{"id":608,"date":"2022-03-08T11:44:30","date_gmt":"2022-03-08T11:44:30","guid":{"rendered":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/?p=608"},"modified":"2024-01-02T10:03:55","modified_gmt":"2024-01-02T10:03:55","slug":"mobilidade-sustentavel-e-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/alteracoes-climaticas\/mobilidade-sustentavel-e-agora\/","title":{"rendered":"Mobilidade sustent\u00e1vel \u00e9 agora"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c9 urgente diminuir o impacto das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. O ano 2000, oficializou a entrada de Portugal num per\u00edodo de seca que n\u00e3o tem dado tr\u00e9guas, culminando em janeiro de 2022, naquele que foi o segundo ano mais seco desde o in\u00edcio do mil\u00e9nio. Com a falta de \u00e1gua nas barragens, a disponibilidade h\u00eddrica das albufeiras atinge m\u00ednimos hist\u00f3ricos e, embora a qualidade da \u00e1gua ainda esteja garantida, j\u00e1 se anuncia a suspens\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o de eletricidade em algumas destas barragens, que tamb\u00e9m deixam de abastecer as regas agr\u00edcolas. Sem \u00e1gua, os pastos n\u00e3o chegam para os animais e a terra n\u00e3o d\u00e1 alimento suficiente para todos os que dependem dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes s\u00e3o factos que tornam ineg\u00e1vel o impacto que as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas est\u00e3o a ter no nosso quotidiano. Se mais n\u00e3o fosse, esta situa\u00e7\u00e3o ir\u00e1 interferir diretamente nas nossas carteiras, com o aumento do pre\u00e7o dos cereais, da carne, do leite, de tudo quanto se cultive e, consequentemente, de todas as atividades-sat\u00e9lite, mais ou menos pr\u00f3ximas. N\u00e3o s\u00f3 em Portugal, como no resto do mundo. <strong>O clima, quando se altera, afeta a todos, motivo pelo qual as solu\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m dever\u00e3o ser abordadas por todos, de forma universal. Medidas que passam por mudan\u00e7as na forma como vivemos, trabalhamos, comemos e nos movimentamos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Identificar, prevenir e mitigar as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas<\/h2>\n\n\n\n<p>As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas impelem a v\u00e1rios momentos de a\u00e7\u00e3o: identificar e antecipar as suas manifesta\u00e7\u00f5es, para diminuir os seus efeitos; confirmar as a\u00e7\u00f5es humanas que as provocam e que podem ser alteradas, de forma a diminuir a probabilidade de avan\u00e7o; e alterar os nossos h\u00e1bitos de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito \u00e0 antecipa\u00e7\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es, j\u00e1 existem equipamentos inovadores \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos especialistas. <a href=\"https:\/\/ce3c.ciencias.ulisboa.pt\/member\/ruiperdigao\">Rui Perdig\u00e3o<\/a>, catedr\u00e1tico presidente do Meteoceanics Institute for Complex System Sciences em Viena, \u00c1ustria, e coordenador do grupo de investiga\u00e7\u00e3o em Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas (CCIAM) do Centro de Ecologia, Evolu\u00e7\u00e3o e Altera\u00e7\u00f5es Ambientais da Universidade de Lisboa (Ce3C), coordena a iniciativa <a href=\"https:\/\/www.meteoceanics.pt\/wp\/qites\/\">QITES \u2013 Quantum Information Technologies in the Earth Sciences, no Meteoceanics Institute for Complex System Science<\/a>, a qual preside. Esta iniciativa desenvolve novos m\u00e9todos e tecnologias para monitoriza\u00e7\u00e3o do planeta, incluindo a dete\u00e7\u00e3o precoce de perturba\u00e7\u00f5es geof\u00edsicas a partir do espa\u00e7o, bem