{"id":7029,"date":"2025-11-02T09:00:00","date_gmt":"2025-11-02T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/?p=7029"},"modified":"2025-10-28T17:43:32","modified_gmt":"2025-10-28T17:43:32","slug":"shopping-santa-cruzem-braga-vai-ser-um-museu-temporario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/cobertura\/shopping-santa-cruzem-braga-vai-ser-um-museu-temporario\/","title":{"rendered":"Shopping Santa Cruz,em Braga, vai ser um museu tempor\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<p>J\u00e1 imaginou um centro comercial transformado em museu? Tem agora a oportunidade de viver essa experi\u00eancia. De 8 a 23 de novembro v\u00e1 at\u00e9 ao Shopping Santa Cruz, em Braga, leve a fam\u00edlia e os amigos, e deslumbre- se com 16 obras art\u00edsticas que resultaram de um ano de trabalho de artistas, designers, arquitetos, curiosos, lojistas, clientes.<\/p>\n\n\n\n<p> Da exposi\u00e7\u00e3o Shopyard, integrada na programa\u00e7\u00e3o de Braga 25 Capital Portuguesa da Cultura, constam v\u00eddeos, instala\u00e7\u00f5es, objetos e experi\u00eancias que surgiram a partir de novos olhares sobre mais de 20 centros comerciais de primeira gera\u00e7\u00e3o em Braga, espa\u00e7os aparentemente esquecidos e agora revelados com um potencial inesperado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm Braga, muita gente n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o disso, mas boa parte da produ\u00e7\u00e3o musical alternativa nasce precisamente nestes locais \u2014 seja em salas de ensaio informais, espa\u00e7os de encontro ou at\u00e9 em pequenos concertos. Por isso, mais do que olhar para estes edif\u00edcios como um problema, quisemos com o Shopyard traz\u00ea-los para o debate p\u00fablico e sublinhar a sua import\u00e2ncia presente e futura para a vida e sa\u00fade cultural da cidade\u201d, destaca o arquiteto Daniel Duarte Pereira, que juntamente com Fernando P. Ferreira integra o atelier de investiga\u00e7\u00e3o em arquitetura Space Transcribers, respons\u00e1veis pela curadoria do projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>O Shopyard olhou de forma art\u00edstica para esses centros comerciais de primeira gera\u00e7\u00e3o de Braga, constru\u00eddos entre as d\u00e9cadas de 1970 e 1990 em zonas centrais da cidade, muitos deles hoje marcados por elevada desocupa\u00e7\u00e3o e problemas infraestruturais. \u201cEm vez de os tratarmos como espa\u00e7os em decad\u00eancia, olh\u00e1mo-los como lugares com camadas de mem\u00f3rias urbanas e cheios de potencial.\u201d<\/p>\n\n\n<div class=\"uk-inline\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.xl.pt\/bs\/uploads\/sites\/208\/2025\/10\/25-07-Summer-School_APRESENTAC\u2560OES_05-fotografia-maria-joao-salgado-002-1200x630.jpg\" alt=\"Shopping Santa Cruz,em Braga, vai ser um museu tempor\u00e1rio\" loading=\"lazy\" \/><\/div><p class=\"uk-hidden@s uk-text-small uk-text-muted uk-margin-small-top uk-margin-medium-bottom uk-text-left\">@Maria Jo\u00e3o Salgado<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Da loja 33 ao museu tempor\u00e1rio <\/h2>\n\n\n\n<p>O projeto art\u00edstico come\u00e7ou h\u00e1 um ano, com o arrendamento da loja 33 do Shopping Santa Cruz. \u201cAo longo de um ano, arrend\u00e1mos e transform\u00e1mos a loja 33 do Shopping Santa Cruz num espa\u00e7o de encontro e experimenta\u00e7\u00e3o art\u00edstica, em que desafi\u00e1mos muita gente a pensar e a criar obras, tendo estes edif\u00edcios urbanos como fio condutor. Junt\u00e1mos artistas, arquitetos, designers, lojistas, condom\u00ednios, e o p\u00fablico curioso em tr\u00eas tipos de programas \u2014 resid\u00eancias art\u00edsticas, oficinas, uma Summer School de arquitetura, assembleias e visitas \u2014 para criar, testar e discutir novas possibilidades para estes edif\u00edcios, que fazem parte da paisagem de Braga h\u00e1 d\u00e9cadas, mesmo quando j\u00e1 quase n\u00e3o reparamos neles\u201d, refere Daniel Duarte Pereira. <\/p>\n\n\n\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o que inaugura a 8 de novembro come\u00e7a na loja 33, com um mapa que mostra a localiza\u00e7\u00e3o