{"id":1282,"date":"2022-05-25T18:50:37","date_gmt":"2022-05-25T18:50:37","guid":{"rendered":"https:\/\/bs.xl.pt\/electric-summit\/?p=1282"},"modified":"2022-05-25T21:09:15","modified_gmt":"2022-05-25T21:09:15","slug":"o-significado-da-transicao-energetica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bs.xl.pt\/electric-summit\/transicao-energetica\/o-significado-da-transicao-energetica\/","title":{"rendered":"O significado da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica"},"content":{"rendered":"\n<p>Os dados s\u00e3o da <a href=\"https:\/\/public.wmo.int\/en\/media\/press-release\/2020-was-one-of-three-warmest-years-record\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial<\/a> (OMM): os \u00faltimos seis anos foram os mais quentes desde 1880, com 2016, 2019 e 2020 a registarem as temperaturas mais elevadas. Ali\u00e1s, o ano 2020 assinalou 1,2 \u00b0C acima das temperaturas da era pr\u00e9-industrial. Uma tend\u00eancia que a OMM prev\u00ea ir intensificar-se em 20% j\u00e1 em 2024. &#8220;A velocidade a que as temperaturas est\u00e3o a aumentar \u00e9 alarmante&#8221;, dizia Pascal Peduzzi, diretor da GRID-Genebra, o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente, no in\u00edcio deste ano. &#8220;Neste ritmo, podemos atingir +1,5 \u00b0C nos pr\u00f3ximos 15 anos&#8221;, advertiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Qual o real impacto desta varia\u00e7\u00e3o da temperatura? O aquecimento global, para al\u00e9m de provocar o degelo dos glaciares e o aumento do n\u00edvel do mar, desencadeia outras mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, como a desertifica\u00e7\u00e3o e o aumento de fen\u00f3menos como furac\u00f5es, inunda\u00e7\u00f5es e inc\u00eandios, aportando ao planeta danos incalcul\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Um trabalho realizado pelo Centro Nacional Franc\u00eas de Investiga\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica (CNRS), publicado na revista <em>Nature<\/em>, aponta para a perda, em m\u00e9dia, de 267 mil milh\u00f5es de toneladas de gelo por ano desde 2000. Os investigadores descobriram que a redu\u00e7\u00e3o dos glaciares acelerou nos \u00faltimos anos, passando de 227 mil milh\u00f5es de toneladas de gelo perdidas anualmente entre 2000 e 2004 para 298 mil milh\u00f5es entre 2015 e 2019.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O famoso Acordo de Paris<\/h2>\n\n\n\n<p>Para tentar combater este fen\u00f3meno, os Estados-membros da Uni\u00e3o Europeia assinaram em 2015 o denominado <a href=\"https:\/\/unfccc.int\/process-and-meetings\/the-paris-agreement\/the-paris-agreement\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Acordo de Paris<\/a>, no qual se comprometeram a limitar o aquecimento global abaixo de 2 \u00b0C, de prefer\u00eancia a 1,5\u00b0C, em compara\u00e7\u00e3o com os n\u00edveis pr\u00e9-industriais. Cada pa\u00eds signat\u00e1rio do acordo estabeleceu uma meta, conhecida como Contribui\u00e7\u00e3o Nacionalmente Determinada (NDC), para reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa por volta de 2030. No ano passado, em Glasgow, esse compromisso foi refor\u00e7ado, com as na\u00e7\u00f5es a comprometerem-se a alcan\u00e7ar a chamada Carbon Neutrality at\u00e9 2050.\u00a0 \u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Em janeiro deste ano, Ant\u00f3nio Guterres, secret\u00e1rio-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.un.org\/sg\/en\/content\/sg\/speeches\/2021-01-28\/remarks-member-states-priorities-for-2021\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">disse<\/a>\u00a0que 2021 foi um ano cr\u00edtico para o clima, solicitando aos Estados-membros que apresentassem as suas NDC para reduzir as emiss\u00f5es globais em 45% at\u00e9 2030, em compara\u00e7\u00e3o com os n\u00edveis de 2010. Pediu ainda aos doadores e bancos de desenvolvimento que aumentassem a participa\u00e7\u00e3o dos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unepfi.org\/climate-change\/adaptation\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">recursos financeiros destinados \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0de 20% para pelo menos 50% at\u00e9 2024. E insistiu que os pa\u00edses desenvolvidos cumprissem o seu compromisso de mobilizar 100 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares anuais para a a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica nos pa\u00edses em desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O papel da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica<\/h2>\n\n\n\n<p>Os especialistas n\u00e3o t\u00eam grandes d\u00favidas de que as emiss\u00f5es antropog\u00e9nicas de gases de efeito estufa na atmosfera s\u00e3o as grandes respons\u00e1veis pelo aquecimento global, tornando a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica primordial no caminho de proteger o planeta desta amea\u00e7a. Esta transi\u00e7\u00e3o basicamente implica passar de uma matriz energ\u00e9tica focada nos combust\u00edveis f\u00f3sseis para uma com zero ou baixas emiss\u00f5es de carbono, baseada em fontes renov\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 propriamente a primeira vez que as sociedades e economias globais lidam com uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. No s\u00e9culo XIX, pass\u00e1mos da madeira para o carv\u00e3o. E j\u00e1 em pleno s\u00e9culo XX, deix\u00e1mos o carv\u00e3o e opt\u00e1mos pelo petr\u00f3leo. A grande diferen\u00e7a, desafio e urg\u00eancia na atual transi\u00e7\u00e3o \u00e9 que nunca o planeta esteve tanto em risco.