{"id":47,"date":"2026-06-08T16:23:37","date_gmt":"2026-06-08T16:23:37","guid":{"rendered":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/?p=47"},"modified":"2026-06-08T16:23:37","modified_gmt":"2026-06-08T16:23:37","slug":"comer-saudavel-e-mesmo-mais-caro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/2026\/06\/08\/comer-saudavel-e-mesmo-mais-caro\/","title":{"rendered":"Comer saud\u00e1vel: \u00e9 mesmo mais caro?"},"content":{"rendered":"\n<p>Em janeiro de 2022, o cabaz de 63 bens alimentares essenciais monitorizado pela DECO PROteste custava cerca de 188 euros. Em abril de 2026 chegou aos 259,52 euros, o valor mais elevado desde que o acompanhamento semanal come\u00e7ou. Para muitas fam\u00edlias portuguesas, a pergunta deixou de ser se devem comer melhor. Passou a ser como.<\/p>\n\n\n\n<p>O Estudo Nacional de Avalia\u00e7\u00e3o da Literacia Alimentar em Adultos, realizado pela Pitag\u00f3rica com o apoio do Continente e da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Nutri\u00e7\u00e3o (APN), tra\u00e7ou no in\u00edcio de 2026 o retrato mais completo das compet\u00eancias alimentares dos portugueses. O score global de literacia alimentar fixou-se nos 57,5%, numa escala de zero a cem. Um em cada tr\u00eas adultos fica abaixo dos 50%. O pior resultado regista-se na dimens\u00e3o do consumo, a que implica transformar o conhecimento em escolhas reais, dia a dia, compra a compra.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Embora o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o sobre nutri\u00e7\u00e3o seja hoje generalizado, persistem desafios significativos na capacidade de transformar esse conhecimento em pr\u00e1ticas alimentares equilibradas&#8221;, sublinha <strong>Helena Real, secret\u00e1ria-geral da APN<\/strong>. O problema agrava-se entre as fam\u00edlias com rendimentos mais baixos, as mais expostas \u00e0 infla\u00e7\u00e3o e com menos ferramentas para a contornar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Infla\u00e7\u00e3o \u00e0 mesa<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A infla\u00e7\u00e3o alimentar n\u00e3o abrandou. Em 2025, a m\u00e9dia europeia fixou-se nos 2,8%, segundo o Eurostat. Mas os n\u00fameros agregados escondem varia\u00e7\u00f5es brutais em produtos concretos: o chocolate subiu 17,8% na Europa; a carne de vaca e de vitela, 10%; os ovos ultrapassaram os 20% em v\u00e1rios pa\u00edses, incluindo Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O maior risco \u00e9 a transfer\u00eancia de consumo de alimentos mais interessantes do ponto de vista nutricional para op\u00e7\u00f5es mais desequilibradas, quando estas s\u00e3o mais econ\u00f3micas&#8221;, alerta Helena Real.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia de que comer saud\u00e1vel \u00e9 inevitavelmente mais caro \u00e9, para a secret\u00e1ria-geral da APN, um mito com nuances. &#8220;Comer saud\u00e1vel n\u00e3o tem que ser mais caro, sobretudo quando se faz uma sele\u00e7\u00e3o criteriosa dos alimentos, escolhendo produtos sazonais, comprados a granel ou menos processados.&#8221; O que encarece, esclarece, \u00e9 a conveni\u00eancia: os alimentos pr\u00e9-preparados, descascados, j\u00e1 lavados. O produto em si, na sua forma mais b\u00e1sica, raramente \u00e9 o mais caro.<\/p>\n\n\n<\/div><\/section><section class=\"blockquote uk-section\"><div class=\"uk-container\"><blockquote class=\"uk-margin-medium\"><span uk-icon=\"icon: quote-right; ratio: 8.0\"><\/span><h5 class=\"uk-margin-xlarge-left uk-margin-top uk-margin-small-bottom\">Muitas vezes, as melhores escolhas s\u00e3o tamb\u00e9m as mais simples e acess\u00edveis: arroz, massa, batata, leite, ovos, leguminosas, conservas de pescado, hort\u00edcolas, fruta da \u00e9poca.<\/h5><footer class=\"uk-margin-xlarge-left \"><cite>Mayumi Delgado, nutricionista e respons\u00e1vel por Desenvolvimento de Produto do Continente<\/cite><\/footer><\/blockquote><\/div><\/section><section class=\"article-content uk-section\"><div class=\"uk-container uk-container-small\">\n\n\n\n<p><strong>Mayumi Delgado, nutricionista e respons\u00e1vel por Desenvolvimento de Produto do Continente<\/strong>, confirma o padr\u00e3o. &#8220;Quando o or\u00e7amento aperta, o consumidor torna-se muito mais racional. Procura pre\u00e7o, mas sobretudo seguran\u00e7a: produtos que rendem, que permitem v\u00e1rias refei\u00e7\u00f5es e que s\u00e3o aceites por toda a fam\u00edlia.&#8221; O problema \u00e9 que essa racionalidade nem sempre conduz \u00e0s melhores escolhas nutricionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo de literacia alimentar identifica quatro \u00e1reas onde os portugueses mais falham: compreender o impacto das suas escolhas, interpretar r\u00f3tulos e selos de classifica\u00e7\u00e3o, usar informa\u00e7\u00e3o nutricional para decidir o que comprar e identificar m\u00e9todos de confe\u00e7\u00e3o que preservam os nutrientes. S\u00e3o estas compet\u00eancias que fazem a diferen\u00e7a entre uma ida ao supermercado eficiente e uma que custa mais sem nutrir melhor.<\/p>\n\n\n<\/div><\/section><section class=\"uk-section uk-padding-remove\"><div class=\"uk-container\"><div data-uk-grid class=\"featured-box uk-card uk-grid-collapse uk-margin uk-flex uk-flex-middle\"><div class=\"uk-width-1-1 uk-padding-small\"><div class=\"uk-card-body\"><h3 class=\"uk-card-title uk-margin-bottom\">O CABAZ EM N\u00daMEROS<\/h3>259,52 euros: m\u00e1ximo hist\u00f3rico do cabaz de 63 bens essenciais, registado em abril de 2026 (DECO PROteste), uma subida de 38% face a janeiro de 2022. Infla\u00e7\u00e3o alimentar na UE em 2025: 2,8% (Eurostat).<\/div><\/div><\/div><\/div><\/section><section class=\"article-content uk-section uk-section-small\"><div class=\"uk-container uk-container-small\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cabaz alimentar subiu 38% em quatro anos. Um em cada tr\u00eas portugueses n\u00e3o tem ferramentas para lidar com isso \u00e0 mesa. As respostas existem e s\u00e3o mais simples do que parecem.<\/p>\n","protected":false},"author":77,"featured_media":50,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-47","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-conteudos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/77"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":86,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47\/revisions\/86"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/comer-melhor-a-mesa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}