Este site usa cookies para melhorar a navegação. Ao navegar no website concorda com o seu uso. Para saber mais leia a nossa Política de Cookies.

Prémio Intermarché Produção Nacional
Fruta portuguesa conta com o Intermarché
Conteúdos

Fruta portuguesa conta com o Intermarché

Produtores de frutos vermelhos e fruta de caroço alertaram, em Santarém, para os desafios da água, da mão de obra e dos custos de produção. A cadeia de distribuição destacou o Programa Origens como forma de reforçar a proximidade com os produtores e valorizar a produção nacional.

O crescimento dos mercados dos frutos vermelhos e das frutas de caroço foi apresentado como sinal da transformação do setor agrícola em Portugal, na conversa de despedida do Prémio Intermarché Produção Nacional, na Feira Nacional de Agricultura, em Santarém. Mas por trás desta trajetória ascendente, esconde-se uma realidade exigente, marcada por desafios estruturais, que vão da escassez de mão de obra à pressão regulatória, passando pela gestão da água, pelos custos de produção e a necessidade de uma coordenação quase perfeita com a distribuição.

“Existe uma realidade exigente por trás da produção de frutos vermelhos”, afirma Fernanda Machado, produtora da BFruit, no início da conversa entre produtores e responsáveis do Programa Origens, um selo do Intermarché que procura valorizar a produção nacional, encurtar cadeias de abastecimento e garantir maior proximidade entre o campo e o consumidor.

À frente da empresa familiar Frutas Quinta da Fadagosa, Gonçalo Batista reforça que se está a tornar “cada vez mais difícil” garantir a sustentabilidade económica de um setor pressionado pela “aplicação de todos os custos inerentes à produção, às certificações, à tecnologia, embora neste caso até se acrescente valor”.

Entre os retalhistas, o Intermarché “é o que tem melhor postura e atitude para com a produção”, segundo Fernanda Machado. Ciente das dificuldades, o Intermarché procura assegurar “um preço justo” numa cadeia de produção que reflete as exigências do mercado, nas palavras da responsável do Programa Origens, Sofia Hartley. “Não temos em conta o preço. Temos em conta padrões de qualidade, formas de produção, a profissionalização do setor”.

Mão de obra é a principal dificuldade

A BFruit, organização de produtores fundada em 2013, reúne atualmente mais de 60 membros e dedica-se aos pequenos frutos – framboesa, mirtilo, amora e groselha –, a partir de Odemira. A escolha do território decorre das condições de clima, solo e água, embora estas últimas estejam sujeitas a condicionalismos imponderáveis.

Ainda assim, a principal dificuldade é a mão de obra. Trata-se de uma atividade de colheita no momento certo e com rapidez, sob pena de perdas de rentabilidade. Para isso, é necessário um número muito elevado de trabalhadores, o que é cada vez mais difícil de assegurar. “Este tipo de trabalho é duro e muito exigente do ponto de vista humano”, explica Fernanda Machado. Por isso, o setor está dependente de mão de obra estrangeira, proveniente de países como Nepal, Bangladesh, Paquistão e Índia.

A mesma dificuldade é sentida por Gonçalo Batista nos 70 hectares de produção de cereja, pêssego e nectarina, uma atividade totalmente sazonal: “De ano para ano, é mais difícil encontrar mão de obra, especialmente no período de colheitas. É um trabalho de alguma exigência física. Trabalhar com temperaturas como as atuais não é propriamente fácil. Nem toda a gente tem essa capacidade”.

Menos armas contra as pragas

A mão de obra não é o único problema comum. Fernanda Machado alerta para as crescentes exigências ambientais e de segurança alimentar, que têm limitado o uso de alguns fitofármacos. Com 85 por cento da produção destinada à exportação, a BFruit trabalha com mercados particularmente exigentes, como Reino Unido e Alemanha, o que obriga ao cumprimento de regras muito rigorosas. Embora reconheça a importância de algumas restrições, a produtora lamenta a falta de alternativas eficazes ou economicamente viáveis. “Tem de haver um equilíbrio” entre preocupações ambientais e a compreensão efetiva da realidade agrícola.

Na procura de soluções, a empresa tem apostado em conhecimento. Dotada de uma equipa técnica multidisciplinar e dois centros de investigação, a BFruit desenvolve trabalho genético para criar variedades mais adaptadas e resistentes, ao mesmo tempo que testa soluções biológicas e alternativas que permitam reduzir o uso de fitofármacos.

Gonçalo Batista expressa a mesma preocupação com a perda de soluções fitossanitárias, em resultado das políticas europeias no âmbito do “prado ao prato”, que têm retirado do mercado várias substâncias ativas consideradas prejudiciais ao ambiente. A ausência de alternativas deixa os agricultores com “menos ferramentas” para o combate de doenças e pragas, dificultando a produção e pressionando ainda mais a sustentabilidade económica da atividade.

