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Saúde e Alterações Climáticas
À Conversa com

Cristina Bárbara

A diretora do Programa para a Área das Doenças Respiratórias da Direção-Geral da Saúde, Cristina Bárbara, explica como o calor, o frio e a poluição já estão a agravar a saúde respiratória em Portugal.

As alterações climáticas deixaram de ser um risco abstrato para se tornarem um problema concreto de saúde pública, com impacto direto na população portuguesa. É esta a principal mensagem de Cristina Bárbara, diretora do Programa para a Área das Doenças Respiratórias da Direção-Geral da Saúde.

Em declarações durante a conferência Saúde e Alterações Climáticas, promovida pela Multicare, no Técnico Innovation Center, em Lisboa, Cristina Bárbara detalhou os efeitos já observáveis no sistema de saúde, que “estão a ser registados em todo o mundo e também em Portugal”.

Grupos vulneráveis

O impacto não é uniforme e afeta sobretudo os grupos mais vulneráveis. Num país como Portugal, um dos mais envelhecidos da Europa, os idosos são particularmente numerosos neste quadro de risco. “Há um conjunto de pessoas que são altamente vulneráveis aos excessos de calor ou ao excesso de frio”, sublinhou, acrescentando que também os doentes crónicos — incluindo os que sofrem de doenças respiratórias e cardiovasculares — estão mais expostos.

Os episódios de ondas de calor e de frio são particularmente críticos, traduzindo-se de forma imediata em excesso de mortalidade e num aumento significativo das idas aos serviços de urgência, referiu.

A este contexto soma-se um fator estrutural: a pobreza energética. Em muitas habitações, a incapacidade de garantir condições adequadas de aquecimento no inverno ou de arrefecimento no verão agrava a exposição aos extremos de temperatura, potenciando o risco para a saúde, sobretudo entre os mais idosos e vulneráveis.

Para além da temperatura, outros fatores associados às alterações climáticas contribuem para o agravamento destas patologias. É o caso de incêndios de grande dimensão, de poeiras em suspensão, tempestades e episódios de poluição atmosférica, que intensificam a presença de partículas finas no ar, capazes de penetrar profundamente nos pulmões e desencadear inflamação e doença.

Falta de sensibilização

Apesar das evidências crescentes, Cristina Bárbara considera que ainda existe um défice de sensibilização da população. “Não estão tão conscientes dos riscos quanto seria desejável”, admite, referindo-se ao nível de preparação dos grupos de risco. Para a responsável, é essencial reforçar a literacia em saúde, explicando de forma clara o que são as alterações climáticas, como afetam o organismo e que medidas devem ser adotadas em situações de calor extremo, frio intenso ou má qualidade do ar.

A evolução do risco climático, concluiu, exige uma resposta mais informada e preventiva, num contexto em que os fenómenos extremos tendem a tornar-se mais frequentes e intensos.