Este site usa cookies para melhorar a navegação. Ao navegar no website concorda com o seu uso. Para saber mais leia a nossa Política de Cookies.

Voluntariado, o Tempo que Conta
Fundação Galp é voluntariado com futuro
Na Praia de Vieira de Leiria, a Fundação Galp e parceiros juntaram colaboradores e moradores que limparam as dunas e o areal.
Ações de Voluntariado

Fundação Galp é voluntariado com futuro

Em Portugal, o voluntariado corporativo afirma-se como uma resposta estruturada às fragilidades do setor. Milhares de colaboradores envolvidos, centenas de ações anuais e um investimento consistente nas comunidades tornam empresas como a Galp em pilares de impacto social.

A energia da Galp já não está associada apenas aos combustíveis. Cada vez mais, uma das imagens de marca da empresa são colaboradores de luvas calçadas, mãos na terra ou a pintar paredes, em bairros periféricos, escolas, centros sociais, praias ou florestas. É nessa simbiose de números e de rostos que se percebe como o voluntariado corporativo está a reconfigurar o mapa do setor em Portugal.

Os dados do Eurostat e o Relatório Final sobre o Universo do Voluntariado em Portugal confirmam uma tendência europeia: a taxa de participação nestas atividades desceu de forma relevante entre 2015 e 2022, caindo de 18,9% para 12,3% no conjunto dos países da zona euro. A pandemia explica parte desta retração, mas o estudo também aponta para uma transformação mais profunda nas formas de envolvimento cívico.

Portugal surge entre os países com dinâmicas de voluntariado mais baixas, destacando-se apenas em contextos onde existem barreiras políticas ou culturais significativas, como acontece nos Balcãs, Turquia ou Albânia. Apesar dos sinais de profissionalização, o setor continua marcado por dificuldades de recrutamento, retenção, financiamento e reconhecimento.

Passo a passo

É neste contexto que o voluntariado corporativo ganha relevância. Ao trazer o voluntariado para dentro do horário e do espaço de trabalho, as empresas criam condições para que os colaboradores encontrem oportunidades de intervir civicamente. No caso da energética, esse caminho tem nome e data – programa Galp Voluntário, criado em 2011.

O programa dinamizado pela Fundação Galp assenta na premissa simples, mas estruturante de atribuir a cada trabalhador até 48 horas por ano, em contexto laboral, para ações de voluntariado. O equivalente a seis dias úteis ao serviço da comunidade. A iniciativa, que começou com cerca de 800 voluntários inscritos e 2500 horas de serviço à comunidade no primeiro ano, em dez projetos distintos, cresceu até se transformar numa prática contínua, mais exigente e orientada para resultados.

Entre paredes

Numa manhã húmida na Trafaria, às portas de Almada, 30 jovens trainees do programa Generation Galp alinharam pincéis, latas de tinta e rolos de pintura encostados a um muro gasto pelo sal e pelo tempo. À volta, o Centro Social da Trafaria, gerido pela Santa Casa da Misericórdia de Almada, acolhe crianças, idosos e famílias de um território marcado por vulnerabilidades sociais.

O plano para o dia era simples: devolver cor ao espaço exterior, requalificar zonas de convívio, arranjar o jardim, recuperar o verde perdido durante a pandemia. Alguns voluntários plantaram novas espécies; outros, em grupos, passaram de cinzento a azul e branco quase 500 metros quadrados de paredes exteriores, esforçando-se para não deixar falhas na pintura.

Noutro momento, em Lisboa, o cenário são prédios antigos, corredores estreitos, casas onde o tempo e a falta de recursos se acumulam nas paredes descascadas e nas janelas que já não vedam o frio. No projeto REPARAR, desenvolvido em parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, 116 voluntários da Fundação Galp distribuíram-se por dez casas de pessoas idosas ou em grande dificuldade.

Ao longo de um dia, as equipas pintaram divisões, arranjaram pavimentos, trocaram equipamentos, recolheram brinquedos e roupas para as crianças a residir nesses agregados. Houve também tempo para ouvir histórias, cumprir pequenos desejos de quem raramente é prioridade.

Estas ações concretas atestam que o voluntariado corporativo já não se resume a gestos pontuais. Ao articular-se com organizações conhecedoras do terreno, o programa da Fundação Galp transforma horas cedidas pela empresa em intervenções coordenadas, com objetivos claros e impactos mensuráveis.

