{"id":613,"date":"2025-04-13T09:00:00","date_gmt":"2025-04-13T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/?p=613"},"modified":"2025-04-10T17:50:15","modified_gmt":"2025-04-10T16:50:15","slug":"venha-conhecer-a-cidade-de-braga-numa-viagem-no-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/cobertura\/venha-conhecer-a-cidade-de-braga-numa-viagem-no-tempo\/","title":{"rendered":"Venha conhecer a cidade de Braga numa viagem no tempo"},"content":{"rendered":"\n<p>At\u00e9 ao dia 15 de abril, Braga \u2013 Capital Portuguesa da Cultura acolhe na sua Pra\u00e7a ou Mercado Municipal a exposi\u00e7\u00e3o \u201cBraga: Rosto em Muta\u00e7\u00e3o\u201d. Trata-se de um convite a uma viagem milenar \u00e0s funda\u00e7\u00f5es da cidade minhota, pelas imagens que atestam as suas transforma\u00e7\u00f5es arquitet\u00f3nicas, sociais e culturais. Com a colabora\u00e7\u00e3o do ator e autor Jos\u00e9 Miguel Braga, que acrescenta uma narrativa liter\u00e1ria, a mostra vai al\u00e9m da fotografia, promovendo um espa\u00e7o de di\u00e1logo sobre a capacidade de reinven\u00e7\u00e3o da cidade e a beleza da sua evolu\u00e7\u00e3o ao longo do tempo. <\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, Jos\u00e9 Miguel Braga convida-nos a uma experi\u00eancia imersiva. \u201cAdmito que o p\u00fablico, ao visitar a exposi\u00e7\u00e3o \u2018Braga: Rosto em muta\u00e7\u00e3o\u2019, poder\u00e1 experimentar uma esp\u00e9cie de del\u00edrio. Utilizo o termo pensando no seu sentido etimol\u00f3gico. Sair do trilho ou do sulco e inventar outro percurso.\u201d A primeira paragem \u00e9 no Imp\u00e9rio Romano. \u201cConsideremos primeiro a cidade romana, Bracara Augusta, que parece ter escolhido uma soalheira colina a que costumamos chamar Cividade. A cidade de ent\u00e3o teria o seu f\u00f3rum, termas, teatro e arruamentos. Com as invas\u00f5es b\u00e1rbaras, Bracara Augusta ter\u00e1 sido destru\u00edda em parte, mas abandonada tamb\u00e9m. Conv\u00e9m lembrar que antes do ano 1000 a cidade ser\u00e1 atacada e em parte destru\u00edda por sucessivas invas\u00f5es \u00e1rabes.\u201d <\/p>\n\n\n<div class=\"uk-inline\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.xl.pt\/bs\/uploads\/sites\/208\/2025\/04\/Mercado-Municipal-1200x630.jpg\" alt=\"O Mercado Municipal de Braga, onde decorre a exposi\u00e7\u00e3o, \u00e9 um dos marcos desta viagem no tempo\" loading=\"lazy\" \/><div class=\"uk-visible@s uk-overlay uk-overlay-default uk-position-bottom uk-padding-small uk-text-left\">O Mercado Municipal de Braga, onde decorre a exposi\u00e7\u00e3o, \u00e9 um dos marcos desta viagem no tempo<\/div><\/div><p class=\"uk-hidden@s uk-text-small uk-text-muted uk-margin-small-top uk-margin-medium-bottom uk-text-left\">O Mercado Municipal de Braga, onde decorre a exposi\u00e7\u00e3o, \u00e9 um dos marcos desta viagem no tempo<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, com a funda\u00e7\u00e3o do reino, a urbe cresce e fortifica-se a cidade medieval em volta da catedral, afastando-se dos limites da primitiva cidade romana. \u201cCom o Renascimento e o governo de Dom Diogo de Sousa, a cidade medieval conhece uma renova\u00e7\u00e3o sem precedentes. O ilustre arcebispo cria uma abertura na muralha, alarga o centro c\u00edvico e desenha novos espa\u00e7os, o Campo da Vinha, o Campo dos Rem\u00e9dios, o Campo de Santana e o Largo das Carvalheiras. A cidade expande-se, reorienta-se, sai das muralhas\u201d, explica Jos\u00e9 Miguel Braga. <\/p>\n\n\n<blockquote class=\"uk-margin-medium\"><span uk-icon=\"icon: quote-right; ratio: 4.0\"><\/span><h3 class=\"uk-margin-top uk-margin-bottom\">Admito que o p\u00fablico, ao visitar a exposi\u00e7\u00e3o \u2018Braga: rosto em muta\u00e7\u00e3o\u2019, poder\u00e1 experimentar uma esp\u00e9cie de del\u00edrio. Utilizo o termo pensando no seu sentido etimol\u00f3gico. Sair do trilho ou do sulco e inventar outro percurso.