{"id":326,"date":"2026-07-10T11:13:37","date_gmt":"2026-07-10T10:13:37","guid":{"rendered":"https:\/\/bs.xl.pt\/mantem-te-em-jogo\/?p=326"},"modified":"2026-07-10T11:13:40","modified_gmt":"2026-07-10T10:13:40","slug":"a-menstruacao-nao-e-o-problema-o-silencio-a-volta-dela-e","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bs.xl.pt\/mantem-te-em-jogo\/conteudos\/a-menstruacao-nao-e-o-problema-o-silencio-a-volta-dela-e\/","title":{"rendered":"A menstrua\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o problema. O sil\u00eancio \u00e0 volta dela \u00e9"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma dor que n\u00e3o se partilha. Um desconforto que se esconde. O medo de uma mancha na roupa ou de um coment\u00e1rio no balne\u00e1rio. Para muitas raparigas, a experi\u00eancia da menstrua\u00e7\u00e3o no desporto ainda \u00e9 vivida em sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o <strong>estudo <\/strong><strong>\u201c<\/strong><strong>O Impacto da Confian\u00e7a Corporal no Desporto\u201d, desenvolvido pela Dove<\/strong>, as \u201cquest\u00f5es do per\u00edodo\u201d continuam a ser uma das principais raz\u00f5es apontadas pelas raparigas para abandonarem a pr\u00e1tica desportiva. Contudo, a quest\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 apenas no ciclo menstrual. Est\u00e1 na forma como a sociedade, as escolas e os contextos desportivos ainda lidam com o tema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados do estudo&nbsp;<strong>&#8220;Desporto e Menstrua\u00e7\u00e3o&#8221;<\/strong>, desenvolvido pela Skip, ajudam a perceber a dimens\u00e3o deste impacto: <strong>83% das raparigas entre os 14 e os 22 anos j\u00e1 deixaram de fazer alguma atividade do dia a dia por estar menstruada<\/strong>, incluindo ir \u00e0 praia ou \u00e0 piscina e praticar atividade f\u00edsica ou desporto. Al\u00e9m disso,&nbsp;<strong>70% admite exercitar-se menos ou deixar mesmo de fazer exerc\u00edcio durante a menstrua\u00e7\u00e3o<\/strong>, demonstrando que o impacto do per\u00edodo vai muito al\u00e9m do desconforto f\u00edsico e influencia diretamente os h\u00e1bitos desportivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando uma necessidade biol\u00f3gica \u00e9 acompanhada por vergonha, falta de informa\u00e7\u00e3o ou aus\u00eancia de apoio, algo t\u00e3o natural como menstruar pode transformar-se numa barreira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em conversa sobre este tema, <strong>M\u00f3nica Ferro, diretora do escrit\u00f3rio de Londres do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Popula\u00e7\u00e3o (UNFPA), ag\u00eancia da ONU dedicada \u00e0 sa\u00fade sexual e reprodutiva e aos direitos das mulheres e das raparigas<\/strong>, refere que &#8220;a menstrua\u00e7\u00e3o continua a ser tratada, em muitas sociedades, como um assunto privado, quase invis\u00edvel, que deve ser gerido discretamente e sem perturbar o espa\u00e7o p\u00fablico&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O desafio est\u00e1 em criar condi\u00e7\u00f5es para que nenhuma rapariga sinta que tem de escolher entre o seu corpo e o desporto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por que raz\u00f5es ainda n\u00e3o se fala disto?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de ser uma experi\u00eancia natural, a menstrua\u00e7\u00e3o continua associada a desconforto e constrangimento. <strong>Sandra Torres, Raquel Barbosa e Filipa Mucha Vieira, psic\u00f3logas da Faculdade de Psicologia e de Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o da Universidade do Porto (FPCEUP)<\/strong>, explicam que \u201capesar de ser uma experi\u00eancia biol\u00f3gica natural, inerente ao sistema reprodutor feminino, o tema da menstrua\u00e7\u00e3o continua envolto em sil\u00eancio e constrangimento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As especialistas identificam tr\u00eas grandes raz\u00f5es para esta realidade: \u201co peso hist\u00f3rico do tabu\u201d, \u201ca falta de literacia sobre o tema\u201d e \u201ca cultura desportiva ainda moldada por discursos de g\u00e9nero\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante muito tempo, o corpo feminino e a menstrua\u00e7\u00e3o foram encarados como assuntos privados, que deveriam ser geridos sem chamar aten\u00e7\u00e3o. Este legado continua presente em muitas conversas familiares, escolares e desportivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados do estudo da Skip mostram que este sil\u00eancio continua profundamente enraizado: <strong>64% das raparigas entre os 14 e os 22 anos afirmam sentir desconforto em falar abertamente sobre a menstrua\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A falta de informa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m contribui para o problema. Como referem as psic\u00f3logas da FPCEUP, apesar de o tema fazer parte do curr\u00edculo escolar, a abordagem \u00e9 frequentemente \u201cbreve e predominantemente biol\u00f3gica\u201d, n\u00e3o sendo suficiente para combater o