como a sua an\u00e1lise e modela\u00e7\u00e3o. Objetivo: ajudar na sua previs\u00e3o e servir de suporte \u00e0 decis\u00e3o das entidades competentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo explica, estas perturba\u00e7\u00f5es geof\u00edsicas incluem os fen\u00f3menos que conduzem a desastres naturais, como as secas \u2013 j\u00e1 referidas \u2013, violentas tempestades, ondas de calor, fogos e cheias. \u201c<strong>Ao contr\u00e1rio das tecnologias de dete\u00e7\u00e3o remota tradicionais, que apenas tocam a ponta do icebergue <\/strong>(por serem baseadas em radiometria que n\u00e3o v\u00ea o interior da terra, nem do oceano), <strong>a constela\u00e7\u00e3o que concebi, e cujo desenvolvimento coordenei, permite \u2018tomar o pulso qu\u00e2ntico ao planeta\u2019, garantindo uma elevad\u00edssima precis\u00e3o nos dados adquiridos<\/strong>. Assim, antes de os fen\u00f3menos se manifestarem nos sensores tradicionais, as din\u00e2micas percursoras s\u00e3o captadas pela nossa constela\u00e7\u00e3o\u201d, explica Rui Perdig\u00e3o.<\/p>\n\n\n<blockquote class=\"uk-margin-medium\"><span uk-icon=\"icon: quote-right; ratio: 4.0\"><\/span><h3 class=\"uk-margin-top uk-margin-small-bottom\">Ao contr\u00e1rio das tecnologias de dete\u00e7\u00e3o remota tradicionais, que apenas tocam a ponta do icebergue, a constela\u00e7\u00e3o que concebi, e cujo desenvolvimento coordenei, permite \u2018tomar o pulso qu\u00e2ntico ao planeta\u2019, garantindo uma elevad\u00edssima precis\u00e3o nos dados adquiridos.<\/h3><footer><cite>Rui Perdig\u00e3o, catedr\u00e1tico presidente do Meteoceanics Institute for Complex System Sciences em Viena, \u00c1ustria<\/cite><\/footer><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Desta forma, n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel articular este conhecimento com sistemas internacionais de previs\u00e3o, defesa e prote\u00e7\u00e3o civil e ambiental, como tamb\u00e9m \u201crefor\u00e7ar a robustez dos m\u00e9todos de adapta\u00e7\u00e3o, mitiga\u00e7\u00e3o e atribui\u00e7\u00e3o de responsabilidades de altera\u00e7\u00f5es e eventos extremos aos processos e intera\u00e7\u00f5es que para eles contribuem\u201d; permitindo aferir o que \u00e9 natural, o que \u00e9 antropog\u00e9nico e o que \u00e9 composto (fruto da intera\u00e7\u00e3o socionatural). Em suma, trata-se de tentar limitar as consequ\u00eancias destes eventos e identificar as suas causas, para limitar ao m\u00e1ximo a sua manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Torna-se claro que \u00e9 urgente partilhar estas informa\u00e7\u00f5es, e isso tamb\u00e9m est\u00e1 a acontecer. S\u00e3o muitas as empresas na \u00e1rea aeroespacial, naval, seguradoras, financeiras, de energia, de defesa, ambiente e transportes \u201cque sentem a necessidade imperiosa de recorrer a quem, como n\u00f3s, tem m\u00e9todos, modelos e ferramentas interdisciplinares matematicamente robustas para abordar a complexidade dos temas de forma clara, objetiva, respons\u00e1vel, justa e eficaz, produzindo resultados que ajudam a salvar vidas no terreno e alavancar um desenvolvimento mais sustent\u00e1vel, saud\u00e1vel e pr\u00f3spero, promovido por tais organiza\u00e7\u00f5es\u201d, refere o investigador do Centro de Investiga\u00e7\u00e3o das Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas da Universidade de Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A\u00e7\u00e3o para ontem<\/h2>\n\n\n\n<p>A par de novas descobertas e inovadores meios de investiga\u00e7\u00e3o, existem fatores j\u00e1 totalmente estabelecidos no que diz respeito \u00e0 responsabilidade da emiss\u00e3o dos gases com efeitos de estufa (GEE) nas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Estes, independentemente da sua origem, s\u00e3o respons\u00e1veis pelo aumento da temperatura do planeta e, consequentemente, por alguns dos eventos extremos j\u00e1 referidos. Sabemos tamb\u00e9m que se a utiliza\u00e7\u00e3o do solo (para agricultura e pecu\u00e1ria, por exemplo) \u00e9 respons\u00e1vel por entre um quarto e um ter\u00e7o de todas as emiss\u00f5es de GEE, sabemos tamb\u00e9m que, <strong>na Uni\u00e3o Europeia (UE), os transportes representam mais de 25% das emiss\u00f5es totais dos gases com efeitos de estufa<\/strong>. <strong>Um dos maiores desafios que se imp\u00f5em aos decisores pol\u00edticos \u00e9 a resolu\u00e7\u00e3o do problema da mobilidade, apoiada ainda na queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica muito ligada aos transportes origina cerca de 400 mil mortes prematuras por ano, sendo o fator de risco ambiental mais importante para a sa\u00fade humana\u201d, alerta <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/pmnunes\/\">Pedro Nunes<\/a>, analista em energia e clima na Zero \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Sistema Terrestre Sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n<blockquote class=\"uk-margin-medium\"><span uk-icon=\"icon: quote-right; ratio: 4.0\"><\/span><h3 class=\"uk-margin-top uk-margin-small-bottom\">A polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica muito ligada aos transportes origina cerca de 400 mil mortes prematuras por ano, sendo o fator de risco ambiental mais importante para a sa\u00fade humana.<\/h3><footer><cite>Pedro Nunes, analista em energia e clima na Zero<\/cite><\/footer><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Apesar desta inequ\u00edvoca liga\u00e7\u00e3o entre a polui\u00e7\u00e3o do ar nas cidades e as doen\u00e7as cardiorrespirat\u00f3rias da popula\u00e7\u00e3o urbana, reconhece o analista em energia da Zero que \u201c<strong>o setor dos transportes \u00e9 dos mais dif\u00edceis de despoluir e descarbonizar<\/strong>, <strong>devido a padr\u00f5es de mobilidade geogr\u00e1fica e temporal muito granulares, a um uso final de energia pouco diversificados, assente em combust\u00edveis derivados do petr\u00f3leo dif\u00edceis de substituir, e ao crescimento cont\u00ednuo da procura<\/strong>\u201d. Como se pode quebrar este ciclo? \u201cEssencialmente, focando menos na oferta\u201d, avan\u00e7am <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/pedromartinsbarata\/\">Pedro Martins Barata<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/catarinavazao\/\">Catarina Vaz\u00e3o<\/a>, CEO e partner da consultora Get2C,que atua na \u00e1rea das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, energia e mercados de carbono. Mas acrescentam que \u00e9 preciso \u201c<strong>acelerar a gest\u00e3o da procura, procurando antes de mais a redu\u00e7\u00e3o da procura dos transportes, limitando fortemente o acesso ao transporte privado e individual, mesmo em modo el\u00e9trico<\/strong>, e dando prioridade a modos suaves. Importa perceber que a mobilidade, e muito menos o transporte, n\u00e3o \u00e9 um fim social em si, mas sim o acesso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tomada de consci\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/susana-castelo\/\">Susana Castelo<\/a>, CEO da TIS \u2013 consultora com grande envolvimento no que diz respeito \u00e0 mobilidade sustent\u00e1vel em Portugal e no estrangeiro \u2013, acredita que essa consci\u00eancia da necessidade de reduzir a procura dos transportes privados e a transi\u00e7\u00e3o para uma mobilidade sustent\u00e1vel j\u00e1 est\u00e3o a caminho. \u201cExiste uma parte da popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 muito consciente da necessidade de mudan\u00e7a e que, aos poucos, introduz altera\u00e7\u00f5es nos seus padr\u00f5es de mobilidade\u201d. Por outro lado, reconhece que muita gente continua vinculada ao autom\u00f3vel e que a sua ideia de mobilidade sustent\u00e1vel se resolve atrav\u00e9s de um ve\u00edculo el\u00e9trico.