Proteção da natureza

O voluntariado ambiental é outro dos eixos que aproximam a atuação da Galp das tendências identificadas no estudo nacional, que aponta para uma diversificação temática e uma crescente preocupação com a sustentabilidade e o risco climático. Na Praia de Vieira de Leiria, junto ao Atlântico, uma ação promovida pela Fundação Galp em parceria com a Quercus e entidades locais juntou colaboradores, moradores e até figuras públicas para uma operação de limpeza das dunas e do areal. Durante horas, equipas de voluntários percorreram a praia e parte da Mata de Pedrógão, recolheram plástico, redes, restos de madeira – lixo trazido pelos temporais do último inverno.

Dias depois, o grupo volta a encontrar-se na Mata Nacional de Leiria, um território ainda marcado pelos incêndios. Ali, o voluntariado faz-se de rastos de vegetação cortada, de linhas abertas no mato para mitigar o risco de novos fogos, de árvores plantadas em zonas de regeneração. Se, no estudo, o voluntariado ambiental surge como uma das áreas com maior potencial de crescimento, no terreno traduz-se em gestos concretos de recuperação e prevenção, mediando a relação entre empresas, comunidades e território.

Escala e números

Nos últimos 15 anos, a Fundação Galp criou um dos programas mais consistentes de voluntariado corporativo em Portugal, acompanhando o crescimento de redes como a GRACE, que passou de cerca de 100 empresas associadas em 2012 para perto de 370 atualmente. Em 2025, o programa atingiu o ano mais marcante da sua história porque mais de 2.000 colaboradores — um quarto da energética — participaram em 457 ações de voluntariado, em várias geografias, alcançando mais de 6.000 beneficiários.

Os dados de 2025 mostram que cerca de 29% dos colaboradores estiveram envolvidos em iniciativas de voluntariado, dedicando aproximadamente 11 mil horas ao serviço em prol da comunidade, das quais muitas centradas em respostas de emergência social. Em paralelo, o grupo Galp investiu 30,9 milhões de euros na comunidade e mais de 6.000 entidades beneficiárias, num ecossistema em que o voluntariado é um dos pilares da sua estratégia de impacto social.

No terreno, estes números desdobram-se numa multiplicidade de cenários: ações em escolas, mentoria a jovens, apoio a famílias em situação de vulnerabilidade, projetos ligados à transição energética justa, à eficiência energética em habitações sociais ou à promoção de competências digitais em comunidades periféricas. Em comum, a lógica de combinar tempo, talento e energia dos colaboradores com necessidades concretas identificadas por organizações parceiras.

  • A Mata Nacional de Leiria, território marcado pelos incêndios, foi alvo de intervenção para mitigar os riscos de fogo.

    A Mata Nacional de Leiria, território marcado pelos incêndios, foi alvo de intervenção para mitigar os riscos de fogo.

  • Numa ação promovida pela Fundação Galp, a Quinta do Cabrinha, em Alcântara, Lisboa, recebeu mais de 120 voluntários que recuperaram um parque e um campo desportivo.

    Numa ação promovida pela Fundação Galp, a Quinta do Cabrinha, em Alcântara, Lisboa, recebeu mais de 120 voluntários que recuperaram um parque e um campo desportivo.

  • Foto de “família” dos voluntários que pintaram o estádio do Vasco da Gama Atlético Clube, em Sines.

    Foto de “família” dos voluntários que pintaram o estádio do Vasco da Gama Atlético Clube, em Sines.

  • A energia da Galp também se vê nos seus voluntários.

    A energia da Galp também se vê nos seus voluntários.

Rostos da cidadania

O estudo nacional sobre o voluntariado traça um perfil que ajuda a perceber quem está, hoje, mais presente nestas iniciativas. Identifica uma participação marcadamente feminina, forte presença de estudantes, importância dos reformados, predominância de níveis de escolaridade mais elevados. As organizações reconhecem, ao mesmo tempo, a necessidade de diversificar perfis e de criar uma porta de entrada digital mais robusta, capaz de captar novos públicos.

O voluntariado corporativo atua exatamente nessa fronteira. O modelo de ações de curta duração, organizadas em dias de voluntariado ou campanhas específicas, responde à preferência crescente por formas de participação mais flexíveis, episódicas e orientadas para causas concretas, sobretudo entre os mais jovens.

