{"id":22,"date":"2022-07-06T17:42:23","date_gmt":"2022-07-06T16:42:23","guid":{"rendered":"https:\/\/bs.xl.pt\/negocios-com-historia\/?page_id=22"},"modified":"2022-07-06T17:47:41","modified_gmt":"2022-07-06T16:47:41","slug":"a-historia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/bs.xl.pt\/negocios-com-historia\/a-historia\/","title":{"rendered":"A idade das empresas \u00e9 um posto?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"uk-text-lead\">Em Portugal, 40% das empresas ainda n\u00e3o resistem aos primeiros cinco anos de atividade. Mas por outro lado, mais de 20% j\u00e1 chegam quase aos cinquenta anos. O que faz delas exemplos de resili\u00eancia e longevidade e com as quais podemos aprender?<\/p>\n\n\n\n<p>O que tem de fazer uma empresa para ser resiliente e durar o maior n\u00famero de anos poss\u00edvel? Ter\u00e1 de replicar a forma de funcionamento do sistema imunit\u00e1rio. Esta \u00e9 a teoria lan\u00e7ada por Martin Reeves, presidente do BCG Henderson Institute, um \u201cthink tank\u201d dedicado a explorar e desenvolver novas ideias de neg\u00f3cios e autor de uma das palestras com mais sucesso da plataforma TED. Martin Reeves estudou diversas empresas, nomeadamente a Fuji Film e a Toyota, que, apesar de grandes revezes, conseguiram manter-se em atividade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A receita para durar<\/h3>\n\n\n\n<p>Segundo este investigador, uma empresa, para durar, ter\u00e1 de ser redundante (ao criar v\u00e1rios tipos de c\u00e9lulas, mesmo antes de precisar delas, o organismo protege-se do imprevisto); deve abra\u00e7ar a diversidade (ao produzir v\u00e1rios tipos de c\u00e9lulas, diversifica o sistema e, mais uma vez, faz com que se possa defender de quase todas as agress\u00f5es); ser modular (se um sistema falha, outro toma o seu lugar); adaptativa (de forma a adaptar-se e proteger-se de amea\u00e7as que desconhecia); prudente (age de acordo com a mem\u00f3ria de amea\u00e7as anteriores; deteta e remove todas as amea\u00e7as); e deve trabalhar em rede (da mesma forma que o sistema imunit\u00e1rio est\u00e1 ligado aos outros sistemas do corpo, as empresas tamb\u00e9m n\u00e3o sobrevivem sozinhas).<\/p>\n\n\n\n<p>As empresas com muitos anos de vida s\u00e3o, assim, exemplos de resili\u00eancia, flexibilidade, capacidade de adapta\u00e7\u00e3o e de sustentabilidade, que vale a pena tentar conhecer. Identificar o que as distingue das demais pode ser proveitoso num tecido empresarial nacional cuja idade m\u00e9dia \u00e9 de 12,7 anos, segundo um estudo das empresas centen\u00e1rias apresentado pela Informa D&amp;B em 2021. Mas, ainda assim, pode a idade ser um peso? \u201cS\u00f3 se tornar a empresa obsoleta. Porque, na realidade, pode trazer todas as vantagens das compet\u00eancias adquiridas ao longo dos anos. E dentro das capacidades organizacionais que a idade lhe traz, pode fazer-se jovem e atrativa\u201d, garante Pedro Neves, investigador e professor em Hist\u00f3ria Econ\u00f3mica e Empresarial no ISEG \u2013 Instituto Superior de Economia e Gest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Dimens\u00e3o n\u00e3o significa longevidade<\/h3>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a longevidade n\u00e3o significa necessariamente uma grande dimens\u00e3o, j\u00e1 que muitas vezes estas empresas est\u00e3o \u201cassociadas ao contexto pequeno e local, a pequenas empresas familiares, como as lojas do Chiado, onde os desafios s\u00e3o tendencialmente locais ou regionais \u2013 embora agora j\u00e1 possa n\u00e3o ser bem assim\u201d, afirma o investigador. No entanto, s\u00e3o as grandes empresas que t\u00eam uma maior capacidade de investir. \u201cAs compet\u00eancias e os fatores de sucesso para uma pequena empresa sobreviver s\u00e3o diferentes daqueles que uma grande empresa tem. Se olharmos para as grandes empresas do mundo \u2013 como a Amazon, o Facebook, etc. \u2013, s\u00e3o muito recentes. Entraram numa ind\u00fastria que estava em crescimento, ganharam compet\u00eancias e conseguiram ter sucesso\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Setores fazem diferen\u00e7a na longevidade?<\/h3>\n\n\n\n<p>Podemos olhar tamb\u00e9m para os setores em que est\u00e3o estas empresas, uma vez que as condi\u00e7\u00f5es do setor podem fazer a diferen\u00e7a. Segundo o estudo da Informa D&amp;B, as empresas centen\u00e1rias que s\u00e3o hoje PME ou grandes empresas pertencem, em 44% dos casos, ao setor da ind\u00fastria. Nos 66% que correspondem \u00e0s microempresas, existe uma maior diversidade setorial, com destaque para o retalho, com 31% das microempresas centen\u00e1rias. Pedro Neves confirma a tend\u00eancia: \u201cNormalmente, \u00e9 mais f\u00e1cil uma loja estar nas m\u00e3os de uma pessoa 40-50 anos, e passar de pai para filho, do que uma grande ind\u00fastria onde os problemas de passagem de gera\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito maiores. Dentro dos desafios que as empresas com muitas d\u00e9cadas de vida passam (guerras, crises financeiras&#8230;), aquele pelo qual todas t\u00eam de passar \u00e9 o da passagem do testemunho.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Baixo risco de fal\u00eancia<\/h3>\n\n\n\n<p>O baixo risco de fal\u00eancia \u00e9 outra das caracter\u00edsticas apresentadas pelas empresas que duram. Segundo o mesmo estudo, mesmo na crise atual \u2013 sendo a mais recente a provocada pela pandemia \u2013 as empresas com uma vida longa registam um risco de fal\u00eancia muito baixo: 60% destas empresas apresentam mesmo um n\u00edvel m\u00ednimo de risco, um n\u00edvel que \u00e9 alcan\u00e7ado apenas por 35% das empresas em todo o tecido empresarial. Seguindo a l\u00f3gica de Robert M. Grant e Judith Jordan, na obra \u201cFoundations of strategy\u201d (2015), o professor do ISEG adianta que esta vantagem competitiva \u00e9 sustentada pelos bens intang\u00edveis das empresas, ou seja, pela sua propriedade imaterial, como as marcas, patentes, licen\u00e7as e direitos de propriedade, softwares ou desenvolvimento de tecnologia, mas tamb\u00e9m receitas, f\u00f3rmulas, carteira de clientes, recursos humanos e know-how. E, se alguns destes podem ser ganhos mais rapidamente, outros, como a cultura de empresa ou uma clientela fidelizada, s\u00e3o conquistados ao longo de anos. Assim, se nem sempre a antiguidade \u00e9 um posto, h\u00e1 empresas que provam que em muitos casos essa m\u00e1xima ainda se aplica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Portugal, 40% das empresas ainda n\u00e3o resistem aos primeiros cinco anos de atividade. Mas por outro lado, mais de 20% j\u00e1 chegam quase aos cinquenta anos. O que faz delas exemplos de resili\u00eancia e longevidade e com as quais podemos aprender? 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