{"id":278,"date":"2022-01-03T11:28:56","date_gmt":"2022-01-03T11:28:56","guid":{"rendered":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/?p=278"},"modified":"2024-01-02T10:04:09","modified_gmt":"2024-01-02T10:04:09","slug":"alteracoes-climaticas-em-que-medida-afetam-a-nossa-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/alteracoes-climaticas\/alteracoes-climaticas-em-que-medida-afetam-a-nossa-saude\/","title":{"rendered":"Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas: em que medida afetam a nossa sa\u00fade?"},"content":{"rendered":"\n<p>A sa\u00fade e o bem-estar humano est\u00e3o ligados de forma intr\u00ednseca ao equil\u00edbrio do meio ambiental. Os ambientes naturais de boa qualidade respondem a necessidades b\u00e1sicas, em termos de ar puro e \u00e1gua pot\u00e1vel, bem como terrenos f\u00e9rteis para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, energia e mat\u00e9rias-primas. No reverso da moeda, o ambiente representa um ve\u00edculo importante para a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, ao ru\u00eddo e produtos qu\u00edmicos perigosos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um problema a n\u00edvel Mundial<\/h2>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o em que o que o Planeta se encontra atualmente, principalmente devido ao r\u00e1pido avan\u00e7ar das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, j\u00e1 est\u00e1 a ter um grave impacto na sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es. Sem nos apercebermos, os fen\u00f3menos meteorol\u00f3gicos extremos que ocorrem, sobretudo nas regi\u00f5es mais vulner\u00e1veis, est\u00e3o a facilitar a propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as infeciosas, como a mal\u00e1ria e a c\u00f3lera, tornando o clima de outras regi\u00f5es semelhante ao da sua proveni\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros n\u00e3o deixam d\u00favidas quanto a este impacto. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) refere que os fatores de stress ambiental s\u00e3o respons\u00e1veis por 12 a 18% do total de mortes nos 53 pa\u00edses da regi\u00e3o europeia onde tem presen\u00e7a. Apesar dos efeitos serem sentidos de forma mundial, existem fortes varia\u00e7\u00f5es regionais, com algumas partes do mundo a serem severamente mais afetadas do que outras, tanto a n\u00edvel de sa\u00fade como de seguran\u00e7a alimentar. O Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Ambiente (PNUA) refere que um aquecimento global de 2\u00b0C colocaria mais de metade da popula\u00e7\u00e3o de \u00c1frica em risco de malnutri\u00e7\u00e3o. A OMS alertou que a <strong>sa\u00fade de milh\u00f5es de pessoas poder\u00e1 ser amea\u00e7ada<\/strong> pelo aumento da mal\u00e1ria, de doen\u00e7as transmitidas pela \u00e1gua e da malnutri\u00e7\u00e3o. Estes fatores ter\u00e3o tamb\u00e9m um impacto nas <strong>migra\u00e7\u00f5es humanas<\/strong>, com um aumento previsto do n\u00famero de refugiados causado pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, n\u00e3o s\u00f3 pelo colapso de zonas agr\u00edcolas (secas extremas e inunda\u00e7\u00f5es), como pelo aumento da frequ\u00eancia de eventos extremos com consequente destrui\u00e7\u00e3o de infraestruturas e habita\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m colocando em risco os mais de 800 milh\u00f5es de pessoas que vivem em zonas costeiras, amea\u00e7adas pela subida do n\u00edvel m\u00e9dio do mar.<\/p>\n\n\n\n<p>A M\u00e9dicos Sem Fronteiras, que lida com popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis em cerca de 80 pa\u00edses, assume que no dia a dia da sua atividade \u00e9 not\u00f3rio o surgimento de problemas e doen\u00e7as que resultam do impacto das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. O representante da M\u00e9dicos Sem Fronteiras em Portugal, Jo\u00e3o Antunes, assume que: \u201cEstamos a ver nas nossas salas de espera as consequ\u00eancias do fen\u00f3meno das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas em zonas que est\u00e3o mais vulner\u00e1veis a estas situa\u00e7\u00f5es como no Sul da \u00c1sia, Pac\u00edfico, M\u00e9dio Oriente, Sahel, \u00c1frica Austral