<\/p>\n\n\n<blockquote class=\"uk-margin-medium\"><span uk-icon=\"icon: quote-right; ratio: 4.0\"><\/span><h3 class=\"uk-margin-top uk-margin-small-bottom\"> Procurar antes de mais a redu\u00e7\u00e3o da procura dos transportes, limitando fortemente o acesso ao transporte privado e individual, mesmo em modo el\u00e9trico, e dando prioridade a modos suaves.<\/h3><footer><cite>Pedro Martins Barata e Catarina Vaz\u00e3o, CEO e partner da consultora Get2C<\/cite><\/footer><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Pedro Nunes, acredita que a mobilidade el\u00e9trica pode ser uma solu\u00e7\u00e3o, sim, mas n\u00e3o em transporte individual, pois esta \u201cn\u00e3o permite cumprir as metas clim\u00e1ticas setoriais\u201d e o mesmo se aplica a outras tecnologias autom\u00f3veis, como a do hidrog\u00e9nio ou dos biocombust\u00edveis\u201d. Ou seja, <strong>para cumprir os des\u00edgnios clim\u00e1ticos definidos, \u00e9 inevit\u00e1vel recorrer a medidas que fa\u00e7am reduzir o n\u00famero de carros em circula\u00e7\u00e3o e a sua utiliza\u00e7\u00e3o.<\/strong> \u201cTal envolve a expans\u00e3o e a melhoria do transporte p\u00fablico, incluindo transporte p\u00fablico on-demand, incentivos ao teletrabalho e pol\u00edticas criativas no estacionamento autom\u00f3vel, na promo\u00e7\u00e3o dos modos suaves de mobilidade, na mobilidade partilhada, na fiscalidade dos combust\u00edveis, nos subs\u00eddios \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de transporte p\u00fablico, e na utiliza\u00e7\u00e3o das vias de rodagem e gest\u00e3o dos congestionamentos\u201d, defende o analista da Zero.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas t\u00eam sido implementadas, que, n\u00e3o eliminando o uso do carro, permitem que a sua utiliza\u00e7\u00e3o tenha uma pegada mais leve. \u00c9 o caso, por exemplo, das viaturas comunicantes, que permitem a comunica\u00e7\u00e3o entre o autom\u00f3vel e o condutor \u2013 que tem acesso, em tempo real, a informa\u00e7\u00e3o sobre a performance da viatura (antecipando problemas e diminuindo os custos e as idas \u00e0 oficina), sobre as condi\u00e7\u00f5es de tr\u00e2nsito (permitindo escolher os percursos mais r\u00e1pidos e com menos gasto de combust\u00edvel), ou mesmo sobre informa\u00e7\u00e3o acerca do seu servi\u00e7o profissional espec\u00edfico (no caso de fun\u00e7\u00f5es de transporte, otimiza trajetos e pode ajudar a prevenir viagens desnecess\u00e1rias).<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m os modelos de carsharing, ou partilha de boleias entre vizinhos, t\u00eam proliferado na \u00faltima d\u00e9cada. No entanto, a pandemia trouxe um aban\u00e3o a este formato de mobilidade. O estudo \u201cNovo Normal\u201d, do Mobility Insights Report anual da&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.leaseplan.com\/pt-pt\/\" target=\"_blank\">LeasePlan<\/a>, feito no ano 2020 referia que a maioria dos condutores portugueses (87%) preferia utilizar o seu autom\u00f3vel em vez de outro meio de transporte, j\u00e1 que a transmiss\u00e3o do v\u00edrus Covid-19 aumentou o receio da partilha de espa\u00e7os fechados, ideia refor\u00e7ada pela inten\u00e7\u00e3o declarada de 73% dos cidad\u00e3os portugueses inquiridos n\u00e3o usarem transportes p\u00fablicos no futuro.