{"id":254,"date":"2021-12-20T12:44:12","date_gmt":"2021-12-20T12:44:12","guid":{"rendered":"http:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/?p=254"},"modified":"2024-01-02T10:04:10","modified_gmt":"2024-01-02T10:04:10","slug":"sociedade-inclusiva-ou-preconceituosa-qual-a-realidade-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/diversidade-e-inclusao\/sociedade-inclusiva-ou-preconceituosa-qual-a-realidade-em-portugal\/","title":{"rendered":"Sociedade inclusiva ou preconceituosa: qual a realidade em Portugal?"},"content":{"rendered":"\n<p>A sociedade tem se organizado a partir de grupos homog\u00e9neos, gerando assim desigualdade, discrimina\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o das pessoas que se afastam do grupo de refer\u00eancia ou dominante. Em situa\u00e7\u00f5es extremas, pode deixar pessoas sem acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, aos servi\u00e7os sociais, ao sistema de sa\u00fade e ao mercado de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>A exclus\u00e3o pode ser determinada por desconhecimento e pela exist\u00eancia de estere\u00f3tipos e preconceitos a cerca do outro, do desconhecido. O caminho para se ter uma sociedade mais justa, inclusiva e equitativa pressup\u00f5e a elimina\u00e7\u00e3o de estere\u00f3tipos e preconceitos que ainda subsistem n\u00e3o s\u00f3 em Portugal, como a n\u00edvel mundial, contra determinadas minorias.<\/p>\n\n\n\n<p>Express\u00f5es e atitudes racistas, discriminat\u00f3rias e depreciativas ainda s\u00e3o uma realidade quer sejam adotadas de forma consciente ou n\u00e3o. No dia a dia \u00e9 frequente usar-se express\u00f5es ou mesmo prov\u00e9rbios populares que revelam algum tipo de preconceito, acabando os ostracizar determinados grupos de pessoas. O simples facto de se usar ditos populares \u2013 como \u201cA mulher honrada sempre deve ser calada\u201d, \u201cUm olho no burro, outro no cigano\u201d, \u201cPareces uma menina\u201d \u2013, e sem nos apercebermos, j\u00e1 se est\u00e1 a perpetuar estere\u00f3tipos negativos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Comunicar sem excluir<\/h2>\n\n\n\n<p>A associa\u00e7\u00e3o Fala Terra fez o levantamento de express\u00f5es que t\u00eam uma conota\u00e7\u00e3o preconceituosa e lan\u00e7ou o \u201cGloss\u00e1rio de Express\u00f5es Discriminat\u00f3rias\u201d, dirigido a quem produz conte\u00fados e \u00e0 sociedade em geral com o mote de se tentar perceber onde \u00e9 que se pode mudar a linguagem e tornar a comunica\u00e7\u00e3o mais justa e inclusiva.<\/p>\n\n\n\n<p>A presidente da Fala Terra, Carla Isidoro, explica que \u201cs\u00e3o express\u00f5es que s\u00e3o usadas de forma corriqueira, mas que discriminam, p\u00f5em determinadas pessoas de parte e privilegiam determinadas pessoas em detrimento de outras\u201d. Para Carla Isidoro, \u201cesta \u00e9 uma maneira de mudar comportamentos, ajudar as pessoas a tomarem consci\u00eancia de que determinadas express\u00f5es n\u00e3o devem ser perpetuadas porque podem magoar, reduzir e catalogar as pessoas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A cofundadora da Fala Terra sublinha que ainda n\u00e3o h\u00e1 um levantamento a n\u00edvel nacional sobre os preconceitos que continuam a existir, mas refere que nos \u00faltimos dois anos estas discuss\u00f5es t\u00eam sido levantadas e discutidas publicamente, sobretudo, nas redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cConseguimos perceber que, de facto, existe muita discrimina\u00e7\u00e3o na maneira como comunicamos uns com os outros. Pessoas que se sentem postas de parte, que se sentem discriminadas, sejam mulheres, pessoas negras ou com algum tipo de defici\u00eancia, t\u00eam levantado a sua voz nos \u00faltimos anos de uma forma sem paralelo na sociedade portuguesa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Carla Isidoro assume que existe discrimina\u00e7\u00e3o na sociedade portuguesa nas suas v\u00e1rias vertentes, cen\u00e1rio que s\u00f3 ir\u00e1 desaparecer com a mudan\u00e7a de mentalidades. O processo de mudan\u00e7a j\u00e1 se iniciou, mas demora bastante tempo. Ainda assim, destaca que \u201cestamos num patamar mais elevado do que h\u00e1 dois anos. Houve