<\/p>\n\n\n\n<p>A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica que atualmente o mundo enfrenta vai muito para al\u00e9m de uma mudan\u00e7a de fonte de energia ou combust\u00edvel. Vai ter impacto no clima, obviamente na economia e na forma como a sociedade est\u00e1 organizada. Hoje, falamos na digitaliza\u00e7\u00e3o e intelig\u00eancia das redes que abrem caminho para novos servi\u00e7os que ir\u00e3o satisfazer as necessidades de toda uma nova tipologia de consumidores. Falamos em fontes renov\u00e1veis, em mobilidade el\u00e9trica e em sustentabilidade social, no sentido de encontrar novas formas de trabalho para ajudar tamb\u00e9m \u00e0 transi\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es deste novo mundo. Porque inclus\u00e3o \u00e9, tamb\u00e9m, uma palavra que tem de ser inserida nesta transi\u00e7\u00e3o, rumo a uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O impacto da guerra na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica europeia<\/h2>\n\n\n\n<p>A par de todos os desafios ambientais, o mundo v\u00ea-se agora assolado por um clima de guerra. A 8 de mar\u00e7o de 2022, e perante a invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia, a Comiss\u00e3o Europeia apresentou a iniciativa\u00a0REPowerEU. Este plano, que visa alcan\u00e7ar a\u00a0independ\u00eancia europeia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis russos antes de 2030, foca-se principalmente no g\u00e1s russo, e prop\u00f5e medidas que se destinam n\u00e3o s\u00f3 a dar resposta ao aumento dos pre\u00e7os da energia na Europa, como tamb\u00e9m a salvaguardar as reservas de g\u00e1s para o pr\u00f3ximo inverno.<\/p>\n\n\n<blockquote class=\"uk-margin-medium\"><span uk-icon=\"icon: quote-right; ratio: 4.0\"><\/span><h2 class=\"uk-h3 uk-margin-top uk-margin-small-bottom\">A REPowerEU tem o objetivo de diversificar o aprovisionamento de g\u00e1s e inclui medidas que permitir\u00e3o que a procura de g\u00e1s russo se veja reduzida em dois ter\u00e7os at\u00e9 ao final de 2022.<\/h2><footer><cite>XXXX<\/cite><\/footer><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Assim, e entre outros aspetos, esta iniciativa tem o objetivo de&nbsp;<strong>diversificar o aprovisionamento de g\u00e1s<\/strong> e inclui medidas que permitir\u00e3o que&nbsp;<strong>a procura de g\u00e1s russo se veja reduzida em dois ter\u00e7os at\u00e9 ao final de 2022<\/strong>. A&nbsp;<em>REPowerEU<\/em>&nbsp;contempla um conjunto de a\u00e7\u00f5es que permitir\u00e3o a redu\u00e7\u00e3o faseada de, no m\u00ednimo, 155 mil milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de g\u00e1s f\u00f3ssil, valor este que \u00e9 equivalente ao total das importa\u00e7\u00f5es russas para o ano de 2021, explica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De forma sucinta, esta iniciativa foi considerada essencial atendendo ao cen\u00e1rio geopol\u00edtico atual e considerando que&nbsp;<strong>as importa\u00e7\u00f5es de g\u00e1s da UE representam atualmente 90% do total do consumo, sendo que a R\u00fassia representa aproximadamente 45% deste valo<\/strong>r. Por todos estes motivos, a presidente da Comiss\u00e3o Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que \u201ctemos de nos tornar independentes do petr\u00f3leo, do carv\u00e3o e do g\u00e1s russos. N\u00e3o podemos depender de um fornecedor que nos amea\u00e7a explicitamente.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Kadri&nbsp;Simson, comiss\u00e1ria da Energia, n\u00e3o tem d\u00favida de que \u201ca invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia agravou a situa\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a do aprovisionamento e conduziu os pre\u00e7os da energia a n\u00edveis sem precedentes\u201d, avan\u00e7ando que \u201ca Comiss\u00e3o propor\u00e1 que, at\u00e9 1 de outubro, as capacidades de armazenamento de g\u00e1s na UE tenham de ser aprovisionadas, pelo menos, em 90%\u201d. No t\u00f3pico da energia, j\u00e1 em maio, Ursula von der Leyen admite que \u201ca guerra est\u00e1 a perturbar fortemente o mercado global de energia\u201d, mostrando o quanto a Europa \u00e9 dependente dos combust\u00edveis f\u00f3sseis importados. \u201cMas tamb\u00e9m mostra como somos vulner\u00e1veis \u200b\u200ba depender da R\u00fassia para importar os nossos combust\u00edveis. E, portanto, devemos agora reduzir o mais r\u00e1pido poss\u00edvel a nossa depend\u00eancia.\u201d Uma iniciativa que j\u00e1 est\u00e1 a ter efeitos pr\u00e1ticos j\u00e1 que, segundo a UE, no ano passado, 40% do g\u00e1s importado foi proveniente da R\u00fassia, sendo que j\u00e1 este ano, em abril, essa percentagem caiu para 26%. \u201cEst\u00e3o a ir na dire\u00e7\u00e3o certa, mas temos de acelerar\u201d, disse Ursula von der Leyen.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica que o mundo enfrenta vai muito para al\u00e9m de uma mudan\u00e7a de fonte de energia ou combust\u00edvel. 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