{"id":143,"date":"2026-08-27T08:02:00","date_gmt":"2026-08-27T08:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/?p=143"},"modified":"2026-08-25T17:44:17","modified_gmt":"2026-08-25T17:44:17","slug":"sabemos-que-e-a-melhor-porque-a-abandonamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/conteudos\/sabemos-que-e-a-melhor-porque-a-abandonamos\/","title":{"rendered":"Sabemos que \u00e9 a melhor. Porque a abandon\u00e1mos?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O padr\u00e3o alimentar mais estudado e mais premiado do mundo nasceu \u00e0 volta de uma mesa, em pa\u00edses banhados pelo Mediterr\u00e2neo, a partir de ingredientes simples, frescos e da \u00e9poca. Portugal \u00e9 um desses pa\u00edses. E ainda assim, apenas 26% dos portugueses seguem hoje o padr\u00e3o alimentar que \u00e9, por heran\u00e7a, o seu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dieta mediterr\u00e2nica \u00e9 o padr\u00e3o alimentar com maior evid\u00eancia cient\u00edfica acumulada nas \u00faltimas d\u00e9cadas. \u201c\u00c9 um padr\u00e3o alimentar completo, baseado em produtos hort\u00edcolas e fruta em abund\u00e2ncia, leguminosas, cereais pouco refinados, azeite como principal fonte de gordura, consumo regular de peixe e um consumo baixo de carnes vermelhas e processadas. E \u00e9 precisamente esta combina\u00e7\u00e3o, mais do que qualquer alimento isolado, que explica os benef\u00edcios que a ci\u00eancia j\u00e1 demonstrou\u201d, explica a nutricionista Mariana Chaves.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo mais robusto \u00e9 o <strong>PREDIMED, um ensaio cl\u00ednico espanhol<\/strong> com mais de 7.400 participantes de alto risco cardiovascular. Os grupos que seguiram uma dieta mediterr\u00e2nica tiveram uma <strong>redu\u00e7\u00e3o de cerca de 30% no risco de eventos cardiovasculares major<\/strong>, comparativamente a um grupo de controlo. \u201cEste tipo de resultado, obtido num ensaio controlado e n\u00e3o apenas em estudos observacionais, \u00e9 raro em nutri\u00e7\u00e3o e deu um peso cient\u00edfico enorme a este padr\u00e3o alimentar\u201d, sublinha Mariana Chaves.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Manuel Oliveira Carrageta, professor doutor e presidente da Funda\u00e7\u00e3o Portuguesa de Cardiologia<\/strong>, sublinha o papel central do azeite virgem extra. \u201c\u00c9 a principal fonte de gordura na dieta mediterr\u00e2nica e aquele que mais se distingue pelas suas qualidades ben\u00e9ficas para a sa\u00fade\u201d.<\/p>\n\n\n<\/div><\/section><section class=\"blockquote uk-section\"><div class=\"uk-container\"><blockquote class=\"uk-margin-medium\"><span uk-icon=\"icon: quote-right; ratio: 8.0\"><\/span><h5 class=\"uk-margin-xlarge-left uk-margin-top uk-margin-small-bottom\">O azeite virgem extra \u00e9 a principal fonte de gordura na dieta mediterr\u00e2nica e aquele que mais se distingue pelas suas qualidades ben\u00e9ficas para a sa\u00fade.<\/h5><footer class=\"uk-margin-xlarge-left \"><cite>Manuel Oliveira Carrageta, professor doutor e presidente da Funda\u00e7\u00e3o Portuguesa de Cardiologia<\/cite><\/footer><\/blockquote><\/div><\/section><section class=\"article-content uk-section\"><div class=\"uk-container uk-container-small\">\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um padr\u00e3o nosso que deix\u00e1mos de seguir<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O paradoxo \u00e9 evidente. Portugal partilha a matriz cultural e alimentar mediterr\u00e2nica, mas afastou-se dela. Em 2016, apenas 18,2% dos portugueses apresentava uma ades\u00e3o elevada a este padr\u00e3o. Em 2020, esse valor subiu para 26%, uma melhoria, mas ainda assim uma minoria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mariana Chaves aponta que \u201ccerca de 95% dos portugueses continuam a referir o azeite como principal gordura de confe\u00e7\u00e3o. O n\u00facleo do