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Voluntariado, o Tempo que Conta
Um papel cada vez mais importante na estratégia das empresas
Ricardo António apresentou o Bloco Evidência sobre a medição do impacto do voluntariado
Evento

Um papel cada vez mais importante na estratégia das empresas

O voluntariado corporativo já não é periférico. Está cada vez mais presente na estratégia das organizações, segundo o fundador da Ethical – Doing Well By Doing Good, Ricardo António. O desafio já não está em mobilizar pessoas, mas sim em medir o impacto real do investimento social.

Na palestra dedicada ao tema “Do entusiasmo à evidência: como medir o impacto do voluntariado”, o fundador da Ethical – Doing Well By Doing Good, Ricardo António, defendeu uma mudança de fundo no voluntariado corporativo. Encarado no passado como um gesto de boa vontade, associado ao entusiasmo e à disponibilidade dos colaboradores, o voluntariado tem agora um papel cada vez mais influente na estratégia das empresas. A medição é a ferramenta de reforço do processo.

“Medir muda tudo. Traz legitimidade, capacidade de aprendizagem, ‘accountability’, comparabilidade e aumento das possibilidades de integração do voluntariado na estratégia, porque as lideranças vão perceber o impacto para fora e para dentro. E só assim é possível continuar a olhar para esta questão com o coração, mas também com a cabeça. Só assim é possível justificar este investimento. Temos de ter estes dados para compreender e a seguir fazer gestão”, explica Ricardo António.

Todavia, “a velocidade operacional ainda não é acompanhada de velocidade de medição”. Ainda se mede pouco. Um problema face ao maior escrutínio a empresas e organizações, que enfrentam exigências acrescidas de responsabilidade social e são pressionadas a demonstrar coerência entre discurso e prática, em particular pelas gerações mais jovens.

Estamos a passar de uma lógica de gesto solidário para foco no impacto. A passar de ações isoladas para uma lógica de ecossistemas, em que trabalhamos em construção com vários parceiros sociais.

“Estamos a passar de uma lógica de gesto solidário para foco no impacto. A passar de ações isoladas para uma lógica de ecossistemas, em que trabalhamos em construção com vários parceiros sociais. A passar de respostas pontuais para respostas resilientes e continuadas. E passamos de uma lógica de narrativa para uma de evidência. E tudo isto leva à medição de impacto. A Galp é um excelente exemplo”, reforça o orador.

“Um dos erros mais frequentes na avaliação do voluntariado” é a confusão entre atividade e impacto. Ricardo António lembra que a avaliação deve começar no desenho do programa, com base numa teoria da mudança que permita estabelecer o nexo de causalidade entre a ação e a transformação desejada. Ferramentas como o Business for Societal Impact, B4SI, contribuem posteriormente para estruturar a análise, aplicar o princípio da materialidade e identificar quais os pilares mais relevantes da medição em função do setor, da geografia, da dimensão e do contexto social de cada organização.

Na perspetiva do convidado, “os métodos mistos são essenciais”. Os dados quantitativos dão escala e permitem comparar; os qualitativos acrescentam profundidade e ajudam a perceber o valor real das mudanças produzidas. Uma medição pensada desde o início, com parceiros preparados para recolher dados e acompanhar o processo ao longo do tempo.

Portugal no bom caminho

Ricardo António destaca a relação direta entre voluntariado e transformação do mundo do trabalho. Com as competências empresariais requeridas a mudarem rapidamente e maior procura de capacidades humanas como empatia, escuta ativa e liderança, o voluntariado surge como espaço de aprendizagem em contexto real. “No limite, as organizações são feitas de pessoas e se eu for uma melhor pessoa, a minha organização também será melhor.”

Em Portugal, o voluntariado corporativo está a conquistar espaço, mediante programas mais formalizados, maior alinhamento com necessidades concretas, diversidade de formatos e uma utilização crescente das novas tecnologias. Ricardo António sublinha ainda um esforço consistente de articulação entre empresas e terceiro setor, incluindo a capacitação das instituições para que o voluntariado seja mais útil, menos disruptivo e mais sustentável.

No limite, as organizações são feitas de pessoas e se eu for uma melhor pessoa, a minha organização também será melhor.

Entre as boas práticas, destaca-se a continuidade em vez da ação pontual, a integração estratégica e o envolvimento da liderança. “O voluntariado de competências tem vindo a crescer e é a clara tendência para ficar”, justifica Ricardo António. A medição, “ainda em consolidação”, é entendida como parte essencial desse caminho.

“Portugal não precisa de começar, precisa de evoluir. O próximo salto não é fazer mais voluntariado corporativo, mas sim melhor voluntariado. O voluntariado sem evidências é muito inspirador, mas tem a capacidade de ser mais relevante e transformador com evidências”, conclui o orador.