{"id":650,"date":"2022-03-15T11:31:19","date_gmt":"2022-03-15T11:31:19","guid":{"rendered":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/?p=650"},"modified":"2024-01-02T10:03:55","modified_gmt":"2024-01-02T10:03:55","slug":"saude-mental-na-nova-era-do-trabalho-o-equilibrio-e-possivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/futuro-do-trabalho\/saude-mental-na-nova-era-do-trabalho-o-equilibrio-e-possivel\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade mental na nova era do trabalho: o equil\u00edbrio \u00e9 poss\u00edvel?"},"content":{"rendered":"\n<p>Mar\u00e7o de 2020 ficou na hist\u00f3ria da humanidade, n\u00e3o s\u00f3 como o m\u00eas em que a <a href=\"https:\/\/www.who.int\/eportuguese\/pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade<\/a> (OMS) decretou a pandemia de covid-19, mas tamb\u00e9m como aquele em que o mundo do trabalho sofreu uma altera\u00e7\u00e3o profunda e, ao que tudo indica, irrevers\u00edvel. Isto porque cerca de <a href=\"https:\/\/www.businessinsider.com\/coronavirus-pandemic-timeline-history-major-events-2020-3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o mundial<\/strong><\/a> entrou em confinamento, com uma boa parte a conhecer de perto a realidade do teletrabalho. Segundo dados do Instituto Nacional de Estat\u00edstica, <strong>durante o primeiro confinamento, entre abril e junho de 2020, 23,1% da popula\u00e7\u00e3o empregada em Portugal trabalhou a partir de casa<\/strong>, um valor que, at\u00e9 h\u00e1 poucos anos, seria impens\u00e1vel, sobretudo se tivermos em conta a pouca abertura antes existente em rela\u00e7\u00e3o a este regime de trabalho por parte dos empregadores.<\/p>\n\n\n\n<p>De repente, al\u00e9m dos sentimentos associados \u00e0s m\u00faltiplas incertezas trazidas pelo coronav\u00edrus, <strong>estes trabalhadores viram-se igualmente confrontados com a necessidade de adapta\u00e7\u00e3o a uma nova forma de trabalhar, num local diferente, com hor\u00e1rios, ritmos e exig\u00eancias igualmente distintos de tudo o que sempre haviam conhecido<\/strong>. Inevitavelmente, o impacto que esta mudan\u00e7a teve na sa\u00fade mental dos indiv\u00edduos passou a ser tema de debate frequente, a ponto de a OMS e a <a href=\"https:\/\/www.ilo.org\/lisbon\/oit-e-portugal\/lang--pt\/index.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho<\/a> terem sentido necessidade de produzir, em conjunto, um relat\u00f3rio sobre o tema. No documento, intitulado <strong>\u201c<\/strong><a href=\"https:\/\/www.who.int\/publications\/i\/item\/9789240040977\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Healthy and safe telework: technical brief<\/strong><\/a><strong>\u201d<\/strong>, aqueles organismos reconhecem as vantagens do teletrabalho, mas deixam tamb\u00e9m claros os riscos que este \u2013 se n\u00e3o for devidamente planeado \u2013 acarreta para a sa\u00fade f\u00edsica e mental dos colaboradores, assim como para o seu bem-estar social. O mesmo racioc\u00ednio \u00e9 aplicado a todas as novas formas de trabalho, que v\u00e3o muito al\u00e9m do teletrabalho. Mas, afinal, <strong>de que falamos exatamente quando o assunto \u00e9 a sa\u00fade mental no trabalho?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Bem-estar no trabalho<\/h2>\n\n\n\n<p>Para a OMS, <strong>a defini\u00e7\u00e3o de sa\u00fade mental vai muito al\u00e9m da simples aus\u00eancia de doen\u00e7a, abarcando tamb\u00e9m um estado de bem-estar em que cada indiv\u00edduo realiza o seu pr\u00f3prio potencial, consegue lidar com os desafios normais da vida, \u00e9 capaz de trabalhar de forma produtiva e frut\u00edfera e ainda contribuir para a sua comunidade<\/strong>. Partindo desta base, e questionado sobre o que \u00e9 a sa\u00fade mental em contexto laboral, o psiquiatra <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/diogo-frasquilho-guerreiro-96333226\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Diogo Guerreiro<\/a> considera que, quando usamos este termo, \u201cestamos a falar da cria\u00e7\u00e3o de ambientes e condi\u00e7\u00f5es de trabalho que promovam o bem-estar do indiv\u00edduo e da organiza\u00e7\u00e3o, tanto a n\u00edvel mental como f\u00edsico, permitindo maximizar a sua capacidade ou produtividade, ao mesmo tempo que a sua sa\u00fade \u00e9 mantida ou melhorada\u201d. Como exemplos disto mesmo, o m\u00e9dico aponta a observa\u00e7\u00e3o de \u201cuma boa rela\u00e7\u00e3o entre hor\u00e1rio de trabalho e vida pessoal, flexibilidade de hor\u00e1rios e trabalhos de acordo com os contextos individuais, boa comunica\u00e7\u00e3o entre empregados e chefias, capacita\u00e7\u00e3o da resolu\u00e7\u00e3o de conflitos e ainda a exist\u00eancia de pol\u00edticas de zero toler\u00e2ncia para o ass\u00e9dio moral, entre outras\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/teresaespassandim\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Teresa Espassandim<\/a>, psic\u00f3loga e psicoterapeuta com especializa\u00e7\u00e3o em Psicologia Vocacional e do Desenvolvimento da Carreira, corrobora que <strong>um ambiente de trabalho favor\u00e1vel a uma boa sa\u00fade mental \u201c\u00e9 aquele em que todos os membros da organiza\u00e7\u00e3o \u2013 empregadores, gestores e colaboradores \u2013 cooperam, com vista ao melhoramento cont\u00ednuo dos processos de prote\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, da seguran\u00e7a e do bem-estar<\/strong>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, para que a sa\u00fade mental esteja acautelada nas organiza\u00e7\u00f5es, o psic\u00f3logo <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/in\/m%C3%A9sicles-berenguel-761127234\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">M\u00e9sicles Helin Berenguel<\/a> entende que duas dimens\u00f5es devem ser tidas em conta: \u201cPensando na perspetiva do colaborador \u2013 de si para fora \u2013, importa garantir a sintonia da profiss\u00e3o com as fun\u00e7\u00f5es que desempenha. Na perspetiva de fora para dentro, importa que a empresa demonstre reconhecimento pelo desempenho do trabalhador.\u201d Se estes dois fatores n\u00e3o forem observados, defende que \u201ctal pode constituir um obst\u00e1culo \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de uma boa sa\u00fade mental no trabalho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quando o desequil\u00edbrio mental impera<\/h2>\n\n\n\n<p>O <em>stress<\/em> cr\u00f3nico \u00e9 uma das poss\u00edveis consequ\u00eancias de um ambiente de trabalho que p\u00f5e em risco a sa\u00fade mental dos trabalhadores. Diogo Guerreiro sublinha-o como \u201cum dos mais importantes fatores que interligam a rela\u00e7\u00e3o entre sa\u00fade mental e trabalho, apesar de n\u00e3o ser o \u00fanico\u201d. Nas suas palavras, \u201c\u00e9 importante que existam boas capacidades de gest\u00e3o do <em>stress<\/em>, assim como oportunidades, por parte das empresas, para flexibilizar a press\u00e3o exercida sobre os empregados\u201d, salientando que \u201cem ambientes em que h\u00e1 muitos conflitos, em que n\u00e3o h\u00e1 capacidade de compreender as necessidades dos outros ou em que o trabalhador se sente desvalorizado e, muitas vezes, n\u00e3o ouvido, o risco de perturba\u00e7\u00f5es mentais, como <em>burnout<\/em>, ansiedade ou depress\u00e3o \u00e9 muito maior\u201d.<\/p>\n\n\n<blockquote class=\"uk-margin-medium\"><span uk-icon=\"icon: quote-right; ratio: 4.0\"><\/span><h3 class=\"uk-margin-top uk-margin-small-bottom\">Em ambientes em que h\u00e1 muitos conflitos, em que n\u00e3o h\u00e1 capacidade de compreender as necessidades dos outros ou em que o trabalhador se sente desvalorizado e, muitas vezes, n\u00e3o ouvido, o risco de perturba\u00e7\u00f5es mentais, como burnout, ansiedade ou depress\u00e3o \u00e9 muito maior.