Todos unidos pela ideia de apoiar os mais vulneráveis nesta época especial. Este foi o espírito natalício que reuniu à mesa mais de uma centena de pessoas num almoço organizado pela Fidelidade Comunidade, no dia 10 de dezembro. Ao comando das operações na cozinha esteve a chef Justa Nobre, que contou com o trabalho e o entusiasmo dos voluntários da seguradora, que representam a essência da missão social da Fidelidade.
O espaço para o evento foi a Santa Casa da Misericórdia de Salvaterra de Magos. Fundada a 11 de fevereiro de 1589, a instituição esteve sempre em atividade. “Nunca houve interrupção da sua existência”, sublinha o atual provedor, João José Oliveira e Sousa. Cinco séculos depois, a missão mantém-se: apoiar e acolher quem mais precisa.

Atualmente, a Santa Casa de Salvaterra recebe 66 utentes em lar e 10 em centro de dia, apoiados por 55 funcionários, e está vocacionada para o apoio aos mais idosos. “Estamos focados sobretudo no apoio aos seniores que já não têm condições para estar em casa, e cujas famílias muitas vezes também não conseguem prestar esse apoio. Recebemo-los aqui”, explica o provedor. Há também quem venha apenas durante o dia: “Temos um serviço de centro de dia: os utentes vêm de manhã — ou somos nós a ir buscá-los — e depois são levados de volta no fim do dia. Somos uma entidade totalmente integrada na comunidade.”
Em meia dúzia de anos nós passámos de 70 voluntários para mais de 800.
Foi nesta casa que o almoço de Natal organizado no âmbito do Projeto Fidelidade Comunidade se tornou uma festa de um dia inteiro dedicado a servir e a mimar quem ali vive e quem ali trabalha. À mesa, sentaram-se cerca de 120 pessoas, enquanto na cozinha a chef Justa Nobre e 14 voluntários da seguradora, de avental posto, preparavam o bacalhau e a sobremesa. Nas salas, o Coro Fidelidade, a equipa da Santa Casa, e muitos sorrisos deram o tom à celebração. Para Joana Santos, diretora do lar, “este desafio da Fidelidade é uma forma de nos aproximar da comunidade e mostrar um pouco do nosso dia a dia, com toda a vida que acontece cá dentro”.

A equipa de Responsabilidade Social da Fidelidade, Teresa Ramalho e Isabel d'Eça
“Eu não me considero velhinha”
Maria Joaquina Santos, 78 anos, fala com entusiasmo sobre o que representa para si ir diariamente ao centro de dia da Santa Casa. “É uma companhia enorme. Eu adoro estar aqui, adoro”, insiste. E recorda um episódio revelador: “Tive agora duas semanas com gripe e eu já queria vir, mesmo com gripe e tudo, porque me sinto muito bem aqui.” Antiga funcionária do Hospital de Santa Maria, Maria Joaquina ficou com “o vício de ajudar as pessoas que mais necessitam”. E completa, com humor: “Ando sempre a ver como estão os meus velhinhos. Eu não me considero velhinha”, afirma sorrindo.
Na mesma casa, mas já em regime de lar, Gualdino Custódio, 73 anos, resume com simplicidade o que sente ali: “Isto é tudo bom. Para mim, são cinco estrelas, tudo o que está aqui: direção, funcionários… Dou-me muito bem com elas.” Antes de chegar à Santa Casa, trabalhou toda a vida “na agricultura”, com um período de oito anos na construção civil em Lisboa. Depois, a saúde começou a fraquejar, até ao dia em que caiu na casa de banho e não conseguiu levantar-se. Hoje, sentado à mesa com bacalhau e música, sabe que está em segurança — e que já não está sozinho.
Cozinha cheia de boa vontade

chef Justa Nobre
Na cozinha da Santa Casa, o trabalho dos voluntários começou cedo. Frederico Contreiras, gestor de Recursos Humanos na Fidelidade, já lá estava “desde as oito da manhã” a preparar “tudo aquilo que vamos servir para o almoço: cebolas, bacalhau, puré, tudo”. A vontade de ser voluntário não é nova para Frederico: “Uma das primeiras coisas que fiz quando entrei na companhia foi inscrever-me no programa de voluntariado e no grupo desportivo.”
O voluntariado é uma ferramenta muito importante para humanizar o programa de responsabilidade social da Fidelidade
Curiosamente, este foi o primeiro evento de voluntariado em que conseguiu participar. “Um dos desafios do voluntariado corporativo é conciliar a disponibilidade de tempo com a vontade de o fazer. Hoje foi o primeiro evento em que consegui conciliar essas duas coisas — e cá estou.”
Um coro que faz companhia
Enquanto na cozinha se afinavam temperos, na sala afinavam-se vozes. O Coro Fidelidade, dirigido pelo maestro Sérgio Fontão, é um projeto recente, mas já com peso na cultura interna da empresa. Rita Barros, business analyst da Fidelidade, faz parte do grupo. “O coro tem sido uma experiência incrível”, resume. “Temos a oportunidade de contactar com pessoas de áreas muito diversas e, de alguma forma, unirmo-nos por algo de que gostamos bastante e que temos em comum, que é a música”, afirma.