<\/p>\n\n\n<blockquote class=\"uk-margin-medium\"><span uk-icon=\"icon: quote-right; ratio: 4.0\"><\/span><h3 class=\"uk-margin-top uk-margin-small-bottom\"> Existe um esfor\u00e7o muito grande de melhoria da oferta, seja porque se est\u00e1 a apostar na moderniza\u00e7\u00e3o das frotas e no recurso a ve\u00edculos menos poluentes, mas tamb\u00e9m porque, numa boa parte das redes de autocarro, se est\u00e1 a refor\u00e7ar a frequ\u00eancia e a cobertura do servi\u00e7o.<\/h3><footer><cite>Susana Castelo, CEO da TIS<\/cite><\/footer><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mobilidade em Portugal<\/h2>\n\n\n\n<p>Susana Castelo assinala, por\u00e9m, que t\u00eam vindo a ser feitas mudan\u00e7as na \u00e1rea da mobilidade, quer em termos gerais, quer a n\u00edvel da melhoria da oferta de transportes p\u00fablicos, \u201cmas tamb\u00e9m na expans\u00e3o das redes pedonais e cicl\u00e1veis em muitas cidades e vilas\u201d do pa\u00eds. Acrescenta que, \u201c<strong>no que respeita \u00e0 acessibilidade que responde aos desafios da mobilidade quotidiana, est\u00e1 a existir um esfor\u00e7o muito grande de melhoria da oferta, seja porque se est\u00e1 a apostar na moderniza\u00e7\u00e3o das frotas e no recurso a ve\u00edculos menos poluentes, mas tamb\u00e9m porque, numa boa parte das redes de autocarro, se est\u00e1 a refor\u00e7ar a frequ\u00eancia e a cobertura do servi\u00e7o<\/strong>\u201d. Acredita tamb\u00e9m que, relativamente \u00e0s acessibilidades a longa dist\u00e2ncia, apesar de Portugal estar mais atrasado, devido \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica e com baixa procura no contexto europeu, este \u00e9 um caminho que est\u00e1 a ser feito: \u201cExiste uma forte aposta na rede ferrovi\u00e1ria a n\u00edvel nacional, mas os pr\u00f3ximos anos implicam efetivamente uma aposta na rede que serve os principais centros urbanos e as capitais de distrito.\u201d Relativamente \u00e0s desigualdades regionais na acessibilidade, lembra que \u201cna TIS estamos a desenvolver uma abordagem de avalia\u00e7\u00e3o sist\u00e9mica das acessibilidades regionais em transporte individual e em transporte p\u00fablico, que permitiria identificar a import\u00e2ncia deste tipo de inefic\u00e1cias e limita\u00e7\u00f5es das redes de transporte\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Devolver a cidade aos cidad\u00e3os<\/h2>\n\n\n\n<p>As altera\u00e7\u00f5es na mobilidade est\u00e3o, assim, na m\u00e3o de todos n\u00f3s \u2013 no que diz respeito \u00e0 procura de escolhas ambientalmente conscientes \u2013 e dos decisores de todos os quadrantes \u2013 criando solu\u00e7\u00f5es \u00e0s quais \u00e9 poss\u00edvel aderir. Do aumento dos espa\u00e7os para pe\u00f5es e ciclovias, nas \u201ccidades dos 15 minutos\u201d (conceito urbano que garante o acesso a todos os servi\u00e7os essenciais a uma dist\u00e2ncia de 15 minutos a p\u00e9), \u00e0s solu\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas menos poluentes, o importante \u00e9 serem solu\u00e7\u00f5es efetivamente dispon\u00edveis para poderem ser usufru\u00eddas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a educa\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m tem de estar em cima da mesa. Susana Castelo, acredita que \u201cquando come\u00e7armos a ver crian\u00e7as a brincar sozinhas nas ruas, ent\u00e3o vamos saber que temos sucesso\u201d. \u00c9 preciso, por\u00e9m, trabalhar as suas expectativas. Estar\u00e3o adaptadas ao modo de vida necess\u00e1rio para um futuro mais sustent\u00e1vel? <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/maria-ros%C3%A1rio-partid%C3%A1rio-24a4769\/\"><strong>Maria Ros\u00e1rio Partid\u00e1rio<\/strong><\/a>, professora e investigadora de planeamento, urbanismo e ambiente no Instituto Superior T\u00e9cnico, acredita