<\/h3><footer><cite>Diogo Guerreiro, psiquiatra<\/cite><\/footer><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em>Burnout<\/em> \u2013 um risco real no nosso pa\u00eds?<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>O <em>burnout<\/em> \u2013 definido pela OMS como o estado de esgotamento f\u00edsico e mental causado pelo exerc\u00edcio de uma atividade profissional<\/strong> \u2013 \u00e9 uma importante realidade vivida por muitos trabalhadores cuja sa\u00fade mental \u00e9 afetada pelo trabalho e Portugal n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. Segundo um estudo da <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/smallbusinessprices.co.uk\/european-employee-burnout\/\" target=\"_blank\"><strong>Small Business Prices<\/strong><\/a>, <strong>Portugal ocupa o primeiro lugar no risco de <em>burnout<\/em> na Uni\u00e3o Europeia<\/strong>. Teresa Espassandim n\u00e3o se mostra surpreendida com os resultados, servindo-se de dados anteriores \u00e0 pandemia, segundo os quais \u201c<strong>um em cada cinco portugueses tem um problema de sa\u00fade mental<\/strong>, o que coloca o nosso pa\u00eds, juntamente com a Irlanda do Norte, no lugar primeiro do p\u00f3dio da preval\u00eancia destes problemas de sa\u00fade na Europa, sendo cumulativamente um dos maiores consumidores de psicof\u00e1rmacos\u201d. Como se estes n\u00fameros n\u00e3o fossem suficientemente reveladores da situa\u00e7\u00e3o, sabe-se ainda que \u201ctr\u00eas em cada cinco pessoas trabalhadoras experienciam problemas de sa\u00fade psicol\u00f3gica devido aos ambientes de trabalho, sendo a depress\u00e3o e a ansiedade os diagn\u00f3sticos mais comuns\u201d, afirma a especialista. Apesar de tudo isto,<strong> \u201cn\u00e3o h\u00e1 um investimento claro nas dimens\u00f5es da preven\u00e7\u00e3o e, em contexto de trabalho, pouco mais de 10% das empresas referem ter procedimentos para lidar com os riscos psicossociais, como o <em>stress<\/em> e o <em>burnout<\/em><\/strong>\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com um <a href=\"https:\/\/recursos.ordemdospsicologos.pt\/files\/artigos\/relatorio_riscos_psicossociais.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">relat\u00f3rio<\/a> da Ordem dos Psic\u00f3logos Portugueses, sobre o impacto e o custo do stress e problemas de sa\u00fade psicol\u00f3gicos no trabalho, estima-se que, em Portugal, os trabalhadores registem um absentismo de 6,2 dias por ano devido a esses problemas de sa\u00fade. J\u00e1 o presentismo \u2013 isto \u00e9, o ato de se comparecer fisicamente no local de trabalho, apesar de n\u00e3o se reunir as condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade necess\u00e1rias ao normal desempenho da atividade laboral \u2013 resultante da falta de sa\u00fade psicol\u00f3gica ser\u00e1 de 12,4 dias. No total, os autores do estudo estimam que a perda de produtividade devida ao absentismo e ao presentismo causados por stress e problemas de sa\u00fade psicol\u00f3gica pode custar \u00e0s empresas portuguesas at\u00e9 3,2 mil milh\u00f5es de euros por ano.<\/p>\n\n\n\n<p>De real\u00e7ar que o problema do presentismo, que vinha a alcan\u00e7ar express\u00e3o como resposta \u00e0 press\u00e3o para se trabalhar a todo o custo, ganhou ainda um novo f\u00f4lego durante o teletrabalho levado a cabo durante a pandemia (passando mesmo a designar-se e-presentismo), j\u00e1 que muitos foram os trabalhadores que, mesmo sem condi\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas, tentaram assegurar as suas tarefas por via remota, como se constata nalguns <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/fpsyg.2021.748053\/full\" target=\"_blank\">estudos<\/a> levados a cabo.