{"id":7056,"date":"2025-11-16T09:00:00","date_gmt":"2025-11-16T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/?p=7056"},"modified":"2025-11-21T10:46:22","modified_gmt":"2025-11-21T10:46:22","slug":"jovens-debatem-colonialismo-em-projeto-artistico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bs.xl.pt\/um-ano-de-cultura\/cobertura\/jovens-debatem-colonialismo-em-projeto-artistico\/","title":{"rendered":"Jovens debatem colonialismo em projeto art\u00edstico"},"content":{"rendered":"\n<p>Se h\u00e1 tema que em Portugal ainda \u00e9 pouco explorado e quase tabu \u00e9 o do colonialismo. A programa\u00e7\u00e3o de Braga 25 Capital Portuguesa da Cultura trouxe o tema para a agenda com o projeto \u201cO que fazemos com isto? \u2013 Pensar quest\u00f5es coloniais\u201d. Nos dias 20 e 21 de novembro, no gnration, em Braga, ser\u00e3o apresentados um livro de contos, um filme e performances. O projeto \u00e9 o resultado de diversos encontros promovidos entre jovens \u2013 com liga\u00e7\u00e3o a Braga e\/ou pa\u00edses de l\u00edngua oficial portuguesa \u2013, artistas de diferentes disciplinas, pensadores e ativistas.<\/p>\n\n\n\n<p> Hugo Cruz, diretor art\u00edstico, e Luege D\u2019Olim e Chisoka Sim\u00f5es, membros do grupo de jovens envolvidos no processo, contaram como foi participar desta experi\u00eancia \u00fanica. O que \u00e9 \u201cisto\u201d que o projeto nos convida a repensar? \u201cEsta pergunta \u00e9 o ponto de partida do projeto e tenta traduzir a sensa\u00e7\u00e3o generalizada que se tem quando se pretende discutir as quest\u00f5es coloniais. Por ser um assunto que gera os mais distintos desconfortos, com diferentes perspetivas, e representa muitas feridas abertas, a tend\u00eancia \u2013 nomeadamente na cultura portuguesa \u2013 \u00e9 a de preferir n\u00e3o falar, n\u00e3o desconstruir, n\u00e3o questionar narrativas, no fundo, n\u00e3o se confrontar\u201d, afirma Hugo Cruz. <\/p>\n\n\n\n<p>Aqui existiu di\u00e1logo aberto e constru\u00e7\u00e3o. Os v\u00e1rios encontros entre jovens de Braga e dos pa\u00edses de l\u00edngua oficial portuguesa com artistas de diferentes disciplinas e pensadores foram reveladores para quem neles participou. Luege D\u2019Olim, uma das jovens envolvidas, resume assim o que vivenciou: \u201cEste encontro de hist\u00f3rias, mem\u00f3rias e identidades fez-nos descobrir que, apesar de sermos de diferentes pa\u00edses, temos a humanidade e a lusofonia em comum, esta lusofonia engloba a l\u00edngua, a hist\u00f3ria do passado e o nosso presente, que remete para a imigra\u00e7\u00e3o, e ao presente dos jovens em Braga, que passam a conhecer outras geografias, e apresenta-nos tamb\u00e9m a geografia da pr\u00f3pria cidade\u201d. <\/p>\n\n\n<div class=\"uk-inline\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.xl.pt\/bs\/uploads\/sites\/208\/2025\/11\/o-que-fazemo-scom-isto-2-1200x630.jpg\" alt=\"Jovens debatem colonialismo em projeto art\u00edstico\" loading=\"lazy\" \/><\/div><p class=\"uk-hidden@s uk-text-small uk-text-muted uk-margin-small-top uk-margin-medium-bottom uk-text-left\"><\/p>\n\n\n\n<p>Luege conta como o projeto \u201ctrouxe \u00e0 superf\u00edcie a hist\u00f3ria das nossas fam\u00edlias, como aprendemos a ver os outros\u201d e como \u201catrav\u00e9s da arte \u00e9 poss\u00edvel expressar aquilo que no quotidiano seria ignorado, como as nossas simples viv\u00eancias e opini\u00f5es&#8221;. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Biblioteca e oficina criativa com Ondjaki<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A heran\u00e7a colonial \u00e9 um tema que muitas vezes gera desconforto. Um desconforto que foi transformado em cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica e di\u00e1logo, como explica o diretor art\u00edstico Hugo Cruz. &#8220;Num primeiro momento, este projeto procurou ativar o pensamento cr\u00edtico, criando espa\u00e7o para que este grupo de jovens de Braga com liga\u00e7\u00f5es aos pa\u00edses de l\u00edngua oficial portuguesa pudesse abordar e investigar este tema, cruzando-se nesse processo com artistas, ativistas e pensadores. Neste momento, foi tamb\u00e9m criada, de forma org\u00e2nica, uma biblioteca comunit\u00e1ria composta por livros relacionados com o tema.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Numa segunda fase, avan\u00e7aram para a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, \u201ccom o trabalho de escrita orientado pelo escritor angolano Ondjaki, que permitiu partir de hist\u00f3rias que o pr\u00f3prio grupo trouxe e desenvolver um processo de ficcionaliza\u00e7\u00e3o para criar dez contos originais que integram o livro de contos \u201cTudo isto \u00e9 futuro\u201d. <\/p>\n\n\n\n<p>As hist\u00f3rias que o grupo trouxe partiram de testemunhos reais, explicou Luege D&#8217;Olim, estudante internacional na Universidade do Minho, envolvida em projetos culturais e associativos em Braga, membro da Sec\u00e7\u00e3o de Estudantes Africanos da AAUM, que acredita que a melhor integra\u00e7\u00e3o pode ser promovida tamb\u00e9m em contextos culturais. \u201cO p\u00fablico vai encontrar nestes contos hist\u00f3rias que sempre pairaram sobre as suas mentes, mas nunca contadas do seu pr\u00f3prio ponto de vista. Porque ser\u00e1 o ponto de vista de jovens que os convidam a abra\u00e7ar outras realidades, questionar caminhos e reescrever novas hist\u00f3rias no futuro\u201d. Desde os \u201creflexos que somos na vida dos outros e ao espelho, as perguntas que fazemos aos educadores, as desigualdades sociais, a forma como lidamos com animais, as lembran\u00e7as presentes de um passado e o futuro das nossas rela\u00e7\u00f5es sociais, o livro d\u00e1 a oportunidade de o p\u00fablico se p\u00f4r no lugar das personagens destes contos, sendo \u2018tudo isto futuro&#8217; como seria?&#8221;, referiu Luege. <\/p>\n\n\n\n<p>Outra camada deste livro resulta do convite a tr\u00eas ilustradores que expandiram este di\u00e1logo para o universo visual. Os contos originais e as ilustra\u00e7\u00f5es ser\u00e3o, ainda, inspira\u00e7\u00f5es para a performance a apresentar dia 21 de novembro e que fecha o ciclo no gnration: Pe\u00e7a- -Con(ser)to. Finalmente, ser\u00e1 ainda apresentada uma instala\u00e7\u00e3o que dialoga com todo o processo deste projeto, da autoria do Diogo Gazella, e ativadas duas rodas de conhecimento com v\u00e1rios convidados, em que se prop\u00f5em conversas que expandem os debates promovidos pelas obras art\u00edsticas, descreveu o diretor art\u00edstico.