Carlos Moedas lembra-se bem do momento. Era a primeira edição, em 2024, e Inês Coito estava em palco. A fadista dos bairros municipais dizia que ainda não se considerava uma cantora. O presidente da Câmara Municipal de Lisboa guardou aquelas palavras. Mais tarde, deixou-lhe um conselho: “Nunca seja uma artista de cabeça cheia, seja humilde, mas com confiança”.
Dois anos depois, o projeto cresce à escala da cidade. Aquilo que começou como Talentos do Bairro passa a abranger toda a capital. A partir de 2026, chama-se Talentos de Lisboa e estende-se às 24 freguesias.
“Dos bairros vamos para toda a Lisboa encontrar os grandes talentos”, disse Carlos Moedas na sessão de apresentação, realizada a 30 de abril no Salão Nobre dos Paços do Concelho, “um espaço reservado aos meus reis e às minhas rainhas”. Foi ali, recordou o autarca, que decidiu começar a entregar chaves de casa aos lisboetas, recusando a ideia de que o Salão Nobre fosse apenas para chefes de Estado.
A sessão abriu com uma atuação conjunta de Inês Coito e Don Fran, vencedores da edição de 2024, e encerrou com Rato Chinês e Igor D’Araújo, os vencedores de 2025.
Desde o início que a expansão era expectável. Carlos Moedas acompanhou o projeto no terreno, visitou os bairros e aplaudiu os finalistas no Capitólio, sempre com a mesma convicção: o talento existia, o que faltava era a oportunidade. Crescido no Alentejo, filho de uma costureira de Beja que lhe disse para ir “para onde as oportunidades estão”, o presidente da Câmara identificou-se desde cedo com a narrativa do projeto.
“O talento está onde as oportunidades estão e quando nós não criamos oportunidades, não encontramos esse talento”, disse. “Eu sabia que esse talento existia, até porque eu tinha estado desde o primeiro dia nos nossos bairros.”