<\/p>\n\n\n<blockquote class=\"uk-margin-medium\"><span uk-icon=\"icon: quote-right; ratio: 4.0\"><\/span><h3 class=\"uk-margin-top uk-margin-small-bottom\">Tr\u00eas em cada cinco pessoas trabalhadoras experienciam problemas de sa\u00fade psicol\u00f3gica devido aos ambientes de trabalho, sendo a depress\u00e3o e a ansiedade os diagn\u00f3sticos mais comuns.<\/h3><footer><cite>Teresa Espassandim, psic\u00f3loga e psicoterapeuta com especializa\u00e7\u00e3o em Psicologia Vocacional e do Desenvolvimento da Carreira<\/cite><\/footer><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O impacto do teletrabalho<\/h2>\n\n\n\n<p>Com a pandemia, e a imers\u00e3o na experi\u00eancia do teletrabalho, muito se tem analisado como \u00e9 que as novas formas de trabalho interferem \u2013 positiva ou negativamente \u2013 na sa\u00fade mental dos trabalhadores. Baseado nos casos que, ao longo destes dois anos, tem seguido em contexto cl\u00ednico, M\u00e9sicles Helin Berenguel faz um balan\u00e7o positivo: \u201cFico com a ideia de que muitas pessoas aprenderam a responsabilidade de cumprir os objetivos e, pelo que nos dizem os indicadores dos estudos sobre o teletrabalho, o \u00edndice de produtividade aumentou de forma global. Outro conceito que ficou como adquirido foi o da flexibilidade do tempo, ou seja, eu posso gerir a minha agenda profissional, social, familiar e pessoal e isso promove-me bem-estar. Acredito que abdicar dessa conquista n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Diogo Guerreiro concorda com as vantagens do teletrabalho, mas chama a aten\u00e7\u00e3o para algumas desvantagens: \u201c<strong>H\u00e1 que considerar outros aspetos mais negativos e geradores de maior mal-estar, como o maior isolamento das pessoas, o excessivo tempo de ecr\u00e3 \u2013 que o nosso c\u00e9rebro processa como <em>stress<\/em> \u2013 e o risco de abusos em termos de disponibilidade permanente, que \u00e9 algo totalmente imposs\u00edvel.<\/strong>\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">BANI \u2013 a mudan\u00e7a tem um novo acr\u00f3nimo<\/h2>\n\n\n\n<p>O mundo laboral nunca mais voltar\u00e1 a ser o mesmo depois das viv\u00eancias impulsionadas pela pandemia e Teresa Espassandim, com experi\u00eancia de gest\u00e3o de projetos com foco nos dom\u00ednios da carreira e empregabilidade, confirma-o constatando que \u201c<strong>o paradigma de trabalho, j\u00e1 em transforma\u00e7\u00e3o anteriormente, sofreu uma fort\u00edssima acelera\u00e7\u00e3o, transitando<\/strong> do mundo VUCA para o mundo BANI\u201d, ou seja, <strong>de um mundo caracterizado por ser vol\u00e1til, incerto, complexo e amb\u00edguo<\/strong> (VUCA, na sigla em ingl\u00eas) <strong>para um outro que \u00e9 fr\u00e1gil, ansioso, n\u00e3o linear e incompreens\u00edvel<\/strong> (BANI, na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender esta mudan\u00e7a de acr\u00f3nimos usados para caracterizar o mundo em que vivemos, especialmente no que diz respeito \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es, importa perceber como \u00e9 que cada um surgiu. Forjado ap\u00f3s a Guerra Fria, o conceito VUCA, nasceu para explicar as novas din\u00e2micas mundiais emergentes, tendo sido inicialmente desenvolvido pelo ex\u00e9rcito norte-americano para descrever as transforma\u00e7\u00f5es sociais ocorridas e para ajudar ao posicionamento dos militares face a poss\u00edveis conflitos. Desde ent\u00e3o, <strong>o acr\u00f3nimo tem sido usado para descrever as mudan\u00e7as culturais e tecnol\u00f3gicas que v\u00e3o ocorrendo, bem como os respetivos impactos na vida das pessoas e das organiza\u00e7\u00f5es<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o conceito BANI \u00e9 bem mais recente, tendo sido introduzido por Jamais