<\/p>\n\n\n<div class=\"uk-inline\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.xl.pt\/bs\/uploads\/sites\/208\/2025\/11\/O-que-fazemos-com-isto-1-1200x630.jpg\" alt=\"Jovens debatem colonialismo em projeto art\u00edstico\" loading=\"lazy\" \/><\/div><p class=\"uk-hidden@s uk-text-small uk-text-muted uk-margin-small-top uk-margin-medium-bottom uk-text-left\"><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Nas \u201cmalhas coloniais\u201d de Braga <\/h2>\n\n\n\n<p>A cidade de Braga tamb\u00e9m \u00e9 palco e mat\u00e9ria-prima do projeto. A visita guiada \u201cDesbravar Imp\u00e9rios: Passeio pelas Malhas Coloniais de Braga\u201d vai revelar ao p\u00fablico \u201ca estreita liga\u00e7\u00e3o de Braga com o esfor\u00e7o imperial e colonial portugu\u00eas. \u00c9 algo que podemos preferir n\u00e3o ver, mas que faz parte da nossa hist\u00f3ria e mostra como as estruturas atuais se fortalecem\u201d, refere Chisoka Sim\u00f5es, investigador e doutorando em Estudos Culturais na Universidade do Minho (Braga). <\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s de v\u00e1rios exemplos pr\u00e1ticos, como nomes de ruas e s\u00edmbolos em monumentos, pretende-se \u201cmostrar como a mentalidade colonial ultrapassa o fim formal do imp\u00e9rio portugu\u00eas\u201d. Por isso, \u201cconvidamos as pessoas a inscreverem-se, pois achamos que esta visita \u00e9 um bom exerc\u00edcio para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais consciente do \u2018Outro\u2019. E, assim, compreender que tudo pode ser confrontado, at\u00e9 o passado colonial portugu\u00eas\u201d, real\u00e7a Chisoka Sim\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rodas de conhecimento <\/h2>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma forte componente de partilha e conversa no projeto \u201cO que fazemos com isto? \u2013 Pensar quest\u00f5es coloniais\u201d atrav\u00e9s de rodas de conhecimento e momentos de pensamento. \u201cEsperamos que o p\u00fablico se relacione com os diferentes momentos, que se relacione com diferentes est\u00e9ticas e perspetivas, e a partir da\u00ed, possa produzir outras perce\u00e7\u00f5es e ideias que desconstrua uma narrativa \u00fanica que nos foi contada, uma hist\u00f3ria que glorificada o nosso papel enquanto colonizadores\u201d, observa Hugo Cruz. <\/p>\n\n\n\n<p>Ao fim de um ano de encontros, livros e arte, o que \u00e9 que \u201cestamos a fazer com isto\u201d? Luege D\u2019Olim responde: \u201cSinto que \u2018estamos a fazer com isto\u2019 novas realidades, novos caminhos em que o que \u00e9 passado \u00e9 dito por todas as partes de modo a n\u00e3o se repetir, estamos a fazer arte, que pode ser absorvida para chamar a aten\u00e7\u00e3o sobre a humanidade que est\u00e1 presente em todos, estamos a curar destinos e estamos a dar voz, e quando se d\u00e1 voz, o que se segue \u00e9 dar vez.\u201d <\/p>\n\n\n\n<p>E com arte, \u201cj\u00e1 n\u00e3o estamos a pedir consertos, somos n\u00f3s parte que procura tamb\u00e9m consertar, com encontros, estamos a criar comunidade, participa quem achou que nunca teria espa\u00e7o para estar e estar \u00e9 muito mais do que a partilha que tivemos, estar \u00e9 ver o contributo ganhar forma, e o nosso fez-se livro, livre e arte\u201d. Venha participar tamb\u00e9m desta comunidade e descobrir um novo olhar para este passado t\u00e3o recente.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00e2mbito da programa\u00e7\u00e3o de Braga Capital Portuguesa da Cultura, o projeto \u201cO que fazemos<br \/>\ncom isto? \u2013 Pensar quest\u00f5es coloniais\u201d levantou do ch\u00e3o o tema tabu do colonialismo e juntou em<br \/>\ndiversos encontros jovens, artistas e ativistas. 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