e Am\u00e9rica Central\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Antunes refere que, em todas estas regi\u00f5es \u201cestamos a ver as consequ\u00eancias diretas destes fen\u00f3menos a v\u00e1rios n\u00edveis. Assim como, a n\u00edvel indireto, j\u00e1 que em muitas regi\u00f5es h\u00e1 uma diminui\u00e7\u00e3o das \u00e1reas cultiv\u00e1veis. Com as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas h\u00e1 mudan\u00e7as nos padr\u00f5es do comportamento das \u00e9pocas das chuvas que se podem traduzir no aumento da desnutri\u00e7\u00e3o, das doen\u00e7as infeciosas transmitidas pelos mosquitos ou pela m\u00e1 qualidade da \u00e1gua que origina c\u00f3lera e diarreias. Tudo isto tem impacto direto na qualidade de vida das pessoas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a OMS, at\u00e9 2040 as mortes como consequ\u00eancia dos efeitos negativos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas v\u00e3o aumentar para 250 mil por ano, a n\u00edvel mundial. Al\u00e9m destes n\u00fameros, a OMS refere que os <strong>fen\u00f3menos meteorol\u00f3gicos extremos<\/strong> j\u00e1 figuram entre os principais impactos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas na sa\u00fade p\u00fablica. Prev\u00ea-se um aumento da mortalidade causada pelas ondas de calor e pelas inunda\u00e7\u00f5es, sobretudo na Europa, e a diferente distribui\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as transmitidas por vetores (como os mosquitos) tamb\u00e9m afetar\u00e1 a sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Prev\u00ea-se que as ondas de calor, um dos fen\u00f3menos meteorol\u00f3gicos extremos com tend\u00eancia a aumentar, v\u00e3o causar, em 2050, 120 mil mortes adicionais por ano na Uni\u00e3o Europeia, representando um custo econ\u00f3mico de 150 mil milh\u00f5es de euros, se n\u00e3o forem tomadas novas medidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outubro de 2021, nas v\u00e9speras da realiza\u00e7\u00e3o da COP26, em Glasgow, a OMS relembrou que, atualmente, as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o \u201ca maior amea\u00e7a \u00e0 sa\u00fade da humanidade\u201d, e apelou aos governos para sa\u00edrem da pandemia de uma forma \u201csaud\u00e1vel e verde\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica<\/strong> constitui o maior risco ambiental para a sa\u00fade na Europa e est\u00e1 associada a doen\u00e7as card\u00edacas, acidentes vasculares cerebrais (AVC), doen\u00e7as pulmonares e cancro do pulm\u00e3o. Calcula-se que a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica resulte em mais de <strong>400 mil mortes prematuras<\/strong> na UE por ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria Neira, diretora do departamento da OMS para o Ambiente, Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas e Sa\u00fade, real\u00e7ou que <strong>reduzir a polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica para os n\u00edveis recomendados pela organiza\u00e7\u00e3o evitaria 80% dos cerca de sete milh\u00f5es de mortes provocadas todos os anos pelos efeitos da polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA sa\u00fade ser\u00e1 a motiva\u00e7\u00e3o para acelerar e para fazer mais para combater as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, que afetam os pilares da sa\u00fade: alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e1gua e qualidade do ar\u201d, alertou Maria Neira.<\/p>\n\n\n\n<p>No relat\u00f3rio que elaborou sobre esta tem\u00e1tica, a OMS prev\u00ea que \u201cmais de 90% dos seres humanos respiram n\u00edveis nocivos, para a sa\u00fade, de polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E refere que uma mudan\u00e7a, por exemplo, no setor alimentar, no sentido de regimes alimentares mais \u201cnutritivos e \u00e0 base de vegetais\u201d poderia reduzir as emiss\u00f5es de gases com efeito de estufa para a atmosfera e \u201cevitar at\u00e9 5,1 milh\u00f5es de mortes relacionadas com a alimenta\u00e7\u00e3o at\u00e9 2050\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>polui\u00e7\u00e3o sonora<\/strong> \u00e9 um grave problema, tanto para o ambiente, como para a sa\u00fade