estigma e promover uma compreens\u00e3o mais completa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No desporto, existe ainda um desafio adicional. \u201cEm muitos contextos, falar de menstrua\u00e7\u00e3o \u00e9 visto como \u2018assunto de mulheres\u2019, irrelevante para o treino ou at\u00e9 sinal de fraqueza\u201d, explicam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resultado \u00e9 que muitas raparigas continuam a lidar sozinhas com d\u00favidas, desconfortos e receios que poderiam ser ultrapassados com mais informa\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M\u00f3nica Ferro refor\u00e7a que o sil\u00eancio n\u00e3o desaparece apenas em sociedades mais desenvolvidas. \u201cMesmo em pa\u00edses com elevados n\u00edveis de rendimento e educa\u00e7\u00e3o, muitas fam\u00edlias sentem desconforto em falar sobre menstrua\u00e7\u00e3o e a puberdade com os filhos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a respons\u00e1vel do UNFPA, \u201co que falta \u00e9 normalizar a conversa\u201d, porque \u201ca menstrua\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o marginal nem um problema de nicho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O impacto real na pr\u00e1tica desportiva<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A menstrua\u00e7\u00e3o pode ter impacto na forma como uma atleta se sente e desempenha, mas isso n\u00e3o significa que deva limitar a sua participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAs atletas relatam dor f\u00edsica, fadiga, sensa\u00e7\u00e3o de incha\u00e7o, altera\u00e7\u00f5es de humor e menor toler\u00e2ncia ao esfor\u00e7o em determinados momentos do ciclo menstrual\u201d, explicam Sandra Torres, Raquel Barbosa e Filipa Mucha Vieira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes sintomas podem influenciar o rendimento, a perce\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia e o prazer associado ao treino. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m uma dimens\u00e3o emocional importante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O medo de fugas menstruais, a preocupa\u00e7\u00e3o com manchas na roupa, a vergonha de falar sobre o tema ou a aus\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es adequadas nos balne\u00e1rios podem transformar um espa\u00e7o que deveria ser positivo num lugar de ansiedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados do estudo desenvolvido pela Skip refor\u00e7am esta realidade. <strong>Duas em cada cinco raparigas admitem faltar a aulas ou treinos por receio de fugas menstruais vis\u00edveis<\/strong> e <strong>70% dizem reduzir ou interromper a pr\u00e1tica de exerc\u00edcio durante o per\u00edodo<\/strong>. Mais do que um desconforto f\u00edsico, a menstrua\u00e7\u00e3o continua, assim, a condicionar a participa\u00e7\u00e3o desportiva de muitas jovens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como explicam as psic\u00f3logas, \u201cn\u00e3o \u00e9 a menstrua\u00e7\u00e3o em si que afasta as raparigas do desporto, mas a forma como as barreiras sociais e estruturais se imp\u00f5em \u00e0 experi\u00eancia menstrual vivida pelas atletas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A falta de comunica\u00e7\u00e3o e de apoio pode agravar esta experi\u00eancia. Coment\u00e1rios inadequados, falta de compreens\u00e3o por parte de colegas ou treinadores e a ideia de que \u201c\u00e9 preciso aguentar\u201d contribuem para que algumas jovens se afastem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mitos <em>versus <\/em>realidade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos maiores obst\u00e1culos continua a ser aquilo em que se acredita, mas que nem sempre corresponde \u00e0 realidade. O primeiro mito \u00e9 que \u201ca menstrua\u00e7\u00e3o \u00e9 um assunto privado e n\u00e3o se fala no treino\u201d. As psic\u00f3logas da FPCEUP explicam que, pelo contr\u00e1rio, n\u00e3o falar sobre o tema pode impedir ajustes simples e aumentar o isolamento das atletas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo &#8220;Desporto e Menstrua\u00e7\u00e3o&#8221;, desenvolvido pela Skip, confirma esta realidade. Entre as raparigas dos 14 aos 22 anos, <strong>43% prefere n\u00e3o falar sobre a menstrua\u00e7\u00e3o com colegas ou treinadores masculinos<\/strong>. Ainda assim, <strong>34% reconhece valorizar o apoio dos homens nesta fase<\/strong>, mostrando que o problema n\u00e3o \u00e9 a sua presen\u00e7a, mas a falta de abertura para abordar o tema de forma natural e informada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro mito \u00e9 que uma atleta deve ignorar o desconforto. \u201cSe \u00e9s atleta, tens de aguentar e n\u00e3o te queixar\u201d \u00e9 uma ideia que, segundo as especialistas, refor\u00e7a a no\u00e7\u00e3o de que dor e mal-estar devem ser suportados em sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas \u201couvir o corpo \u00e9 fundamental para prevenir les\u00f5es, identificar sinais de patologia e promover sa\u00fade a longo prazo\u201d, explicam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m continua presente a ideia de que n\u00e3o se deve fazer exerc\u00edcio durante a menstrua\u00e7\u00e3o. Mas a realidade \u00e9 diferente: \u201cA atividade f\u00edsica \u00e9 geralmente segura durante a menstrua\u00e7\u00e3o e pode at\u00e9 ajudar a reduzir dores menstruais, fadiga e sintomas pr\u00e9-menstruais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E existe ainda um \u00faltimo mito: falar sobre menstrua\u00e7\u00e3o \u00e9 uma responsabilidade apenas das mulheres. Para as psic\u00f3logas da FPCEUP, excluir treinadores, professores e outros adultos desta conversa mant\u00e9m o tabu.