Galp reforça aposta no voluntariado
Num mundo acelerado, feito de urgências sucessivas, empresas, organizações sociais e voluntários fizeram uma pausa para refletir sobre o impacto real do tempo dedicado aos outros.
Num mundo acelerado, feito de urgências sucessivas, empresas, organizações sociais e voluntários fizeram uma pausa para refletir sobre o impacto real do tempo dedicado aos outros.
O pretexto para o encontro, que decorreu no Auditório Américo Amorim, além do facto de as Nações Unidas terem designado 2026 como Ano Internacional dos Voluntários para o Desenvolvimento Sustentável, foram os 15 anos do programa Galp Voluntária, assinalados na conferência “Voluntariado. O tempo que conta”, promovida pela Fundação Galp, em Lisboa. “A primeira vitória é termos uma sala cheia”, sublinha o co-CEO da Galp, João Diogo Silva, na abertura institucional do evento. Uma sala cheia de pessoas, mas também de histórias, porque “ninguém transforma uma comunidade sozinho”.
A Galp iniciou este percurso em 2011. Decorridos 15 anos, o que começou como um conjunto de ações pontuais evoluiu para uma prática contínua e integrada. Pelo caminho, mudou também a forma de encarar o voluntariado. “Já não é uma questão de cumprir métricas ou de dar tempo. É uma forma de estar”, explica João Diogo Silva.
Embora a intervenção de abertura – dedicada ao tema “Por que falar de voluntariado hoje” – tenha recordado os primeiros passos, o foco esteve no presente e no futuro de um percurso cujo sucesso é medido atualmente pelo impacto efetivo. “Pesa mais o número de voluntários ou a profundidade do trabalho realizado? Para nós, a profundidade do impacto tem de estar no centro. A escala é importante, mas o que nos orienta é a transformação real – aquilo que conseguimos mudar na vida das pessoas, na capacidade das organizações sociais e na solidez das comunidades. Por isso, em 2026, optámos por privilegiar a qualidade, a regularidade e a profundidade em detrimento da soma de métricas”, afirma o co-CEO.
Uma das apostas mais visíveis é o voluntariado de competências. Em vez de iniciativas pontuais, a empresa põe conhecimento técnico ao serviço das organizações parceiras. Projetos na área da eficiência energética são um exemplo, permitindo reduzir custos e gerar impacto imediato nas instituições sociais. “O voluntariado de competências tem um lugar especial. Nesta casa fazemos muitas coisas com impacto, mas poucas com o alcance do voluntariado. As organizações dizem-nos que aumenta a sua capacidade e eficiência, o que se traduz em mais pessoas apoiadas.
O voluntariado de competências tem um lugar especial. Nesta casa fazemos muitas coisas com impacto, mas poucas com o alcance do voluntariado.
Quando ajudamos a reabilitar uma casa, quando estamos presentes de forma regular, quando damos tempo e mãos, não estamos apenas a preencher um dia, estamos a devolver esperança, autonomia e segurança”, destaca João Diogo Silva.
Esta aposta ganha particular relevância num ano que as Nações Unidas dedicam aos voluntários para o desenvolvimento sustentável, no âmbito da Agenda 2030. A Galp não é alheia a este apelo global à participação em causas com impacto. Como foi sublinhado durante a conferência, moderada por Maria João Ruela, o voluntariado corporativo tem vindo a ganhar espaço na sociedade civil. O desafio já não passa apenas por crescer, mas por fazer melhor, o que implica colaboração entre empresas, setor público, organizações sociais e cidadãos. “Há desafios que só se vencem quando se juntam vontades e recursos”, reitera João Diogo Silva, num tema transversal a todo o encontro.
O responsável deixa ainda um convite às empresas que encaram o voluntariado como algo acessório: “Tornem-no parte do vosso modelo de atuação. Quando uma organização diz aos seus colaboradores que ‘o tempo importa’, está também a dizer à comunidade ‘estamos aqui convosco’. Para lá de 2026, o sucesso não será um número isolado, mas um modelo contínuo que fortaleça as organizações sociais e melhore, de forma concreta, a vida das pessoas.”
Ainda assim, os números ajudam a perceber a dimensão do programa: em 2025, mais de dois mil colaboradores participaram em mais de 450 iniciativas, somando mais de 10 mil horas de voluntariado e chegando a mais de 25 mil pessoas. Mas são os exemplos concretos que melhor traduzem esse impacto: casas reabilitadas, apoio direto a instituições, resposta a emergências e projetos nas áreas da educação e da inclusão.
Há também indicadores de continuidade – mais de um terço dos participantes regressa a novas ações – e de renovação, com quase um quinto a envolver-se pela primeira vez. A empresa destaca ainda o envolvimento ativo das lideranças, incluindo a Comissão Executiva.