humana, afetando a nossa qualidade de vida e sa\u00fade mental. A exposi\u00e7\u00e3o ao ru\u00eddo gerado, por exemplo, pelos meios de transporte e pela ind\u00fastria pode causar irritabilidade, dist\u00farbios do sono, aumento do risco de hipertens\u00e3o e de doen\u00e7as cardiovasculares, bem como defici\u00eancia cognitiva nas crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a an\u00e1lise de Eulalia Peris, especialista em ru\u00eddo ambiental da Ag\u00eancia Europeia do Ambiente (EEA), sobre o relat\u00f3rio &#8220;Environmental noise in Europe \u2014 2020&#8221;, o ru\u00eddo ambiental e, particularmente, o ru\u00eddo do tr\u00e1fego rodovi\u00e1rio, continua a ser um grave problema ambiental que afeta a sa\u00fade e o bem-estar de milh\u00f5es de europeus, com cerca de 20% da popula\u00e7\u00e3o europeia, correspondente a <strong>mais de 100 milh\u00f5es de pessoas<\/strong>, continuam a ser expostas a n\u00edveis de ru\u00eddo prolongados e nocivos \u00e0 sa\u00fade. Segundo dados deste relat\u00f3rio, estima-se que o ru\u00eddo ambiental contribua para 48 mil novos casos de doen\u00e7a card\u00edaca isqu\u00e9mica por ano, bem como para <strong>12 mil mortes prematuras<\/strong>. Estima ainda que 22 milh\u00f5es de pessoas sofram de um elevado n\u00edvel de inc\u00f3modo cr\u00f3nico e que 6,5 milh\u00f5es de pessoas sofram de perturba\u00e7\u00f5es do sono cr\u00f3nicas. Em resultado do ru\u00eddo do tr\u00e1fego a\u00e9reo, estima que 12 500 crian\u00e7as em idade escolar tenham dificuldades de leitura.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro impacto associado \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, resulta da <strong>exposi\u00e7\u00e3o a subst\u00e2ncias qu\u00edmicas perigosas<\/strong>. A popula\u00e7\u00e3o \u00e9 exposta, diariamente, a uma vasta gama de produtos qu\u00edmicos atrav\u00e9s do ar e da \u00e1gua, da alimenta\u00e7\u00e3o e de outros produtos de consumo. As propriedades de determinados produtos qu\u00edmicos perigosos provocam a sua persist\u00eancia no ambiente e a sua bioacumula\u00e7\u00e3o nos organismos vivos, com bioamplia\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a> sobre a restante cadeia alimentar, o que significa que haver\u00e1 um desfasamento temporal consider\u00e1vel antes de as redu\u00e7\u00f5es da exposi\u00e7\u00e3o se traduzir numa redu\u00e7\u00e3o de efeitos. Esta situa\u00e7\u00e3o suscita preocupa\u00e7\u00f5es quanto aos efeitos na sa\u00fade da exposi\u00e7\u00e3o a misturas de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas ao longo da vida, sobretudo durante as fases mais vulner\u00e1veis da vida, como em crian\u00e7as, gr\u00e1vidas e idosos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Portugal ainda a marcar passo<\/h2>\n\n\n\n<p>O presidente da ZERO \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Sistema Terrestre Sustent\u00e1vel, Francisco Ferreira, corrobora que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas afetam a sa\u00fade p\u00fablica. \u201cEm termos dos v\u00e1rios sistemas vulner\u00e1veis \u00e0 crise clim\u00e1tica podemos falar dos alimentos, da \u00e1gua e da sa\u00fade global. Em 2018, um relat\u00f3rio da revista Lancet sobre sa\u00fade identificou as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas como a maior amea\u00e7a global de sa\u00fade do s\u00e9culo XXI\u201d, detalha Francisco Ferreira.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente da ZERO refere que a sa\u00fade se liga a um conjunto de \u00e1reas fundamentais: aos fen\u00f3menos meteorol\u00f3gicos extremos, \u00e0s doen\u00e7as infeciosas, \u00e0 \u00e1gua, \u00e0 sa\u00fade mental, aos alerg\u00e9nios, ao stress associado ao calor, \u00e0 polui\u00e7\u00e3o do ar, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O dirigente da ZERO destaca que as pessoas mais vulner\u00e1veis ao calor s\u00e3o as que t\u00eam menos recursos econ\u00f3micos, que se encontram em situa\u00e7\u00e3o de sem abrigo, os mais idosos, as crian\u00e7as, as pessoas que t\u00eam problemas card\u00edacos e respirat\u00f3rios, bem como os trabalhadores que t\u00eam de exercer a sua atividade no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se fala dos problemas alerg\u00e9nicos, a mesma fonte lembra que se estima que, com as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, se possa ter uma \u00e9poca de presen\u00e7a de p\u00f3lenes muito maior que come\u00e7a, por exemplo, nos Estados Unidos. Calcula-se que as plantas est\u00e3o a produzir cerca de 21% a mais de p\u00f3lenes e a \u00e9poca come\u00e7a 20 dias antes em compara\u00e7\u00e3o com a d\u00e9cada de 90.