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que devia mudar: escola, clubes e linguagem<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desmistificar a menstrua\u00e7\u00e3o passa por transformar a forma como se fala dela. Nas escolas, as psic\u00f3logas defendem que \u00e9 fundamental refor\u00e7ar a educa\u00e7\u00e3o menstrual, incluindo informa\u00e7\u00e3o sobre o ciclo, sintomas, diferen\u00e7as individuais e rela\u00e7\u00e3o com atividade f\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEstes conte\u00fados n\u00e3o se devem restringir \u00e0 educa\u00e7\u00e3o sexual, mas tamb\u00e9m ser abordados nas disciplinas de Ci\u00eancias e Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, enquadrando a menstrua\u00e7\u00e3o como uma dimens\u00e3o normal da sa\u00fade e do desenvolvimento humano.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos clubes, a mudan\u00e7a passa pela forma\u00e7\u00e3o de treinadores e professores. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio dot\u00e1-los de conhecimentos e compet\u00eancias para abordar o tema de forma clara, respeitosa e baseada na evid\u00eancia cient\u00edfica.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m s\u00e3o importantes condi\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas: balne\u00e1rios adequados, privacidade e acesso a produtos menstruais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M\u00f3nica Ferro, diretora do Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA), lembra que \u201ca sa\u00fade menstrual est\u00e1 diretamente ligada ao direito \u00e0 dignidade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao trabalho, \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 igualdade de g\u00e9nero\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E defende que falar deste tema exige uma mudan\u00e7a coletiva: \u201cEnquanto n\u00e3o estivermos dispostos a tratar o tema com a mesma naturalidade com que tratamos outras quest\u00f5es de sa\u00fade, ser\u00e1 dif\u00edcil avan\u00e7ar \u00e0 escala necess\u00e1ria.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Como continuar com confian\u00e7a<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Criar uma rela\u00e7\u00e3o positiva com o desporto passa tamb\u00e9m por criar uma rela\u00e7\u00e3o mais tranquila com o pr\u00f3prio corpo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pais, professores e treinadores t\u00eam um papel essencial. As psic\u00f3logas da FPCEUP defendem a import\u00e2ncia da \u201cescuta ativa\u201d, da valida\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias das raparigas e de uma comunica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o reforce vergonha ou preconceitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os treinadores podem ajudar atrav\u00e9s de pequenos gestos: estar dispon\u00edveis para ouvir, adaptar cargas de treino quando necess\u00e1rio e evitar discursos que associem a menstrua\u00e7\u00e3o a fragilidade ou menor capacidade. Da mesma forma, colegas \u2013 rapazes e raparigas \u2013 podem contribuir para criar um ambiente onde falar sobre o per\u00edodo deixe de ser motivo de embara\u00e7o e passe a ser encarado como qualquer outra quest\u00e3o relacionada com sa\u00fade e bem-estar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados do estudo &#8220;Desporto e Menstrua\u00e7\u00e3o&#8221;, desenvolvido pela Skip, mostram tamb\u00e9m que <strong>seis em cada dez raparigas consideram que a menstrua\u00e7\u00e3o deve ser encarada como uma parte normal do desporto<\/strong>. Um sinal de que as pr\u00f3prias jovens defendem uma maior normaliza\u00e7\u00e3o da menstrua\u00e7\u00e3o no contexto desportivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mensagem final \u00e9 simples: um corpo que menstrua \u00e9 um corpo capaz. Capaz de correr. De competir. De aprender. De alcan\u00e7ar objetivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A menstrua\u00e7\u00e3o pode ser uma vari\u00e1vel a considerar no treino e no bem-estar, mas nunca deve ser uma raz\u00e3o para uma rapariga sentir que n\u00e3o pertence ao desporto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A menstrua\u00e7\u00e3o continua a ser uma das raz\u00f5es que levam algumas raparigas a afastarem-se do desporto. 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