Cascio, antrop\u00f3logo e futurista norte-americano, quando percebeu que o usado anteriormente \u2013 VUCA \u2013 j\u00e1 n\u00e3o era suficiente para descrever as mudan\u00e7as ocorridas em tempo de pandemia e que o pr\u00f3prio descreve como um mundo de caos. Ou seja, atualmente, \u00e9 num mundo BANI que nos movemos e, como consequ\u00eancia, \u00e9 este conceito que caracteriza as rela\u00e7\u00f5es laborais que tendem a desenvolver-se agora e no futuro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em>Great Resignation<\/em> \u2013 despedimentos por uma vida melhor<\/h2>\n\n\n\n<p>Com o fim da obrigatoriedade do teletrabalho, e ao serem confrontados com o regresso ao regime presencial, uma das altera\u00e7\u00f5es que t\u00eam vindo a observar-se \u00e9 que diversos trabalhadores est\u00e3o a solicitar \u00e0s empresas a manuten\u00e7\u00e3o do teletrabalho ou a ado\u00e7\u00e3o de um regime h\u00edbrido. <strong>Outras v\u00e3o mais longe e tomam mesmo a decis\u00e3o de deixar os seus empregos \u2013 movimento que ficou conhecido como <em>Great Resignation<\/em> \u2013 com a justifica\u00e7\u00e3o de que as suas necessidades n\u00e3o est\u00e3o a ser asseguradas pelas empresas onde trabalham<\/strong>. Por exemplo, s\u00f3 em julho de 2021, o U.S. Bureau of Labor Statistics (a ag\u00eancia dos EUA respons\u00e1vel pelas estat\u00edsticas oficiais relacionadas com o trabalho) contabilizou <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/hbr.org\/2021\/09\/who-is-driving-the-great-resignation\" target=\"_blank\"><strong>4 milh\u00f5es de despedimentos<\/strong><\/a> por iniciativa de trabalhadores norte-americanos, tend\u00eancia que se observou, e ainda observa, globalmente.<\/p>\n\n\n<blockquote class=\"uk-margin-medium\"><span uk-icon=\"icon: quote-right; ratio: 4.0\"><\/span><h3 class=\"uk-margin-top uk-margin-small-bottom\">Deixar de ser dono do meu tempo \u00e9 retirar-me a liberdade e promover o meu descontentamento. O passo seguinte \u00e9 come\u00e7ar a enviar curr\u00edculos. Oi\u00e7o esta ideia cada vez mais, em consult\u00f3rio, enquanto voltamos ao registo de trabalho presencial.<\/h3><footer><cite>M\u00e9sicles Helin Berenguel, psic\u00f3logo<\/cite><\/footer><\/blockquote>\n\n\n\n<p>M\u00e9sicles Helin Berenguel justifica estes movimentos com a flexibilidade permitida pelo teletrabalho: \u201cDeixar de ser dono do meu tempo \u00e9 retirar-me a liberdade e promover o meu descontentamento. O passo seguinte \u00e9 come\u00e7ar a enviar curr\u00edculos. Oi\u00e7o esta ideia cada vez mais, em consult\u00f3rio, enquanto voltamos ao registo de trabalho presencial.\u201d Segundo o psic\u00f3logo, estas op\u00e7\u00f5es s\u00e3o motivadas, entre outras raz\u00f5es, pelo \u201ctr\u00e2nsito, que faz perder tempo, e o preju\u00edzo financeiro que tal implica\u201d. Por este motivo entende que, \u201c<strong>desde que aplic\u00e1vel, o regime h\u00edbrido pode vir a ser o mais preferido pelos portugueses, com tr\u00eas dias em casa e dois na empresa, ou ao contr\u00e1rio<\/strong>\u201d. Mas isto, claro, em conformidade com os diferentes tipos de personalidade e projetos de vida e de carreira de cada indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo sentido, Diogo Guerreiro considera que \u201cesta grande mudan\u00e7a social abriu a porta a reflex\u00f5es e atitudes diferentes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida profissional e \u00e0 relev\u00e2ncia da sa\u00fade mental de cada um\u201d. Como consequ\u00eancia, conclui que, quem tem essa possibilidade, tende a \u201cescolher qual o regime de trabalho, ou mesmo o emprego, que melhor se adapta aos seus fatores individuais e contextuais\u201d, o que ao psiquiatra parece \u201cbastante ben\u00e9fico\u201d, sobretudo tendo em conta o impacto na sa\u00fade mental.