Na sua intervenção, o cientista brasileiro Paulo Artaxo transportou-nos para um “cenário crítico”. “Hoje estamos a emitir 57 biliões de toneladas de gases de efeito estufa para a atmosfera”, sendo que “85% das emissões de CO2 para a atmosfera é pela queima de combustíveis fósseis”, alertou o professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo.
Os últimos modelos do IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change mostram num futuro próximo “um aumento de 2,8 graus Celsius a nível global de temperatura média”, com impactos que já estão à vista: “Aumento de incêndios florestais, tempestades e inundações.”
Em Portugal, estamos atualmente no aumento de 1,4 graus Celsius para a região de Lisboa. O cientista recordou que a temperatura máxima em Portugal já chegou a 47,7 graus Celsius no verão (em 2003, na Amareleja).
A vulnerabilidade das populações é evidente. As mudanças do clima acentuam a desigualdade social.
Expansão dos mosquitos
Na adaptação às alterações climáticas, há espécies que se propagam num terreno fértil de aumento de calor, da humidade e de águas estagnadas, como é o caso do mosquito, alertou Luís Campos, presidente do Conselho Português para a Saúde e Ambiente.
Mais de 5 milhões de mortes extras por ano podem ser atribuídas às temperaturas extremas, sendo que nos fatores de risco entram também a poluição do ar, a poluição química e os químicos manufaturados, referiu.
“O mosquito é o animal que mais mata no mundo. Foi responsável por 716 mil mortes a nível global desde 2016”, salientou Luís Campos.
Também Celso Granato, professor de Doenças Infecciosas da Universidade Federal de São Paulo, chamou a atenção para o problema: “O mosquito está a expandir a sua área de atuação. Nas regiões montanhosas até 1000 metros de altitude, não havia doenças provocadas por mosquitos e agora há, ele está a adaptar-se.”