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra \u00e1rea tem a ver com as doen\u00e7as infeciosas. \u201cSabemos que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas est\u00e3o a causar problemas nos ecossistemas naturais e que estamos a promover um caminho mais r\u00e1pido para muitas doen\u00e7as infeciosas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O agravamento das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas adv\u00e9m tamb\u00e9m da desfloresta\u00e7\u00e3o. Francisco Ferreira diz que \u201cna Amaz\u00f3nia, a desfloresta\u00e7\u00e3o nos p\u00f5e em contacto com potenciais doen\u00e7as pand\u00e9micas, e o mesmo acontece nas florestas da Indon\u00e9sia. Calcula-se que haja um aumento da mal\u00e1ria com o decl\u00ednio da cobertura da floresta.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorrem ainda as doen\u00e7as tropicais transmitidas por vetores, que est\u00e3o \u201ccom um movimento maior \u00e0 custa das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Aqui temos, por exemplo, o v\u00edrus do Nilo, a febre do vale do Rifte, a febre do dengue, o zika\u201d, refere Francisco Ferreira.<\/p>\n\n\n\n<p>A liga\u00e7\u00e3o entre altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e a transmiss\u00e3o de doen\u00e7as por vetores deve-se, por exemplo, nas doen\u00e7as transmitidas pelos mosquitos, em que o v\u00edrus fica ativo mais rapidamente quando exposto a temperaturas mais elevadas. Al\u00e9m disso, os mosquitos em temperaturas mais elevadas picam mais vezes, propagando ainda mais estas doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso das inunda\u00e7\u00f5es, h\u00e1 que ter em conta que estas est\u00e3o associadas a doen\u00e7as como a c\u00f3lera, a disenteria, a hepatite A e a febre tifoide. Francisco Ferreira salienta que, nos Estados Unidos, dois ter\u00e7os dos surtos de doen\u00e7as relacionados com a \u00e1gua s\u00e3o precedidos de fen\u00f3menos meteorol\u00f3gicos extremos em termos de precipita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0s medidas para minimizar este impacto, o presidente da ZERO refere que \u201ctemos de olhar para as popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis e ver como se podem tornar mais resilientes. Melhorar a efici\u00eancia das habita\u00e7\u00f5es, informar no sentido de terem h\u00e1bitos que contrariem essas situa\u00e7\u00f5es de calor ou de frio.\u201d No fundo, atuar no sentido da precau\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o panorama em Portugal, Francisco Ferreira sublinha que o impacto tamb\u00e9m j\u00e1 se faz sentir. A t\u00edtulo de exemplo, recorda que, em 2003, cerca de 2300 pessoas \u201cmorreram prematuramente \u00e0 custa da grande onda de calor que teve lugar em agosto. As ondas de calor t\u00eam sido mais extensas, frequentes e intensas. Este \u00e9 o principal impacto em termos de sa\u00fade que temos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sublinha tamb\u00e9m as consequ\u00eancias indiretas, como os inc\u00eandios de 2017, que tiveram impactos graves na sa\u00fade p\u00fablica devido \u00e0s part\u00edculas e aos gases emitidos, sendo que estes inc\u00eandios atingiram tal dimens\u00e3o em grande parte motivado pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas (temperaturas mais elevadas, maior instabilidade atmosf\u00e9rica e per\u00edodos de seca mais prolongados e severos).