<\/h3><\/blockquote>\n\n\n\n<p>E chega-se ao per\u00edodo barroco igualmente importante para a cidade minhota. \u201cEsse processo de alargamento e de implos\u00e3o a partir do interior continua. \u00c9 fundamental destacar o trabalho art\u00edstico desenvolvido por Andr\u00e9 Soares e, um pouco mais tarde, num estilo complexo tardo-barroco e neocl\u00e1ssico, o de Carlos Amarante. Durante uma boa parte do s\u00e9culo XIX, a cidade continuar\u00e1 o seu processo de crescimento e renova\u00e7\u00e3o, mas ser\u00e1 com o fim do s\u00e9culo e o in\u00edcio do s\u00e9culo XX que ter\u00e3o lugar profundas e radicais transforma\u00e7\u00f5es.\u201d Como explica, \u201ca destrui\u00e7\u00e3o de grande parte da cidadela, do quarteir\u00e3o associado ao Convento dos Rem\u00e9dios e da Rua da \u00c1gua, dar\u00e1 lugar \u00e0 conforma\u00e7\u00e3o do centro c\u00edvico num formato muito semelhante ao que temos hoje\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Universidade do Minho e teatro universit\u00e1rio <\/h2>\n\n\n\n<p>Um dos marcos para a cidade foi a cria\u00e7\u00e3o, por Jos\u00e9 Miguel Braga, do primeiro teatro universit\u00e1rio em Braga, o TUBRA, em 1978. Na d\u00e9cada de 80 do s\u00e9culo passado, o ator e autor ajudou a criar o teatro independente Pronto, que levava pe\u00e7as a zonas rurais. Um pioneiro na descentraliza\u00e7\u00e3o cultural. \u201cO TUBRA foi obra coletiva. \u00c9 quase sempre assim no teatro. Fiz parte dos fundadores e reconhe\u00e7o que, na \u00e9poca, o teatro ajudou a consolidar uma certa viv\u00eancia e cultura universit\u00e1ria e contribuiu tamb\u00e9m para a anima\u00e7\u00e3o da cidade e a forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico. Se bem me lembro, levamos \u00e0 cena \u2018O poeta\u2019 e \u2018Os direitos do Homem\u2019, de Yvette K. Centeno, \u2018O Urso\u2019, de Tchekhov, e \u2018O Espi\u00e3o\u2019, de Bertolt Brecht\u201d. <\/p>\n\n\n<div class=\"uk-inline\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.xl.pt\/bs\/uploads\/sites\/208\/2025\/04\/jose-miguel-braga-002-1200x630.jpg\" alt=\"Jos\u00e9 Miguel Braga, autor e ator\" loading=\"lazy\" \/><div class=\"uk-visible@s uk-overlay uk-overlay-default uk-position-bottom uk-padding-small uk-text-left\">Jos\u00e9 Miguel Braga, autor e ator<\/div><\/div><p class=\"uk-hidden@s uk-text-small uk-text-muted uk-margin-small-top uk-margin-medium-bottom uk-text-left\">Jos\u00e9 Miguel Braga, autor e ator<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto da investiga\u00e7\u00e3o e dos criadores e autores ligados \u00e0 Universidade do Minho, onde Jos\u00e9 Miguel Braga se doutorou em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o, foi tamb\u00e9m transformador para a cidade. \u201cA Universidade do Minho cresceu, e hoje pode considerar-se uma grande universidade, n\u00e3o s\u00f3 pelo n\u00famero de estudantes, professores, investigadores e funcion\u00e1rios que a integram, n\u00e3o s\u00f3 pelo importante patrim\u00f3nio que re\u00fane nas cidades de Braga, Guimar\u00e3es e tamb\u00e9m em Mon\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m pelo conjunto de realiza\u00e7\u00f5es e pelo contributo que tem prestado ao mundo da ci\u00eancia, da cultura, do ensino e da economia, em particular no apoio ao desenvolvimento e performance industrial da regi\u00e3o.