melhorias enormes\u201d. Referindo-se \u00e0 componente de g\u00e9nero, defende que \u201cprecisamos de ver mais mulheres em todos os cargos. <strong>Ainda vivemos numa sociedade em que os homens ocupam a maioria dos lugares de decis\u00e3o<\/strong>\u201d, diz a presidente da associa\u00e7\u00e3o Fala Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com a publica\u00e7\u00e3o de livros que refor\u00e7am a consci\u00eancia para o papel da representatividade das mulheres na sociedade, ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mais consci\u00eancia inclusiva e respons\u00e1vel<\/h2>\n\n\n\n<p>Carla Isidoro admite que j\u00e1 come\u00e7a a haver \u201cuma consci\u00eancia mais inclusiva e respons\u00e1vel nas empresas. Vemos isso a acontecer nos programas de diversidade e inclus\u00e3o que muitas empresas est\u00e3o a adotar em Portugal\u201d. E sublinha que a quest\u00e3o da representatividade \u00e9 importante porque \u201cquantas vezes olhamos para determinadas estruturas institucionais, sejam multinacionais ou grandes empresas, e continuamos a ver que s\u00e3o homens brancos que est\u00e3o na decis\u00e3o. S\u00e3o maioritariamente as mulheres que est\u00e3o na base da sua estrutura e, mais grave ainda, raramente conseguimos encontrar mulheres negras em lugares de expressividade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A mesma fonte conclui: \u201cTudo isto implica uma reestrutura\u00e7\u00e3o interna que demora muito tempo, cria muito atrito e implica que haja uma mudan\u00e7a na estrutura e nas pr\u00f3prias equipas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Os estere\u00f3tipos e preconceitos que levam \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o t\u00eam como base variadas dimens\u00f5es da identidade pessoal, particularmente as diferen\u00e7as relativas ao sexo, identidade de g\u00e9nero, orienta\u00e7\u00e3o sexual, etnia, religi\u00e3o, l\u00edngua, nacionalidade, idade, estado civil, situa\u00e7\u00e3o familiar, situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica, estado de sa\u00fade e defici\u00eancia. Vamos agora focar na discrimina\u00e7\u00e3o com base no g\u00e9nero e na defici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se trata de discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00e9nero, as mulheres continuam a ser mais discriminadas do que os homens, sendo muitas vezes alvo de express\u00f5es sexistas, tem menos oportunidades de acesso a cargos de decis\u00e3o e t\u00eam maior press\u00e3o social para conciliarem o trabalho dom\u00e9stico com o emprego. <strong>O trabalho de cuidados n\u00e3o remunerado levado a cabo por mulheres \u00e9 quase o dobro daquele que \u00e9 realizado por homens nos pa\u00edses da OCDE. Ao n\u00edvel das tarefas dom\u00e9sticas, em Portugal, a mulher efetua, em m\u00e9dia, 74% dessas tarefas, enquanto o homem com quem vive efetua, em m\u00e9dia, 23%<\/strong>, de acordo com um estudo da <a href=\"https:\/\/www.ffms.pt\/mulher-em-portugal\/3591\/o-trabalho-nao-pago\">Funda\u00e7\u00e3o Manuel Francisco dos Santos<\/a>, baseada em dados da OCDE.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com as Na\u00e7\u00f5es Unidas, em todo o mundo as mulheres s\u00e3o mais afetadas pela pobreza e a pandemia COVID-19 veio agravar ainda mais as condi\u00e7\u00f5es de vida das mulheres economicamente mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>As desigualdades entre mulheres e homens continuam not\u00f3rias ao n\u00edvel dos rendimentos, nos ganhos (17,1%) e nas pens\u00f5es (28,4%), sendo que, 69% dos pensionistas com pens\u00f5es mais reduzidas (at\u00e9 438,81\u20ac) s\u00e3o mulheres.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O apelo das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/h2>\n\n\n\n<p>Face a este cen\u00e1rio, que se repete um pouco por todo o mundo, as Na\u00e7\u00f5es Unidas t\u00eam apelado aos Estados que se comprometam com a iniciativa \u201cConstruir o nosso futuro em conjunto\u201d, em que se defende, por exemplo, acabar com as desigualdades estruturais end\u00e9micas que perpetuam a pobreza, em particular a das mulheres, investindo, por exemplo, em empregos de qualidade. Pretende-se implementar uma recupera\u00e7\u00e3o inclusiva garantindo-se que ningu\u00e9m fica para tr\u00e1s, evitando o aumento da vulnerabilidade de determinados grupos populacionais, em que mais uma vez as mulheres s\u00e3o o foco. A ado\u00e7\u00e3o por parte dos Estados de compromissos pol\u00edticos concretos que tenham em considera\u00e7\u00e3o todas as mulheres e raparigas, dotados de investimentos relevantes que visem a realiza\u00e7\u00e3o da igualdade entre mulheres e homens, ser\u00e1 uma das ferramentas para se concretizar este prop\u00f3sito.