No interior da empresa, o voluntariado é também apresentado como oportunidade de desenvolvimento de competências, como liderança, trabalho em equipa, comunicação, capacidade de adaptação. Para muitos colaboradores, participar não é apenas um momento de boas práticas, mas também uma oportunidade para aprender, experimentar contextos desconhecidos, confrontar-se com realidades sociais que não surgem nos relatórios financeiros.

Das fragilidades às respostas

O Relatório Final sobre o Voluntariado em Portugal enumera, de forma sistemática, os desafios que atravessam o setor: falta de recursos humanos dedicados à gestão de voluntários, dificuldades de recrutamento, rotatividade elevada, abandono precoce, carência de mecanismos formais de reconhecimento, visibilidade mediática limitada e incorporação de ferramentas digitais na mobilização interna, articulação com organizações sociais e na avaliação das próprias ações. Muitas organizações promotoras de voluntariado admitem ainda não dispor de ferramentas sólidas de monitorização e avaliação de impacto.

O modelo de voluntariado corporativo da Fundação Galp responde a vários destes pontos. Ao garantir equipas minimamente estáveis, articular parcerias de médio prazo e disponibilizar estruturas internas — comunicação, recursos humanos, gestão de projetos — ao serviço das iniciativas, a empresa ajuda a reduzir a imprevisibilidade que fragiliza tantas organizações sociais. A equipa de voluntariado da Fundação Galp funciona como ponte, porque escuta as necessidades das organizações, desenha ações adaptadas, prepara os voluntários e acompanha as atividades no terreno.

Ao mesmo tempo, o programa reforça o reconhecimento interno do voluntariado, através de campanhas de comunicação, iniciativas de partilha de histórias e, em momentos específicos, prémios de excelência que distinguem projetos e instituições com intervenção relevante. Este tipo de valorização contrasta com a perceção, ainda dominante no setor, de que o voluntariado continua subvalorizado por parte das entidades públicas e da comunicação social.

Novo paradigma

O relatório nacional sublinha a emergência de tendências como a digitalização das formas de participação, a diversificação temática e a preocupação com modelos de voluntariado mais inclusivos, tanto em termos de perfis como de barreiras à participação. A experiência da Fundação Galp acompanha esta evolução ao desenvolver iniciativas em múltiplas geografias, ligar colaboradores de diferentes áreas e países e incorporar ferramentas digitais na mobilização interna e na articulação com organizações sociais.

Em paralelo, ganha peso o voluntariado de competências, que coloca saberes técnicos ao serviço do terceiro setor. Num grupo com forte presença nas áreas da energia, engenharia, tecnologia, comunicação ou sustentabilidade, a mobilização desse capital humano representa um salto qualitativo. Em vez de apenas oferecerem tempo, os voluntários ajudam a redesenhar processos, a melhorar a eficiência energética de instalações, a apoiar a gestão, a comunicar melhor, a medir impactos.

É também neste cruzamento entre linguagem empresarial e vocabulário do impacto social — resultados, avaliação, sustentabilidade, transformação — que se percebe uma mudança de paradigma. Programas como o Galp Voluntária são apresentados já não como apêndices filantrópicos, mas como parte integrante da estratégia de responsabilidade social e investimento social da empresa.

Apoio reinventado

Num quadro europeu marcado pela queda da participação e por fragilidades persistentes, o voluntariado corporativo emerge, no caso de Portugal, como uma das peças decisivas da reinvenção do setor. Redes como a GRACE, conferências da Fundação Galp como “Voluntariado. O tempo que conta” e programas com mais de uma década de consolidação mostram que existe um movimento em curso, em que empresas assumem um papel ativo na promoção da cidadania, da coesão social e da transição justa.

No caso da Galp, fica o retrato de uma prática que combina escala e profundidade. Milhares de pessoas a doar parte do seu tempo de trabalho, centenas de ações por ano, beneficiários de perfis muito diversos e uma preocupação crescente com a qualidade, a adequação e o impacto das intervenções. Quando o tempo dos colaboradores se converte em energia social, quando o talento se torna ferramenta de capacitação e quando a empresa se assume como parte da solução, o voluntariado deixa de ser apenas um gesto individual e passa a configurar uma estratégia de futuro.