dos mais de 20 centros comerciais de primeira gera\u00e7\u00e3o da capital portuguesa da cultura. A partir da\u00ed, o percurso estende-se pelos restantes pisos, nos quais se podem ver pe\u00e7as desenvolvidas nas oficinas, resid\u00eancias art\u00edsticas e na Summer School, realizadas de forma colaborativa entre artistas, lojistas, participantes e condom\u00ednios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cidades dentro da cidade <\/h2>\n\n\n\n<p>O que encontraram ao desenvolver o projeto foi \u201cuma esp\u00e9cie de cidade paralela que estava escondida\u201d. \u201cHist\u00f3rias de quem trabalha ali h\u00e1 d\u00e9cadas, mem\u00f3rias que resistem e novas formas de uso que se foram instalando silenciosamente, como, por exemplo, um atelier de cer\u00e2mica ou uma loja especializada em artigos africanos. As oficinas juntaram pessoas de diferentes \u00e1reas; por exemplo, na oficina de design orientada pela designer Ana Areias, participaram designers de Braga que viviam na mesma cidade, mas n\u00e3o se conheciam. Tamb\u00e9m apareceram participantes que voltaram a entrar no shopping pela primeira vez em muitos anos, partilharam mem\u00f3rias e redescobriram o espa\u00e7o atrav\u00e9s de outra lente\u201d, recorda o arquiteto.<\/p>\n\n\n\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o da loja 33, projeto do ateli\u00ea de arquitetura Oitoo, mostra bem esse processo, exemplificou. \u201cRemovemos os vidros e abrimos o espa\u00e7o interior e privado da loja \u00e0s zonas comuns com uma cortina amarela flex\u00edvel, num trabalho que exigiu constante di\u00e1logo com lojistas e condom\u00ednio, e exp\u00f4s os desafios de atuar num edif\u00edcio com centenas de propriet\u00e1rios\u201d. Lojistas que no in\u00edcio \u201cestavam \u00e0 margem, reticentes e desconfiados acabaram por colaborar, emprestar materiais a diferentes artistas e criar, aos poucos, uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>As tens\u00f5es fizeram parte do processo, refere Daniel Duarte Pereira \u2014 \u201ce, na verdade, s\u00e3o tamb\u00e9m o que torna este projeto relevante\u201d. Algumas interven\u00e7\u00f5es \u201cforam mais provocadoras e criaram desconfian\u00e7a junto de quem passava, como no caso dos P22, que decidiram transformar a loja-sede na sua casa e viver l\u00e1 durante a resid\u00eancia. Curiosamente, foram os pr\u00f3prios lojistas que ajudaram a normalizar a situa\u00e7\u00e3o, explicando naturalmente aos clientes que \u201celes viviam ali\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras interven\u00e7\u00f5es foram mais colaborativas, adiantou, \u201ccomo as de Gon\u00e7alo Ara\u00fajo ou M\u00f3nica Faria, que envolveram diretamente lojistas nas suas atividades. Ou a de In\u00eas Barros, que expandiu o programa para outro centro comercial, fazendo uma instala\u00e7\u00e3o no piso -1 do Centro Comercial Santa B\u00e1rbara, agora recriado na exposi\u00e7\u00e3o no Santa Cruz\u201d. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Refor\u00e7ar a comunidade art\u00edstica<\/h2>\n\n\n\n<p> Os Space Transcribers acreditam que o prop\u00f3sito de uma Capital Portuguesa da Cultura \u00e9 mostrar que a cultura \u00e9 uma pr\u00e1tica quotidiana. N\u00e3o acontece apenas pontualmente nos espa\u00e7os institucionais, como o gnration ou o Theatro Circo, como sublinha o arquiteto Daniel Duarte Pereira. \u201cAcreditamos que os artistas devem e podem ser convocados para pensar sobre a vida di\u00e1ria e sobre os lugares que fazem parte desse quotidiano, e os centros comerciais de primeira gera\u00e7\u00e3o s\u00e3o um dos muitos destes lugares do quotidiano.