Para a autarca, este tipo de iniciativa tem um impacto que vai além do concurso. “A cultura move povos. É o que nos pode aproximar, com tantas confusões que andam por aí”, defendeu. Sobre o alargamento do projeto, acrescentou que “faz todo o sentido não fechar, mas sim integrarmo-nos todos: quem está no bairro, quem não é do bairro, quem está fora do bairro. Para Santo António, como não temos nenhum bairro municipal, agora já podemos participar.” A quem ainda hesita, lembrou que “a freguesia de Santo António está convosco. E olhem que Santo António é muito grande.”
João Belchior, de 29 anos, passou pela Praça da Alegria por acaso e ficou. “Fiquei impressionado, curioso. Acho que a curiosidade é uma das qualidades mais importantes, bem como assumir o papel”, disse. Inscreveu-se sem grandes expectativas. Quer apenas participar. “A felicidade acontece quando estamos desatentos.” A quem tem medo de subir ao palco, deixou um conselho: “É preciso grande coragem para nos levantarmos e cantarmos o que for. Temos ainda mais coragem para nos sentarmos e ouvirmos. Portanto, ouçam.”
Miriam Pedro, de 24 anos, foi convencida a participar pelos colegas de trabalho enquanto passava pela Praça da Alegria para um momento de convívio. “Não fui exatamente eu, foram eles que me inscreveram”, admitiu, com humor. Ainda assim, abraçou a ideia. “Pode ser que me dê uma oportunidade de fazer música sem ser no meu quarto.” A quem hesita, deixa um conselho simples: “A vergonha ultrapassa-se, mas não se perde nada.” Sobre a Academia dos Talentos, vê nela uma oportunidade para quem não tem formação. “Mesmo que não se ganhe, há sempre a possibilidade de melhorar e de ter um lugar dentro da música”, afirmou.
Mário Elídio Santos Coelho tem 63 anos, é angolano e inscreveu-se no showcase de Santo António depois de ver o concurso no Correio da Manhã. A vida nem sempre correu como esperava. Perdeu o pai em novo, ficou sem apoio e os sonhos no futebol e na música não se concretizaram. Tem estado, nas suas palavras, “muito apagado com a vida”. O Talentos de Lisboa é uma forma de se libertar. “É uma alegria poder participar, fazer uma coisa de que gosto e de que gostava de fazer mais”, disse.
Don Fran tem acompanhado vários showcases e a perceção é positiva. “Sei que tem havido boa adesão. O positivo disto tudo é que tive muitas mensagens de pessoas que não conseguiram inscrever-se antes e sei que agora se vão inscrever.” Sobre o papel que sente ter neste processo, explica que tenta apenas “motivar e trazer um bocadinho de carinho com as palavras que trago, porque acho que as pessoas certas podem ter as oportunidades certas.” No fim, a responsabilidade é de cada um: “são elas que têm de dar o primeiro passo”, concluiu.
Regressar à Página Inicial