rótulo. A sério.

O estudo de literacia alimentar revela que 44% dos portugueses tem dificuldade em interpretar a informação sobre alergénios nos rótulos, e outros 44% não conseguem compreender selos e certificações como DOP, IGP ou o selo de agricultura biológica. Quase metade, 41%, não consegue avaliar se um alimento é saudável com base na informação da frente da embalagem, incluindo o Nutri-Score.

Mafalda aponta uma ironia: se o Nutri-Score, criado para simplificar a escolha, já gera confusão, as redes sociais são terreno ainda mais instável. “O Nutri-Score compara todos os alimentos uns com os outros em vez de olhar a categorias. Se isto é difícil de compreender, como não o serão as redes sociais.” O problema é crescente: “Chego a receber nas consultas médicos que se sentem confusos face a determinados temas de nutrição.”

O que as marcas podem fazer

Do lado do retalho, o Continente investiu nos últimos anos na reformulação de produtos de marca própria: desde 2018, reduziu 125 toneladas de sal, 1.500 toneladas de açúcar e 445 toneladas de gordura saturada em mais de 650 produtos. Disponibiliza também o Semáforo Nutricional e um Planeador de Refeições online. A gama Equilíbrio foi desenhada para oferecer opções nutricionalmente equilibradas a preço acessível.

Helena Real lembra que a literacia alimentar envolve todo o percurso: planear, gerir o orçamento, selecionar, preparar e consumir com consciência. O principal obstáculo já não é o acesso à informação. Os portugueses sabem, cada vez mais, o que é uma alimentação saudável. O desafio está em aplicar esse conhecimento dentro de um orçamento real, com tempo real, numa vida real. E isso, dizem os especialistas, começa antes de se entrar no supermercado.