<\/p>\n\n\n\n<p>Por seu turno, Teresa Espassandim entende que uma eventual solu\u00e7\u00e3o para as elevadas taxas de ren\u00fancia ao emprego pode residir precisamente nas novas formas de trabalho. \u201c<strong>Modalidades de trabalho flex\u00edveis, maiores n\u00edveis de autonomia e de influ\u00eancia e satisfa\u00e7\u00e3o no trabalho tornaram-se fatores cr\u00edticos para mitigar movimentos como a <em>Great Resignation<\/em><\/strong>\u201d, defende.<\/p>\n\n\n<blockquote class=\"uk-margin-medium\"><span uk-icon=\"icon: quote-right; ratio: 4.0\"><\/span><h3 class=\"uk-margin-top uk-margin-small-bottom\">Desde que aplic\u00e1vel, o regime h\u00edbrido pode vir a ser o mais preferido pelos portugueses, com tr\u00eas dias em casa e dois na empresa, ou ao contr\u00e1rio.<\/h3><footer><cite>M\u00e9sicles Helin Berenguel, psic\u00f3logo<\/cite><\/footer><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mais sa\u00fade mental nos trabalhos do futuro?<\/h2>\n\n\n\n<p>As novas formas de trabalho n\u00e3o se caracterizam apenas pelo recurso ao teletrabalho ou ao trabalho h\u00edbrido, nem pelo estar sempre ligado e dispon\u00edvel. Passam tamb\u00e9m por uma precariza\u00e7\u00e3o e terceiriza\u00e7\u00e3o cada vez maiores, assim como pelo recurso \u00e0 intelig\u00eancia artificial por parte das companhias para substituir m\u00e3o de obra humana. Quanto ao impacto de todas estas mudan\u00e7as na sa\u00fade mental, Diogo Guerreiro refor\u00e7a que \u201c<strong>a incerteza em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho \u00e9 sempre algo prejudicial \u00e0 sa\u00fade mental. Gera <em>stress<\/em>, ansiedade e, em \u00faltima an\u00e1lise, poder\u00e1 levar a depress\u00f5es ou a <em>burnout<\/em><\/strong>\u201d, diz, acrescentando que \u201cestar sempre ligado \u00e9 algo a que devemos estar muito atentos, pois n\u00e3o \u00e9 humanamente poss\u00edvel. Para sermos saud\u00e1veis precisamos de tempos <em>offline<\/em>, de relaxamento e de \u00f3cio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Teresa Espassandim reconhece os desafios para a sa\u00fade mental trazidos pelas novas formas e modalidades de trabalho, nomeadamente as que implicam \u201cmudan\u00e7as de projeto para projeto, hor\u00e1rios de trabalho male\u00e1veis que exigem colaboradores flex\u00edveis, adapt\u00e1veis, talentosos e criativos\u201d. Para lhes fazer face, entende que h\u00e1 necessidade de \u201cum ainda maior e persistente compromisso com a promo\u00e7\u00e3o da autodetermina\u00e7\u00e3o das pessoas, facilitando os comportamentos e aptid\u00f5es que lhes permitam ser agentes causais em rela\u00e7\u00e3o ao seu futuro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rob\u00f4s melhoram a sa\u00fade mental no trabalho?<\/h2>\n\n\n\n<p>E se uma melhor sa\u00fade mental no trabalho implicar o recurso a rob\u00f4s? Uma <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.oracle.com\/news\/announcement\/ai-at-work-100720\/\" target=\"_blank\"><strong>pesquisa<\/strong><\/a>,&nbsp;levada a cabo pela Oracle e pela Workplace Intelligence, em 11 pa\u00edses, mostrou percentagens relevantes de trabalhadores que preferem abordar o tema da sa\u00fade mental com um rob\u00f4, em vez de o fazerem com as suas chefias, sendo que 80% consideram mesmo a hip\u00f3tese de ter um rob\u00f4 como terapeuta ou conselheiro. Para Diogo Guerreiro, este \u00e9 um cen\u00e1rio que dificilmente ganhar\u00e1 express\u00e3o: \u201cN\u00e3o acredito que jamais um rob\u00f4, ou intelig\u00eancia artificial, possa substituir algo t\u00e3o humano e relacional como um psicoterapeuta, um conselheiro ou um <em>coach.