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Braga fecha Capital da Cultura com 1,5 milhões de espectadores

Braga fecha Capital da Cultura com 1,5 milhões de espectadores

Publicado em 28 de Dezembro de 2025 às 09:00

Braga passa o testemunho de Capital Portuguesa da Cultura a Ponta Delgada, numa cerimónia que contará com a presença do presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, da Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, e da Comissária de Ponta Delgada 2026, Kátia Guerreiro

Neste domingo realiza-se a cerimónia de encerramento de Braga, Capital Portuguesa da Cultura, após um ano com grande impacto económico, turístico e cultural para todo o concelho. O presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, faz um balanço “muito positivo” e fala de um legado que se vai traduzir num “novo patamar para a política cultural do município”.

Braga fecha Capital da Cultura com 1,5 milhões de espectadores

Que balanço oficial faz o Município do ano Braga 25 em termos de número de eventos realizados, participantes envolvidos e públicos alcançados?

É um balanço muito positivo. Até ao final de outubro de 2025, o programa integrou cerca de 1200 actividades, de que se destacam 253 espectáculos e 95 exposições, que mobilizaram quase 1,5 milhões de espectadores. O programa envolveu artistas locais (54%), a par de artistas nacionais (30%) e convidados internacionais (16%), e contou com uma rede de parcerias com 153 entidades artísticas locais, 56 parceiros nacionais e 19 internacionais. Mais do que os números, o essencial é isto: a cultura chegou a mais pessoas e a mais pontos do concelho. Braga 25 deu um novo impulso à vida cultural da cidade, com uma programação ampla e regular, combinando momentos-âncora com propostas de proximidade e participação.

Que impacto teve a Braga 25 no turismo e na dinâmica económica da cidade?

O impacto sentiu-se na rua: mais gente na cidade, mais procura e mais movimento, com reflexo na hotelaria, na restauração e no comércio, o que é consistente com os indicadores já publicados. Até outubro de 2025, Braga registou um crescimento de 4,3% no número de hóspedes e de 2,7% no número de dormidas face ao período homólogo. Houve acções especificamente dirigidas ao público galego, incluindo campanhas nos principais jornais da região e uma exposição da Braga 25 no posto de Turismo do Porto e Norte em Santiago, com repercussão mediática na Galiza, contribuindo para reforçar a visibilidade junto de um público que já procura Braga. Em paralelo, reforçou-se a promoção turística associada à Braga 25 no mercado interno e externo, com presença na principal feira de turismo do país (Bolsa de Turismo de Lisboa) e participação em feiras internacionais, contribuindo para afirmar Braga como destino urbano culturalmente activo.

Braga 25 mostrou de forma consistente, capacidade de programar com ambição ao longo de um ano inteiro, cruzando áreas artísticas e mobilizando a cidade em torno da criação, da participação e do espaço público.

Em que é que a Braga 25 reforçou a projecção de Braga como cidade cultural e criativa e como é que esse trabalho será consolidado a partir de 2026?

Braga 25 mostrou, de forma consistente, capacidade de programar com ambição ao longo de um ano inteiro, cruzando áreas artísticas e mobilizando a cidade em torno da criação, da participação e do espaço público. Foi uma afirmação pública de um projecto cultural aberto e participativo, sustentado por mediação, inclusão e colaboração em rede, que projecta Braga para fora. A partir de 2026, a prioridade é continuidade com método: manter programação regular de qualidade, reforçar apoios à criação e à produção, garantir circulação e coproduções, consolidar práticas de participação e acessibilidade e usar os equipamentos municipais como plataformas permanentes de trabalho e de fruição cultural. A Braga 25 A Braga 25 não é um produto acabado: é um novo patamar para a política cultural do Município.