<\/p>\n\n\n\n<p>O dirigente associativo destaca que Portugal tem uma Estrat\u00e9gia Nacional de Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas (ENAAC), sendo que j\u00e1 26 munic\u00edpios desenvolveram os primeiros Planos de Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas. Nesta fase, h\u00e1 \u201cmuitos munic\u00edpios que est\u00e3o a identificar as suas vulnerabilidades e as a\u00e7\u00f5es que devem ser tomadas. Cada caso \u00e9 um caso. Uma coisa \u00e9 Beja, onde se prev\u00ea que a temperatura venha a aumentar 3 a 7\u00b0C, e outra coisa \u00e9 um local do litoral que possa ser abrangido por cheias significativas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de reconhecer que a Ag\u00eancia Portuguesa do Ambiente (APA) tem vindo a desenvolver a\u00e7\u00f5es como a referida estrat\u00e9gia nacional, refere que \u201cas medidas relativas a esta quest\u00e3o da preven\u00e7\u00e3o da sa\u00fade ainda n\u00e3o passaram \u00e0 pr\u00e1tica, como seria desej\u00e1vel, em coordena\u00e7\u00e3o com a Dire\u00e7\u00e3o-Geral da Sa\u00fade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Francisco Ferreira remata, sem d\u00favidas: \u201cEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00e1rias componentes de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, acho que estamos muito atrasados. Na quest\u00e3o da sa\u00fade j\u00e1 dever\u00edamos ter no terreno pol\u00edticas e medidas e, \u00e0s vezes, acabamos por improvisar face a fen\u00f3menos meteorol\u00f3gicos extremos. J\u00e1 dev\u00edamos ter planos de a\u00e7\u00e3o preparados e medidas de precau\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o para lidar com estes impactos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 assim imperativa a preserva\u00e7\u00e3o e melhoria da qualidade do ambiente, em todos os seus dom\u00ednios, como o ar, a \u00e1gua, o solo, o ru\u00eddo, a floresta e a biodiversidade, de forma a preservar a sa\u00fade humana, prevenir e controlar a propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as e, consequentemente, reduzir as mortes prematuras associadas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> \u201cBioacumula\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 a absor\u00e7\u00e3o e armazenamento de elevadas concentra\u00e7\u00f5es de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas, resultantes de atividades antr\u00f3picas, em determinados tecidos e \u00f3rg\u00e3os dos seres vivos (ex. peixes contaminados por metais pesados); enquanto o conceito de \u201cbioamplia\u00e7\u00e3o\u201d representa o impacto que a bioacumula\u00e7\u00e3o pode causar ao longo dos v\u00e1rios n\u00edveis tr\u00f3ficos de uma cadeia alimentar (ex. presen\u00e7a de metais pesados no organismo humano, devido \u00e0 ingest\u00e3o de peixe contaminado).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os fen\u00f3menos meteorol\u00f3gicos extremos, como ondas de calor e frio, precipita\u00e7\u00f5es torrenciais, inunda\u00e7\u00f5es, secas, tornados, inc\u00eandios florestais, entre outros, tendem a tornar-se cada vez mais frequentes como resultado do avan\u00e7ar das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Este cen\u00e1rio j\u00e1 imp\u00f5e os seus efeitos negativos sobre a sa\u00fade p\u00fablica, com o aumento da propaga\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as, como a c\u00f3lera ou a mal\u00e1ria, ou o impacto sobre condi\u00e7\u00f5es de salubridade e acesso a recursos, como \u00e1gua e solo.<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":284,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[104,125,122,50,116,119,107],"class_list":["post-278","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alteracoes-climaticas","tag-alteracoes-climaticas","tag-desflorestacao","tag-doencas-infeciosas","tag-grupo-ageas-portugal","tag-poluicao-atmosferica","tag-poluicao-sonora","tag-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/278","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=278"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/278\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":287,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/278\/revisions\/287"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/media\/284"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=278"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=278"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=278"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}