<\/em>\u201d \u201cClaro que percebo o apelo de haver algo autom\u00e1tico que nos perceba ou que nos ajude a tomar decis\u00f5es, mas n\u00e3o acredito que isso seja poss\u00edvel e at\u00e9 acho que pode ser prejudicial. <strong>Somos todos t\u00e3o diferentes, com tantos fatores contextuais e individuais, que nunca nenhum computador ter\u00e1 um algoritmo t\u00e3o complexo, como aquele que se passa nos nossos c\u00e9rebros, que possa substituir o contacto humano<\/strong>\u201d, sustenta.<\/p>\n\n\n<blockquote class=\"uk-margin-medium\"><span uk-icon=\"icon: quote-right; ratio: 4.0\"><\/span><h3 class=\"uk-margin-top uk-margin-small-bottom\">N\u00e3o acredito que jamais um rob\u00f4, ou intelig\u00eancia artificial, possa substituir algo t\u00e3o humano e relacional como um psicoterapeuta, um conselheiro ou um coach.<\/h3><footer><cite>Diogo Guerreiro, psiquiatra<\/cite><\/footer><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Se os rob\u00f4s ir\u00e3o, ou n\u00e3o, ser integrados nas empresas com vista a tornar a sa\u00fade mental dos colaboradores uma prioridade, n\u00e3o sabemos. O que sabemos \u00e9 que a preocupa\u00e7\u00e3o com esta dimens\u00e3o ser\u00e1 cada vez mais um argumento para atra\u00e7\u00e3o e reten\u00e7\u00e3o de talento. Isso mesmo \u00e9 defendido por Teresa Espassandim, segundo a qual \u201c\u00e9 incontorn\u00e1vel que o bem-estar psicol\u00f3gico e a sa\u00fade s\u00e3o fatores protetores do envolvimento e compromisso nas organiza\u00e7\u00f5es e, por isso, cr\u00edticos para a produtividade dos colaboradores\u201d. A este prop\u00f3sito, real\u00e7a a capitaliza\u00e7\u00e3o do \u00cdndice de Motiva\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.irrational.capital\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Irrational Capital<\/strong><\/a> (que tem como objetivo acompanhar um conjunto de m\u00e9dias e grandes empresas dos EUA, cujos colaboradores exibem certos padr\u00f5es de comportamento e motiva\u00e7\u00e3o, acreditando-se que estes preveem futuros retornos excedentes), assinalando que o mesmo \u201caumentou mais de 100%\u201d. Como tal, acredita que <strong>\u201ccada vez mais empresas assumir\u00e3o compromissos com a constru\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de ambientes de trabalho saud\u00e1veis\u201d, o que se traduzir\u00e1 inevitavelmente numa melhor sa\u00fade mental no trabalho<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que podem as empresas fazer?<\/h2>\n\n\n\n<p>Para garantir um ambiente de trabalho compat\u00edvel com uma boa sa\u00fade mental, M\u00e9sicles Helin Berenguel n\u00e3o hesita em apontar algumas estrat\u00e9gias. Desde logo, \u201c<strong>conhecer o colaborador pelo nome<\/strong>\u201d, que \u201cparece coisa menor, mas n\u00e3o \u00e9, <strong>sobretudo nas grandes empresas, onde \u00e9 preciso garantir que o trabalhador n\u00e3o se sente mais um n\u00famero<\/strong>\u201d, afirma. Tamb\u00e9m \u201co reconhecimento do que faz e de como o faz\u201d \u00e9 relevante, al\u00e9m das quest\u00f5es associadas \u00e0 \u201cremunera\u00e7\u00e3o, da motiva\u00e7\u00e3o e de um prop\u00f3sito comum\u201d. Al\u00e9m disso, o psic\u00f3logo sublinha ainda que \u201c<strong>uma organiza\u00e7\u00e3o s\u00f3lida no mercado e com estabilidade financeira pode promover seguran\u00e7a e estabilidade a um colaborador e isso tamb\u00e9m ajuda a uma boa sa\u00fade mental no trabalho<\/strong>\u201d.<\/p>\n\n\n<blockquote class=\"uk-margin-medium\"><span uk-icon=\"icon: quote-right; ratio: 4.0\"><\/span><h3 class=\"uk-margin-top uk-margin-small-bottom\">Investir na preven\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade psicol\u00f3gica nas empresas pode reduzir as perdas de produtividade pelo menos em 30%.