que n\u00e3o, mas que este ajuste n\u00e3o se limita \u00e0 mobilidade, e estende-se \u201c\u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, uso da energia, do espa\u00e7o p\u00fablico, das rela\u00e7\u00f5es em sociedade, atitude e esp\u00edrito de comunidade\u201d, entre outros campos. Precisam tamb\u00e9m de aderir ao uso da bicicleta, em qualquer altura do ano mas que, para isso acontecer, \u201c\u00e9 necess\u00e1rio garantir que h\u00e1 acessos adequados a ciclovias, assim como a transportes p\u00fablicos de qualidade e suficientes para eliminar a necessidade de usar transporte individual.\u201d<\/p>\n\n\n<blockquote class=\"uk-margin-medium\"><span uk-icon=\"icon: quote-right; ratio: 4.0\"><\/span><h3 class=\"uk-margin-top uk-margin-small-bottom\">\u00c9 necess\u00e1rio garantir que h\u00e1 acessos adequados a ciclovias, assim como a transportes p\u00fablicos de qualidade e suficientes para eliminar a necessidade de usar transporte individual.<\/h3><footer><cite>Maria Ros\u00e1rio Partid\u00e1rio, professora e investigadora de planeamento, urbanismo e ambiente no Instituto Superior T\u00e9cnico<\/cite><\/footer><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Numa nota mais positiva, refira-se que um estudo realizado pela consultora McKinsey, apresentado em maio do ano passado, <a href=\"https:\/\/bcsdportugal.org\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Net-Zero-Portugal-PT_final.pdf\"><strong>Caminhos de Portugal para a Descarboniza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a>, defendia que Portugal precisava de acelerar as tend\u00eancias recentes de descarboniza\u00e7\u00e3o, mas que tinha condi\u00e7\u00f5es para \u201cdescarbonizar mais rapidamente e a um menor custo do que a Uni\u00e3o Europeia\u201d, e que poderia \u201catingir a neutralidade carb\u00f3nica, ou o net zero, antes de 2050, enquanto alcan\u00e7a oportunidades de crescimento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O caminho passa por altera\u00e7\u00f5es de comportamento (que podem facilitar o caminho, reduzindo as emiss\u00f5es em menos 10%), nomeadamente, atrav\u00e9s da ado\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos el\u00e9tricos (VE), \u201cum contributo fundamental, principalmente depois de 2025\u201d, indica o estudo. Para isso, o documento adianta que ser\u00e1 necess\u00e1rio, sobretudo, criar incentivos que colocam o custo total de posse dos VE abaixo do dos autom\u00f3veis com motor de combust\u00e3o interna, aumentar os VE comerciais e incentivar a passagem de outros meios de transporte a el\u00e9tricos, hidrog\u00e9nio ou combust\u00edveis de baixo carbono.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo acrescenta, ainda, o alerta de que ser\u00e3o necess\u00e1rias novas cadeias de valor para descarbonizar estes setores mais dif\u00edceis e que h\u00e1 tecnologias que ainda necessitam de atingir a maturidade e de escalar a capacidade. \u00c9 o caso do hidrog\u00e9nio verde, apresentado como competitivo, gra\u00e7as ao baixo custo das energias renov\u00e1veis, n\u00e3o s\u00f3 para uso industrial, mas tamb\u00e9m como combust\u00edvel para o transporte rodovi\u00e1rio pesado. <strong>Os combust\u00edveis de baixo carbono produzidos de forma sustent\u00e1vel (sint\u00e9ticos ou biomassa) tamb\u00e9m s\u00e3o analisados neste estudo, como combust\u00edvel com potencialidade para usar na avia\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro Nunes, acredita que, efetivamente, tal como o estudo da McKinsey indica, \u201cPortugal n\u00e3o s\u00f3 tem condi\u00e7\u00f5es, [para atingir a neutralidade carb\u00f3nica, ou o net zero, antes de 2050] como essa possibilidade est\u00e1 inscrita na Lei de Bases do Clima, que foi aprovada no final de 2021 e entrou em vigor a 1 fevereiro de 2022. Neste contexto, <strong>o Governo \u00e9 mesmo obrigado a estudar, at\u00e9 2025, a antecipa\u00e7\u00e3o da neutralidade clim\u00e1tica para, at\u00e9 2045, o mais tardar<\/strong>. A lei tem objetivos relativos a 2050 para a redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases com efeito de estufa, que \u00e9 de uma redu\u00e7\u00e3o de pelo menos 55% at\u00e9 2030, 65-75% at\u00e9 2040 e 90% at\u00e9 2050.