<\/p>\n\n\n\n<p>No local de trabalho, a estimativa global para a diferen\u00e7a de remunera\u00e7\u00e3o entre mulheres e homens \u00e9 de 23%. Dados das Na\u00e7\u00f5es Unidas referem que, atualmente, por cada d\u00f3lar auferido por um homem, uma mulher recebe apenas 0,77 c\u00eantimos. <strong>Na Uni\u00e3o Europeia, as mulheres recebem, em m\u00e9dia, menos 16%\/hora do que os homens. Em Portugal, dados INE, indicam que a diferen\u00e7a salarial entre mulheres e homens situa-se nos 14,4%<\/strong>, um valor acima da m\u00e9dia dos pa\u00edses da OCDE, que ronda os 13%. Mesmo para o desempenho da mesma fun\u00e7\u00e3o, a desigualdade salarial ainda persiste.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda nenhum pa\u00eds conseguiu p\u00f4r termo \u00e0 desigualdade remunerat\u00f3ria que penaliza as mulheres em rela\u00e7\u00e3o aos homens. Tanto a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho como a OCDE e a ONU Mulheres t\u00eam chamado a aten\u00e7\u00e3o para a lentid\u00e3o dos progressos feitos nesta mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Dois s\u00e9culos e meio para se atingir a paridade salarial<\/h2>\n\n\n\n<p>A este ritmo, antecipa-se que <strong>ser\u00e3o necess\u00e1rios mais de 257 anos para, globalmente, se acabar com esta desigualdade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o recente estudo \u201cLivro Branco sobre Equil\u00edbrio entre Mulheres e Homens nos \u00d3rg\u00e3os de Gest\u00e3o e Planos para a Igualdade nas Empresas\u201d, a lei da paridade nas empresas cotadas em bolsa resultou, em tr\u00eas anos, num aumento de mulheres em cargos n\u00e3o executivos, mas n\u00e3o teve o mesmo efeito em cargos executivos. O estudo, desenvolvido no \u00e2mbito do projeto \u201cWomen on Boards\u201d \u2013 realizado nos \u00faltimos tr\u00eas anos \u2013, conclui que \u201cse verificou uma evolu\u00e7\u00e3o positiva em termos num\u00e9ricos, com efeito not\u00f3rio nas maiores empresas cotadas em bolsa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que aqu\u00e9m da paridade, os 28,1% de mulheres nos \u00f3rg\u00e3os de administra\u00e7\u00e3o das empresas do PSI-20 identificadas em maio de 2021 representam um aumento de 25,5 pontos percentuais face a 2008. Por um lado, h\u00e1 um aumento na nomea\u00e7\u00e3o de mulheres para cargos n\u00e3o executivos e de fiscaliza\u00e7\u00e3o. Mas, por outro lado, esse crescimento n\u00e3o teve o mesmo efeito no que se refere a nomea\u00e7\u00f5es para cargos executivos, dizem os autores do estudo. \u201cApenas uma mulher ocupa o cargo de Chief Executive Officer (CEO) e duas mulheres presidem a \u00f3rg\u00e3os de administra\u00e7\u00e3o daquelas empresas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Valorizar sem discriminar<\/h2>\n\n\n\n<p>Em Portugal, durante a crise pand\u00e9mica, o n\u00famero de desempregados com defici\u00eancia inscritos no Instituto do Emprego e Forma\u00e7\u00e3o Profissional (IEFP) aumentou 10%, registando-se uma forte descida nas contrata\u00e7\u00f5es. Os n\u00fameros do IEFP e do Instituto Nacional para a Reabilita\u00e7\u00e3o (INR) indicam que <strong>apenas 17% das pessoas com defici\u00eancia t\u00eam rendimentos do trabalho, sendo que a maioria vive dependente de presta\u00e7\u00f5es sociais (65,7%)<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Face a este cen\u00e1rio, \u00e9 urgente pensar numa empregabilidade inclusiva, que seja vista com naturalidade a curto prazo. A Lei n\u00ba4\/2019 estabeleceu um regime obrigat\u00f3rio de quotas de contrata\u00e7\u00e3o de pessoas com defici\u00eancia, aplic\u00e1vel a m\u00e9dias e grandes empresas, que est\u00e1 ainda longe de ser