<\/h3><footer><cite>Teresa Espassandim, psic\u00f3loga e psicoterapeuta com especializa\u00e7\u00e3o em Psicologia Vocacional e do Desenvolvimento da Carreira<\/cite><\/footer><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Por seu turno, Diogo Guerreiro chama a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de as empresas estarem \u201catentas aos estudos sobre sa\u00fade mental no trabalho e a estrat\u00e9gias confirmadas que aumentam o n\u00edvel de bem-estar e, consequentemente, a produtividade das organiza\u00e7\u00f5es\u201d, sublinhando ainda que \u201cseria importante haver abertura para a comunica\u00e7\u00e3o entre os v\u00e1rios patamares das hierarquias, e, sempre que poss\u00edvel, levar em conta as necessidades individuais e capacidade de flexibiliza\u00e7\u00e3o dos postos de trabalho\u201d. Uma das solu\u00e7\u00f5es poderia passar pela integra\u00e7\u00e3o de \u201cconsultores a n\u00edvel de sa\u00fade mental e bem-estar, como j\u00e1 existem em algumas multinacionais de topo e com muito bons resultados para todos\u201d, sugere.<\/p>\n\n\n\n<p>Teresa Espassandim recorda que \u201c<strong>a seguran\u00e7a e o bem-estar psicol\u00f3gico no local de trabalho est\u00e3o associados a n\u00edveis mais elevados de produtividade<\/strong>\u201d, pelo que <strong>\u201cinvestir na preven\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade psicol\u00f3gica nas empresas pode reduzir as perdas de produtividade pelo menos em 30%\u201d.<\/strong> Talvez por isso, \u201cs\u00e3o cada vez mais as empresas que integram na gest\u00e3o estrat\u00e9gica a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e do bem-estar ocupacional, porque compreendem que, de outra forma, n\u00e3o contribuem para a sua sustentabilidade\u201d, remata a especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que ainda existe algum estigma quando o tema \u00e9 sa\u00fade mental no trabalho. Os trabalhadores receiam ser prejudicados ou que lhes sejam atribu\u00eddos r\u00f3tulos, raz\u00e3o por que, frequentemente, ainda hesitam em abordar o assunto com as chefias de forma clara e transparente. E as lideran\u00e7as, por seu turno, est\u00e3o tamb\u00e9m pouco sensibilizadas para esta dimens\u00e3o. Todavia, o seu papel deve passar (tamb\u00e9m) por criar e promover o espa\u00e7o para que todos os colaboradores possam falar abertamente do tema, sem medo de repres\u00e1lias ou discrimina\u00e7\u00e3o. S\u00f3 assim, atrav\u00e9s da inclus\u00e3o, se tornar\u00e3o mais sustent\u00e1veis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nunca como hoje se falou tanto da import\u00e2ncia da sa\u00fade mental e, com a pandemia, esta preocupa\u00e7\u00e3o alastrou de forma in\u00e9dita ao mundo laboral. Importa perceber como \u00e9 que as novas formas de trabalho interferem no bem-estar dos colaboradores e como \u00e9 que a sa\u00fade mental dos trabalhadores pode ser preservada.<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":653,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[299,284,50,290,293,278,281,296,32,287],"class_list":["post-650","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-futuro-do-trabalho","tag-burnout","tag-diogo-guerreiro","tag-grupo-ageas-portugal","tag-mesicles-helin-berenguel","tag-psicologia","tag-saude-mental","tag-saude-no-trabalho","tag-stress-cronico","tag-teletrabalho","tag-teresa-espassandim"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/650","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=650"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/650\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":668,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/650\/revisions\/668"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/media\/653"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=650"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=650"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/bs.xl.pt\/vida-sustentavel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=650"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}