padr\u00e3o mant\u00e9m-se, mas perde-se tudo o resto \u00e0 volta: as leguminosas, a frequ\u00eancia de hort\u00edcolas, a forma de cozinhar. As pessoas acham que seguem a dieta mediterr\u00e2nica porque usam azeite, quando na realidade abandonaram praticamente tudo menos isso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor Carrageta identifica uma ironia que a ci\u00eancia confirma: a dieta mediterr\u00e2nica \u00e9 hoje celebrada com entusiasmo crescente nos Estados Unidos e no norte da Europa, enquanto entra em decl\u00ednio precisamente nos pa\u00edses onde nasceu. Num mercado alimentar saturado de dietas da moda, jejuns intermitentes e superalimentos importados, a evid\u00eancia cient\u00edfica continua a apontar para o mesmo padr\u00e3o de sempre. A causa do abandono, diz, \u00e9 a ado\u00e7\u00e3o pelos mais jovens de padr\u00f5es alimentares ricos em gordura saturada, sal e a\u00e7\u00facar. Um abandono que tem custos reais em sa\u00fade p\u00fablica e que os especialistas consideram ainda revers\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mariana Chaves identifica <strong>quatro fatores<\/strong> que se cruzam: o <strong>pre\u00e7o percebido do peixe e do azeite de qualidade<\/strong>, uma <strong>literacia alimentar baixa<\/strong> sobretudo na pr\u00e1tica, a <strong>mudan\u00e7a de paladar e de h\u00e1bitos<\/strong> com cada vez menos tempo para cozinhar, e um <strong>gradiente socioecon\u00f3mico e geracional<\/strong> em que a ades\u00e3o \u00e9 mais baixa nos mais jovens e nos grupos de menor rendimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o presidente da Funda\u00e7\u00e3o Portuguesa de Cardiologia, a quest\u00e3o ultrapassa a nutri\u00e7\u00e3o. \u201cA alimenta\u00e7\u00e3o mediterr\u00e2nica deve ser novamente adotada em Portugal, n\u00e3o s\u00f3 como um ato de respeito pelo nosso patrim\u00f3nio cultural, como tamb\u00e9m por ser uma op\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel, inteligente e saud\u00e1vel.\u201d<\/p>\n\n\n<\/div><\/section><section class=\"uk-section uk-padding-remove\"><div class=\"uk-container\"><div data-uk-grid class=\"featured-box uk-card uk-grid-collapse uk-margin uk-flex uk-flex-middle\"><div class=\"uk-width-1-1 uk-padding-small\"><div class=\"uk-card-body\"><h3 class=\"uk-card-title uk-margin-bottom\">A Dieta Mediterr\u00e2nica em n\u00fameros<\/h3><br \/>\n<span><b>#1<\/b><\/span> &#8211; Melhor dieta do mundo pelo s\u00e9timo ano consecutivo Fonte: US News &#038; World Report, 2025<br \/>\n<span><b>4,8\/5<\/b><\/span> &#8211; Pontua\u00e7\u00e3o atribu\u00edda por 69 especialistas<br \/>\n<span><b>-30%<\/b><\/span> &#8211; Redu\u00e7\u00e3o no risco de eventos cardiovasculares major Fonte: Estudo PREDIMED<br \/>\n<span><b>26%<\/b><\/span> &#8211; dos portugueses tem hoje ades\u00e3o elevada a este padr\u00e3o<br \/>\n<\/div><\/div><\/div><\/div><\/section><section class=\"article-content uk-section uk-section-small\"><div class=\"uk-container uk-container-small\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Portugal tem no seu prato, h\u00e1 s\u00e9culos, o padr\u00e3o alimentar mais saud\u00e1vel do mundo. O problema \u00e9 que deixou de o seguir.<\/p>\n","protected":false},"author":29,"featured_media":131,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-143","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-conteudos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/29"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=143"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":179,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/143\/revisions\/179"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/131"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=143"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=143"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=143"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}