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Saúde e Alterações Climáticas
À Conversa com

Victor Gil

Procurar ambientes frescos, evitar exposição prolongada ao calor e hidratar: estas são algumas das medidas para prevenir o risco cardiovascular, segundo Victor Gil, diretor do Centro de Risco Cardiovascular e Trombose do Hospital da Luz.

As ondas de calor mais frequentes, as noites tropicais, bem como os episódios de frio intenso e as habitações pouco preparadas para extremos térmicos estão a criar um novo contexto de risco para as doenças cardiovasculares em Portugal. Mas mais do que identificar o problema, importa saber como agir para mitigar os riscos.

À margem da conferência Conferência sobre Saúde e Alterações Climáticas promovida pela Multicare, em Lisboa, Victor Gil, diretor do Centro de Risco Cardiovascular e Trombose do Hospital da Luz, destacou medidas concretas para reduzir o impacto destes fenómenos na saúde.

Para o especialista, “o calor é responsável por uma mortalidade aumentada cardiovascular”. Como exemplo destacou o impacto das ondas de calor — períodos prolongados de temperaturas elevadas — que aumentam este tipo de risco sobretudo entre idosos e doentes crónicos.

Medidas simples

Desta forma, e ao nível individual, a prevenção passa por medidas simples, mas importantes: procurar ambientes frescos, evitar exposição prolongada ao calor e garantir uma adequada hidratação. No entanto, para Victor Gil, o problema vai além do comportamento individual. As condições das próprias habitações podem agravar o risco. “As casas deveriam ser mais arrefecidas e mais ventiladas”, sublinhou o responsável, referindo-se à dificuldade do organismo em recuperar durante a noite quando as temperaturas permanecem elevadas.

Para os profissionais de saúde, o desafio de mitigação do risco é também clínico. “Há muitos doentes que estão sob terapêuticas e há muitas vezes a necessidade de ajustar essas terapêuticas”, explicou Victor Gil, apontando para situações em que o calor pode alterar a pressão arterial ou agravar a desidratação, o que exige uma monitorização mais próxima e mais ajustes na medicação por parte dos profissionais.

Responsabilidade social

A resposta ao risco acrescido deve ainda envolver empresas e instituições, sobretudo na proteção de trabalhadores expostos a condições extremas. Setores como o da construção civil exigem medidas específicas, como a limitação de horários, pausas e rotação de equipas. Também as estruturas sociais e de saúde têm um papel determinante, especialmente na proteção de populações vulneráveis. Em lares de idosos ou outras instituições sociais, garantir condições adequadas de temperatura pode ser decisivo para prevenir eventos agudos.

Num cenário de risco crescente, Victor Gil deixa uma mensagem clara: a adaptação é possível mas exige consciência, prevenção e ação coordenada.