Água incerta preocupa

A água é outro dos grandes temas da produção agrícola. Em Odemira, a seca impôs restrições na distribuição de água. A precipitação do último inverno permitiu aliviar parte da pressão, mas a incerteza climática preocupa os agricultores. Para Fernanda Machado, o investimento em infraestruturas de retenção e armazenamento de água poderia evitar situações de escassez. “Neste momento, não é um problema. Mas será cíclico se os políticos não fizerem nada novamente e deixarem de investir na recuperação das infraestruturas existentes desde 1960”, apela a produtora.

Mais que ter em conta, temos em conta padrões de qualidade, formas de produção, a profissionalização do setor.

Para Gonçalo Batista, o recurso hídrico é o principal fator a limitar o crescimento da produção porque não é possível aumentar áreas sem água disponível. No caso da exploração da Quinta da Fadagosa, não existe regadio público e a água é armazenada em barragens ou charcas, dependendo unicamente da precipitação ao longo do ano. A gestão é extremamente rigorosa, com rega planeada ao minuto e apoio de sensores, programadores e aplicações móveis. “Todas as frutas de caroço são muito exigentes em dotações hídricas. Temos de olhar a dois anos. A gestão da rega não se esgota na campanha em curso, mas tem de antecipar o que poderá acontecer na seguinte, porque não sabemos o que teremos em termos de precipitação”, justifica o produtor.

Qualidade e consistência

O Programa Origens é uma resposta comercial e estratégica do Intermarché aos desafios dos produtores. O foco não está apenas na qualidade do produto final, mas também na regularidade e consistência do abastecimento, em função dos fatores apontados pelos produtores: clima, mão de obra, água e estabilidade da produção. “Muitas vezes, esses fatores são incapacitantes para que cheguemos a um produto final com qualidade”, nota Sofia Hartley.

O projeto dá prioridade aos produtos portugueses e trabalha no sentido de garantir cadeias curtas, mais frescura e maior eficiência da produção à loja. A responsável reforça: “Quanto mais encurtarmos o processo de distribuição, mais frescura damos ao produto, indo ao encontro do objetivo de sustentabilidade. Proximidade com o produtor, confiança na origem e a frescura das cadeias curtas são eixos do nosso trabalho”.

Essa confiança é reforçada através de ferramentas digitais que permitem ao consumidor aceder à rastreabilidade do produto, entendida como um “bilhete de identidade”. O acompanhamento técnico junto dos produtores é permanente e estende-se a três áreas distintas – frutas e legumes, peixe e carne –, garantindo que os produtos chegam à loja com segurança alimentar e suporte documental.


Vinhos e produtos foram estrelas em Santarém

Entre provas e novidades alimentares, o Intermarché reforçou a aposta na qualidade, na inovação e na boa relação preço-valor.

O espaço do Intermarché na Feira Nacional de Agricultura, em Santarém, revelou-se pequeno para a quantidade de produtos de qualidade em exposição. De um lado, vinhos de várias regiões e castas; do outro, artigos distinguidos com o selo Produto do Ano 2026.

Entre os vinhos, o vinho tinto Douro DOC Private Collection da Seleção de Enófilos ocupava um lugar de destaque, isolado numa vitrine transparente, como uma verdadeira peça de exposição. Do Dão chegaram os brancos e tintos da marca Seleção de Enófilos, que os visitantes puderam provar no espaço do Intermarché.

“São vinhos selecionados, na sua maioria com castas autóctones da região do Dão. É o caso deste tinto monocasta Touriga Nacional. Depois temos vinhos com lotes de Encruzado, Alfrocheiro ou Jaen. São vinhos de mesa ou de piscina, agora no verão. Os vinhos de colheita podem beber-se em qualquer ocasião, até num final de tarde. Não são tão elaborados”, explica Sofia Leite, em representação da União Comercial da Beira. Nos vinhos do Dão da Seleção de Enófilos, que apresentam “uma fantástica relação qualidade-preço”, a especialista destaca o branco reserva e o Private Collection tinto.

O Intermarché levou ainda a Santarém alguns dos produtos que têm arrecadado prémios em várias categorias. Este ano, soluções inovadoras na área alimentar, como as massas Espirais +Proteína, na categoria de massas alimentícias, o Abacate Cubos Paquito, em frutas e polpas, e o Queijo Camembert Panado, em salgados e panados, evidenciam a aposta da marca em propostas práticas e alinhadas com as novas expectativas de consumo.

Uma Iniciativa

Apoio

Knowledge Partner