Braga fecha Capital da Cultura com 1,5 milhões de espectadores

“O essencial agora é garantir continuidade”

A vereadora Catarina Miranda, com os pelouros da Cultura, Património Cultural e Educação
Artística, frisa que Braga 2025 deixa um conjunto
de projetos em marcha, num movimento
de política cultural com efeito duradouro

Braga fecha Capital da Cultura com 1,5 milhões de espectadores

Em termos de legado material, o que é que 2025 deixa consolidado e que projectos estruturantes ficam no horizonte?

O legado manifesta-se tanto em equipamentos reabilitados já em funcionamento como em projectos estruturantes em curso. Destaco a abertura do Arquivo Municipal, instalado na antiga Escola Francisco Sanches, enquanto estrutura de memória da cidade, reforçando a capacidade de consulta, depósito e conservação do nosso património documental; a reabilitação de parte do Mercado Cultural do Carandá, que melhora as condições para o ensino da música e da dança; e a reabertura do Museu dos Biscainhos, com museografia renovada e um sentido reforçado de missão, em diálogo com a cidade.

Em paralelo, prosseguem requalificações há muito aguardadas, como o antigo Museu da Imagem e a Casa dos Crivos. Estão também programados projectos estruturantes, como a requalificação do Cinema São Geraldo, a criação do Museu da Fábrica Confiança e a segunda fase de requalificação da antiga Escola Francisco Sanches, para instalação de um novo espaço cultural.

Braga fecha Capital da Cultura com 1,5 milhões de espectadores

No domínio do património arqueológico, está em curso a musealização da Ínsula das Carvalheiras e ficou materializada a instalação da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho no Convento de São Francisco, já requalificado, aprofundando a ligação entre património, investigação e mediação cultural. Em suma, 2025 deixa um conjunto de projectos em marcha: alguns já visíveis no quotidiano da cidade, outros com abertura e impacto público no horizonte. O essencial, agora, é garantir continuidade, para que este movimento de renovação se consolide como política cultural com efeito duradouro.

Braga fecha Capital da Cultura com 1,5 milhões de espectadores

Na cerimónia de encerramento, Braga faz a passagem de testemunho a Ponta Delgada 2026. Que significado tem este gesto?

A passagem de testemunho é um momento simbólico, mas também um compromisso. O diálogo entre Capitais Portuguesas da Cultura não começou agora – foi activado ao longo de 2025, com projectos como “Chão”, que deu palco a sonoridades do património português e mostrou, em cena, a cooperação entre Braga e Ponta Delgada (Capitais Portuguesas da Cultura) e Évora (Capital Europeia da Cultura). A cerimónia de encerramento traduz um gesto de continuidade, com uma dimensão concreta e ritual. Precedida por um momento protocolar, com a presença do presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, da Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, e da Comissária de Ponta Delgada 2026, Kátia Guerreiro, ganha forma através de uma peça escultórica do artista bracarense Miguel Neves Oliveira, símbolo de enraizamento, continuidade e encontro – e do espectáculo em si. Em cena, “Entre Pedra e Bruma” aprofundará essa ponte.

Braga 25 abriu a cidade à arte, à cultura e à participação e despede-se de um ano intenso com a promessa de continuidade. Ainda que passemos o testemunho a Ponta Delgada, queremos manter aberta a porta que 2025 abriu

No palco do Theatro Circo vão dialogar artistas dos dois territórios, cruzando o Minho e os Açores, numa celebração da criação nacional. Concebido explicitamente como gesto de transição para Ponta Delgada 2026, inspira- se nas lendas e tradições dos territórios, evocando a fé que ecoa da pedra e o mistério que se dilui na bruma. É nesse lugar, entre o que perdura e o que flui, que se abre a possibilidade de encontro, de transformação e de memória partilhada – uma homenagem poética ao legado de cada cidade. Braga 25 abriu a cidade à arte, à cultura e à participação e despede-se de um ano intenso com a promessa de continuidade. Ainda que passemos o testemunho a Ponta Delgada, queremos manter aberta a porta que 2025 abriu.