\u201d <\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, ao criar um programa aberto e envolver muitos artistas e participantes de Braga, \u201cacreditamos que contribu\u00edmos para refor\u00e7ar a comunidade art\u00edstica local e a sua capacidade de intervir e impactar a cidade\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Daniel Duarte Pereira entende que o projeto acrescenta \u00e0 cidade \u201ccamadas e complexidade\u201d. \u201cBraga j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma cidade pequena. Cresceu muito nos \u00faltimos anos, tornou-se mais diversa e multicultural, e vive no dilema de ser uma uma cidade antiga, com uma identidade tradicional e um desejo de modernidade e vanguarda. Ao convocarmos edif\u00edcios relativamente banais como centros comerciais \u2014 mas que podiam ser outros, tais como f\u00e1bricas, escolas \u2014 estamos a reivindicar uma hist\u00f3ria urbana recente, muitas vezes ignorada ou n\u00e3o considerada como assunto da cultura. Mas achamos que conhec\u00ea-la \u00e9 essencial para compreender melhor a cidade e, acima de tudo, para imaginar de forma mais informada, consciente e colaborativa para o seu futuro\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>Quando algu\u00e9m volta a entrar num edif\u00edcio ao qual j\u00e1 n\u00e3o ia h\u00e1 anos e o v\u00ea com outros olhos, isso j\u00e1 \u00e9 uma transforma\u00e7\u00e3o, observa.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, o nome Space Transcribers \u201cvem precisamente dessa ideia de escrever e reescrever espa\u00e7o\u201d, partindo do princ\u00edpio de que qualquer lugar tem potencial de significado. \u201cN\u00e3o precisamos de nos limitar aos monumentos ou aos espa\u00e7os institucionalizados. Pequenas a\u00e7\u00f5es, interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e encontros coletivos podem alterar a forma como um lugar \u00e9 vivido e imaginado. E isso tem impacto direto na forma como as pessoas se relacionam com a cidade.\u201d<\/p>\n\n\n<\/div><div class=\"uk-container uk-margin-medium-top uk-margin-medium-bottom\"><div data-uk-grid class=\"featured-box uk-card uk-grid-collapse uk-margin\"><div class=\"uk-width-1-1\"><div class=\"uk-card-body\"><h3 class=\"uk-card-title\">Assembleia Shopyard #3 no Theatro Circo<\/h3>A Assembleia Shopyard encerra este ciclo com um debate p\u00fablico, \u00e0s 16h00 do dia 8 de novembro, no Theatro Circo. Os Space Transcribers esperam que seja uma oportunidade de partilha de experi\u00eancias para mais de 200 pessoas que participaram no programa. \u201cA terceira e \u00faltima assembleia, que precede a inaugura\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o, \u00e9 o momento em que juntamos, pela primeira vez, quem participou nas oficinas, resid\u00eancias e Summer School para partilhar experi\u00eancias em conjunto. \u00c9 uma conversa coletiva para dar contexto ao que se fez e para pensar, com os pr\u00f3prios, que futuros s\u00e3o poss\u00edveis\u201d, afirma Daniel Duarte Pereira.<\/div><\/div><\/div><\/div><div class=\"uk-container uk-container-small\">\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Shopping Santa Cruz, em Braga, vai deixar de ser apenas um centro comercial.<br \/>\nDurante quinze dias, entre 8 e 23 de novembro, ser\u00e1 um museu tempor\u00e1rio com v\u00e1rios pisos,<br \/>\nno qual 16 obras art\u00edsticas ir\u00e3o ocupar corredores, lojas e escadas, convidando o p\u00fablico a um novo olhar sobre os centros comerciais da cidade. \u00c9 o culminar de um ano de trabalho do projeto Shopyard, integrado em Braga Capital Portuguesa da Cultura 2025<\/p>\n","protected":false},"author":58,"featured_media":7041,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[13,147,144,141,61,19],"class_list":["post-7029","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cobertura","tag-braga25","tag-daniel-duarte-pereira","tag-shopping-santa-cruz","tag-shopyard","tag-space-transcribers","tag-um-ano-de-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7029","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/58"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7029"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7029\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7047,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7029\/revisions\/7047"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7041"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7029"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7029"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7029"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}