cumprido. Mas come\u00e7a a haver exemplos de progresso, at\u00e9 porque as quotas t\u00eam de ser alcan\u00e7adas no prazo de quatro a cinco anos, consoante a dimens\u00e3o da empresa. Existem subs\u00eddios para financiar as adapta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias do posto de trabalho para a pessoa com defici\u00eancia, seja em termos de mobilidade e acessos ou de dispositivos especiais. O IEFP disponibiliza diversos instrumentos de apoio \u00e0 inser\u00e7\u00e3o profissional de Pessoas com Defici\u00eancia, desde a sele\u00e7\u00e3o e recrutamento \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o do posto de trabalho, passando pela redu\u00e7\u00e3o ou isen\u00e7\u00e3o de taxas.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de o panorama n\u00e3o ser ainda de total inclus\u00e3o, a verdade \u00e9 que come\u00e7am a nascer na sociedade iniciativas que n\u00e3o querem deixar ningu\u00e9m para tr\u00e1s. \u00c9 o caso da Unidade de Miss\u00e3o Valor T, cujo prop\u00f3sito \u00e9 dedicado \u00e0s pessoas com defici\u00eancia e na sua empregabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A diretora da Valor T, Vanda Nunes, explica que esta plataforma pretende gerar parcerias com as entidades empregadoras, e surge \u201ccomo um contributo da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Lisboa para garantir um processo de recrutamento concebido para potenciar e valorizar as compet\u00eancias, o talento, das pessoas com defici\u00eancia e para traduzir uma resposta efetiva \u00e0s oportunidades geradas pelo mercado de trabalho com o qual fazemos pontes\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vanda Nunes sublinha que, para levar a cabo um projeto como a Valor T, \u201ctivemos de nos focar n\u00e3o na exist\u00eancia de estere\u00f3tipos e preconceitos, mas na forma de os quebrar. Foi aqui que nos concentr\u00e1mos como ponto de partida e \u00e9 assim que nos motivamos e procuramos mobilizar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na hora de recrutar, \u201cn\u00e3o nos foquemos desde logo e \u00e0 partida na defici\u00eancia, na incapacidade, mas antes na capacidade e vontade de responder \u00e0 oportunidade que a todos deve ser concedida, na concretiza\u00e7\u00e3o de direitos e deveres que devem estruturar um mercado de trabalho que se mobilize efetivamente pelo m\u00e9rito\u201d, defende Vanda Nunes.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a diretora da Valor T, \u201crelativamente \u00e0 defici\u00eancia, diria que, como em outras \u00e1reas, a exist\u00eancia de estere\u00f3tipos e preconceitos se deve ao desconhecimento individual, \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o, \u00e0 dist\u00e2ncia que, consciente ou inconscientemente, se cria por se pressupor como \u2018um problema de outros\u2019, os \u2018outros que n\u00e3o somos n\u00f3s\u2019, os \u2018outros que n\u00e3o est\u00e3o nas nossas vidas\u2019, e creio mesmo que \u00e9 este alheamento que coletivamente se tem perpetuado na sociedade que gera e alimenta preconceitos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Defende que \u201cimporta antes agir orientados para as solu\u00e7\u00f5es e, por isso, lan\u00e7\u00e1mos a Valor T com uma ampla campanha de divulga\u00e7\u00e3o que quisemos difundir pelo pa\u00eds, em hor\u00e1rio nobre de televis\u00f5es, em muitos jornais, uma campanha positiva, mobilizadora, feita de garra e sorrisos de esperan\u00e7a, de pessoas para pessoas, as pessoas que n\u00e3o s\u00e3o afinal \u2018outros\u2019, mas s\u00e3o antes e sempre n\u00f3s\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto aos desafios que as pessoas com defici\u00eancia ainda enfrentam no mercado de trabalho, a mesma fonte diz que: \u201cOs constrangimentos e desafios s\u00e3o os que qualquer pessoa enfrenta, somando-se muitos outros que se prendem com as exig\u00eancias acrescidas de acessibilidade, adapta\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o para cada tipologia de defici\u00eancia. Mas acima de tudo com a discrimina\u00e7\u00e3o que tende a eliminar a oportunidade de vir sequer a ser considerado, j\u00e1 nem digo avaliado, num processo de