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que grande parte da mudan\u00e7a est\u00e1 na capacidade de cada um de n\u00f3s alterar os seus comportamentos: andar mais a p\u00e9, priorizar os transportes p\u00fablicos e, em caso de necessidades espec\u00edficas, usar uma viatura particular el\u00e9trica. H\u00e1bitos que n\u00e3o destabilizam a economia, antes pelo contr\u00e1rio, fazem parte dela e alimentam-na. Experi\u00eancias feitas em Londres e em Berna, referidas por Pedro Nunes da Zero, s\u00e3o exemplos de sucesso que se podem replicar, onde as melhorias nas vias pedonais e cicl\u00e1veis e investimentos em transportes p\u00fablicos, trouxeram uma nova din\u00e2mica econ\u00f3mica aos centros urbanos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAo contr\u00e1rio do que \u00e9 o pensamento comum dos propriet\u00e1rios de lojas, os clientes que andam a p\u00e9, de bicicleta, ou utilizam transportes p\u00fablicos, tendem a gastar mais dinheiro no com\u00e9rcio local do que os condutores de autom\u00f3veis\u201d, diz o analista da associa\u00e7\u00e3o de defesa do ambiente. O ciclo de consumo n\u00e3o \u00e9 eliminado, apenas \u00e9 transferido para atividades mais sustent\u00e1veis, at\u00e9 porque se h\u00e1 algo em que a maioria das pol\u00edticas governamentais a n\u00edvel mundial concordam \u00e9 que a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica s\u00f3 ser\u00e1 abra\u00e7ada pela maioria da popula\u00e7\u00e3o mundial se n\u00e3o afetar a sua qualidade de vida. Os mais otimistas dir\u00e3o que \u00e9 agora que a nossa qualidade de vida vai ganhar um novo alento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para cumprir as metas clim\u00e1ticas, teremos de recorrer a medidas que reduzam a nossa pegada ambiental, nomeadamente, no que diz respeito \u00e0 mobilidade. Conhecemos o problema e sabemos como minimizar os riscos. S\u00f3 falta dotar as nossas cidades de meios e infraestruturas para que a transi\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel seja uma realidade.<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":629,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[104,266,260,254,50,275,272,245,263,251,248,269,257,92,200],"class_list":["post-608","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alteracoes-climaticas","tag-alteracoes-climaticas","tag-catarina-vazao","tag-ce3c","tag-get2c","tag-grupo-ageas-portugal","tag-ist","tag-maria-rosario-partidario","tag-mobilidade-sustentavel","tag-pedro-martins-barata","tag-pedro-nunes","tag-rui-perdigao","tag-susana-castelo","tag-tis","tag-vida-sustentavel","tag-zero"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/608","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=608"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/608\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":686,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/608\/revisions\/686"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/media\/629"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=608"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=608"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=608"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}