O coro animou o público e os voluntários no almoço de Natal na Santa Casa da Misericórdia de Salvaterra de Magos
Para Rita Barros, cantar neste almoço é mais do que subir a um palco improvisado: “É importante para nós trazer um momento de descontração, de alegria, e conseguirmos dar uma experiência diferente e enriquecedora para quem nos vai ouvir hoje.”
Humanizar a responsabilidade social
O que se viu em Salvaterra de Magos é a face visível de um programa de voluntariado que a Fidelidade tem vindo a aprofundar nos últimos anos. “Em meia dúzia de anos, nós passámos — só para ter uma ideia — de 70 voluntários para mais de 800”, conta Isabel d’Eça, responsável pelo voluntariado na empresa. As ações vão do simples “pôr a mão na massa” até à aplicação das competências técnicas das pessoas. “Nós fazemos um bocadinho de tudo, porque aquilo que procuramos é ajudar as organizações naquilo que são as suas necessidades”, explica Isabel d’Eça.
“Tanto podemos ajudar, como estamos a fazer hoje aqui, organizando uma festa, como podemos apoiar uma organização pintando paredes, restaurando contentores, aplicando chão de ladrilho”, exemplifica. Um dos projetos de que fala com mais carinho passa por Mértola, onde 14 voluntários acompanham, desde 2019, 14 idosos em situações de isolamento social. “O objetivo é falarem com eles todas as semanas pelo menos uma vez. Normalmente falam mais do que uma vez, e depois organizamos sempre dois encontros anuais: um na primavera e outro por alturas de São Martinho, ou então juntando com a festa de Natal”, explica.
Justa Nobre temperou com afeto
Figura marcante da gastronomia portuguesa, Justa Nobre trouxe ao almoço de Natal em Salvaterra de Magos muito mais do que técnica culinária. Trouxe presença, cuidado e uma leitura sensível das necessidades dos utentes. “Temos de pensar para quem é a comida”, disse, ao justificar o bacalhau desfiado com brócolos e puré, pensado para quem já mastiga com dificuldade.
A colaboração da famosa chef com a Fidelidade começou no desenvolvimento dos cabazes de Natal e evoluiu para a colaboração nestes almoços solidários. “Solidários devemos ser todos os dias, não só no Natal”, afirmou Justa Nobre, com um entusiasmo que contagiou voluntários e utentes. Na cozinha, coordenou equipas, apoiou decisões, garantiu consistências e, como sempre, trouxe calor humano. Para muitos, foi ela quem deu ao almoço o sabor de festa grande.
Voluntariado cria competências
Para Teresa Ramalho, responsável pela área de responsabilidade social, que integra o voluntariado, este é muito mais do que “fazer o bem” em dias especiais. “O voluntariado é uma ferramenta muito importante para humanizar aquilo que é o projeto de responsabilidade social da Fidelidade”, afirma. “Traz uma maior ligação à comunidade através dos nossos colaboradores que, ao longo do ano — e não só neste período de Natal —, acompanham organizações sociais, algumas de forma mais regular, outras em ações mais pontuais.” E dentro da Fidelidade, realça Teresa Ramalho, o voluntariado é valorizado: “É uma atividade que traz uma grande riqueza para o colaborador e para a Fidelidade, porque ganhamos competências sociais e competências de trabalho de equipa, de liderança”.
O reconhecimento do voluntariado está, aliás, inscrito nas políticas internas da seguradora: “Queremos alargar esta prática para que mais pessoas queiram, connosco, ser de facto parte da comunidade.”
Refira-se que em 2025, para além de Salvaterra de Magos, a seguradora organizou almoços de Natal na Santa Casa da Misericórdia de Mértola e no Centro Social e Paroquial de São Martinho de Bougado, na Trofa. Em todos, o objetivo foi o mesmo: dar um dia bom e diferente.
Dos primeiros pensionistas aos 2.800 cabazes de Natal
A Fidelidade tem também uma tradição de distribuição de cabazes de Natal que começou quando identificou pensionistas institucionalizados que passavam o Natal sem condições para uma ceia condigna. Na lógica da filosofia We Care, em que a empresa procura ir mais além e fazer mais pela vida das pessoas, “começámos a entregar cabazes de Natal a estes pensionistas, para que tivessem uma ceia de Natal com as pessoas à sua volta, as suas famílias, os seus amigos, os seus cuidadores”, conta Teresa Ramalho. Dos 40 beneficiários iniciais passou-se para 2.800 cabazes, distribuídos por mais de 100 instituições de norte a sul do País. Este é, no entanto, um cabaz de celebração, com bacalhau, azeite, espumante, passas e vários ingredientes, para fazer receitas de festa, pensadas em conjunto com a chef Justa Nobre. Todos os cabazes incluem uma receita exclusiva da chef e um postal assinado por um voluntário da Fidelidade.Para mais informações, visite premio.fidelidadecomunidade.pt.