\u201d <\/p>\n\n\n\n<p>Como diretor art\u00edstico e professor de Interpreta\u00e7\u00e3o do curso profissional de Artes do Espet\u00e1culo \u2013 Interpreta\u00e7\u00e3o da ESAS (Escola Secund\u00e1ria Alberto Sampaio) em Braga, Jos\u00e9 Miguel Braga formou centenas de alunos. \u201cAprendemos em conjunto a valorizar fundamentalmente a disciplina art\u00edstica e a \u00e9tica de ator. Aprendemos a inventar a casa do teatro e a torn\u00e1-la habit\u00e1vel a partir do exerc\u00edcio do corpo pensativo do ator. Partimos sempre do princ\u00edpio de que sem experimentarmos o palco e sem conhecimento direto do contacto com o p\u00fablico e das envolv\u00eancias do espet\u00e1culo, n\u00e3o poderia haver verdadeira e consistente aprendizagem.\u201d <\/p>\n\n\n\n<p>Para Jos\u00e9 Miguel Braga, \u201ca candidatura de Braga a Capital Europeia da Cultura e depois a Capital Nacional da Cultura \u00e9 justa\u201d. Condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o lhe faltam, assegura: \u201cA cidade tem uma popula\u00e7\u00e3o jovem numerosa e est\u00e1 bem servida em termos de rede vi\u00e1ria e ferrovi\u00e1ria. A universidade tornou-se um grande polo de atra\u00e7\u00e3o, mas h\u00e1 que contar tamb\u00e9m com o desenvolvimento industrial e dos servi\u00e7os e, portanto, com a oferta de trabalho. Os jovens s\u00e3o particularmente din\u00e2micos e inventores de projetos e de solu\u00e7\u00f5es. A cidade cresceu, modernizou-se e, de um modo geral, oferece muito do que se julga necess\u00e1rio para viver o dia a dia de acordo com modelos e padr\u00f5es contempor\u00e2neos.\u201d <\/p>\n\n\n\n<p>O professor que acompanhou gera\u00e7\u00f5es de criadores culturais diz que \u201cBraga empreendeu a partir dos anos 1980 um caminho de grande expans\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cFalta refletir sobre o que foi feito e disso fazer cultura viva, exerc\u00edcio de cidadania em favor de uma s\u00f3lida e ativa sociedade civil capaz de proteger o patrim\u00f3nio e de reinventar a mem\u00f3ria e o espa\u00e7o urbano\u201d, conclui. E \u00e9, sem d\u00favida, um patrim\u00f3nio<br>que merece ser protegido.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da romana Bracara Augusta at\u00e9 Braga \u2013 Capital Portuguesa da Cultura, houve um<br \/>\n\u201cRosto em Muta\u00e7\u00e3o\u201d. Uma exposi\u00e7\u00e3o no Mercado Municipal de Braga que conta com a narrativa liter\u00e1ria do ator e autor Jos\u00e9 Miguel Braga<\/p>\n","protected":false},"author":58,"featured_media":616,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[13,43,46,19],"class_list":["post-613","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cobertura","tag-braga25","tag-exposicao","tag-jose-miguel-braga","tag-um-ano-de-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/613","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/58"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=613"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/613\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":637,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/613\/revisions\/637"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/616"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=613"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=613"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=613"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}