recrutamento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Questionada sobre a aceita\u00e7\u00e3o deste projeto no tecido empresarial, Vanda Nunes n\u00e3o tem d\u00favidas de que, apesar das dificuldades inerentes \u00e0 crise pand\u00e9mica, \u201cas nossas empresas e os nossos empres\u00e1rios, que d\u00e3o cartas em mat\u00e9ria de resili\u00eancia, criatividade para encontrar solu\u00e7\u00f5es e capacidade de trabalho, t\u00eam vindo a dizer \u2018presente\u2019 \u00e0 Valor T e \u00e0 miss\u00e3o coletiva que juntos estamos a trabalhar para concretizar\u201d. E detalha que, neste momento, \u201cmais de cem entidades empregadoras se registaram na plataforma, de diferentes \u00e1reas de atividade, que pretendem iniciar este caminho de contribuir para um mercado de trabalho, no qual se criem mais e melhores oportunidades, de conseguir e valorizar um trabalho digno\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre as categorias de empregos, refere que ainda \u00e9 cedo para se conseguir fazer essa segmenta\u00e7\u00e3o \u201cporque essa procura, na fase em que estamos, decorre ainda da dimens\u00e3o das necessidades das entidades e aqui as grandes cadeias de supermercados assumem naturalmente essa dimens\u00e3o, o que \u00e9 \u00f3timo pela oportunidade massificadora que trazem a todo o territ\u00f3rio\u201d. Adianta ainda que a Valor T est\u00e1 a trabalhar com todos os setores de atividade, para que as especificidades de cada setor sejam consideradas neste encontro para que os candidatos e as necessidades das empresas sejam feitos com pr\u00e9vio conhecimento, adequa\u00e7\u00e3o e a melhor integra\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. \u201cTrabalhamos num processo de \u2018match\u2019 pr\u00f3ximo e personalizado para que possamos contribuir para uma rela\u00e7\u00e3o de trabalho frutuosa e est\u00e1vel\u201d, explica ainda. A faixa et\u00e1ria com maior preponder\u00e2ncia est\u00e1 entre os 18 e os 30 anos, sendo que h\u00e1 candidatos de todas as idades.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao que falta fazer para mudar situa\u00e7\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o, Vanda Nunes acredita que \u201co tempo \u00e9 de trabalhar de modo concertado, fazer pontes, somar e dimensionar boas pr\u00e1ticas que tantas institui\u00e7\u00f5es concretizam e n\u00e3o nos permitirmos multiplicar em estudos e recursos, mas antes somar aprendizagens e agir\u201d. \u201cSinto que estamos no caminho certo e que a consci\u00eancia c\u00edvica \u00e9 a for\u00e7a mobilizadora mais capaz de gerar na sociedade a efetiva mudan\u00e7a\u201d, conclui Vanda Nunes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Determinados grupos da sociedade, correntemente designados de minorias, ainda sentem no dia a dia o poder discriminat\u00f3rio de certas atitudes e express\u00f5es. Quer seja por serem de diferente origem \u00e9tnica, por terem algum tipo de defici\u00eancia, por serem mulheres, pela sua orienta\u00e7\u00e3o sexual ou identidade de g\u00e9nero \u2013 os preconceitos na nossa sociedade ainda s\u00e3o uma realidade bastante presente. Por isso mesmo, imp\u00f5e-se abertura ao que \u00e9 diferente, desconstru\u00e7\u00e3o de preconceitos e uma urgente mudan\u00e7a de mentalidades.<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":263,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[95,98,50,23,101,92],"class_list":["post-254","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-diversidade-e-inclusao","tag-desigualdade","tag-discriminacao","tag-grupo-ageas-portugal","tag-igualdade-de-genero","tag-inlcusao","tag-vida-sustentavel"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/254","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=254"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/254\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":260,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/254\/revisions\/260"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/media\/263"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=254"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=254"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=254"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}